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Artigos




Cotas - Negros, pardos ou o quê?
Alguns me perguntam sobre a aprovação do Sistema de Cotas Universitárias para negros e pardos. O STF aprovou as cotas, mas ainda tenho dúvidas sobre o remédio para a grande doença que nosso país ainda tem no concernente ao preconceito e segregação social.
O internauta deve se lembrar do fato estranho que aconteceu com os dois irmãos gêmeos, Alex e Alan. Um foi dado como negro, o outro não. A lei, portanto, é boa na intenção, mas problemas virão em torno dela. Abra as aspas: No Brasil, o uso das cotas, aparentemente positivo, pode representar o remédio errado para uma doença real e cruel que deve ser corrigida com o acesso de todos à educação, indiscriminadamente. Resolvendo-se o problema social, todos serão beneficiados independentemente da raça autodeclarada.
Gênio Eurípedes
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DEM decide expulsar Demóstenes Torres
Por Pedro Cardoso da Costa 
Nem Demóstenes escapou
Uma atividade da qual qualquer pessoa espera todo tipo de malfeitorias é a política, especialmente de parlamentares. Como em todos os segmentos sociais, há exceções e os alguns representantes garantem a certeza dessa exceção. Na atualidade, Demóstenes seria o último a apagar as luzes da ética nacional. Lamentavelmente, seria...
Depois de tantos anos de confiança solidificada junto à sociedade e até entre os seus pares, numa semana, dia após dia, aparecem gravações da Polícia Federal que mostram a bipolaridade de caráter do senador. Sempre a conta gota surgem conversas gravadas do senador com o contraventor Carlinhos Cachoeira apontando uma relação íntima que inclui até o repasse das matérias a serem votadas pelo Senado, com a finalidade clara de direcionar a lei de forma a favorecer as atividades ilegais do bicheiro.
Seguindo o ritual comum a casos de corrupção, o advogado de Demóstenes centraliza sua defesa numa possível ilegalidade das gravações, sob a alegação de que foram autorizadas por instância inferior, quando deveria ter sido pelo Supremo Tribunal Federal – STF, por se tratar de senador da República. Ainda que se trate de filigrana jurídica, que poderá inocentar o senador de qualquer consequência punitiva, a questão central foi ele usar sua atividade de representante do Estado para favorecer alguém que deveria ser punido exatamente pelo próprio Estado. E, acredite, ele está sendo punido com prisão.
Esse detalhe de que as gravações precisem ser autorizadas pela Justiça jamais deveria se sobrepor ao conteúdo criminoso de qualquer gravação que aparecesse, com exigência apenas da autenticidade comprovada, ainda que seja de autoria desconhecida.  Não resta dúvida que exigências como esta visam tão somente livrar de punição as pessoas renomadas ou ricas, já que pobre não necessita de gravação; elas são estapeadas publicamente nas ruas em todo o país.
Esse detalhe menor livrará o senador Demóstenes apenas no Judiciário, pela cultura arraigada de não punir as pessoas do andar de cima, com sobra de argumentos e fundamentos legais. Não será absolvido na seara política, não pelas nobreza e retidão dos parceiros, mas por ter feito muitos inimigos devido à ênfase na cobrança de ética por parte dos seus colegas. Era tão sublime sua postura, que era o primeiro a exigir a demissão de ministros envolvidos em corrupção.
Além dessa postura similar à de um padre que abusa de coroinhas, o mais preocupante é que, antes de senador, Demóstenes Torres se trata de um promotor licenciado, cargo para o qual deveria voltar se deixar o Senado. O Ministério Público de Goiás, além de evitar seu retorno, deveria investigar todos os seus pareceres anteriores, especialmente aqueles proferidos em ações de interesse do seu pupilo. Não se pode conceber a idoneidade de quem trai seus próprios colegas, apenas por mudar de atividade. Depois de Fernando Gabeira ser pego na farra das milhas oficiais para parentes e amigos, Demóstenes Torres foi a decepção maior.
Aproveito apenas para alertar ao deputado federal Antonio Reguffe a não me decepcionar, pois foi o único político que defendi num texto, com o título “um político de verdade”. Assim como nas emendas à Constituição, emendarei o referido texto para manter o entendimento, com a ressalva do até aprova em contrário. Definitivamente, a renúncia seria o mínimo gesto condizente com a dignidade que o senador demonstrava possuir com a sua postura e a própria fisionomia. Episódios como este só fortalecem os facínoras inveterados. Que pena, Demóstenes! 
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
  Bacharel em direito
pcarcosta@gmail.com

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Discutir religião, agora, se tornou mais que uma necessidade, porque vidas estão em jogo. 
Por Sebastian Ramos
Tratar sobre religião sempre foi um tema muito delicado, a concepção da maioria das pessoas antigamente era de que não se discute três coisas: futebol, política e religião, porque termina em confusão. E hoje? Bem, a política até que não se discute devido à total descrença nos políticos. Já o futebol discutimos. E a religião? Nunca se discutiu tanto sobre esse assunto como na atualidade, devido às atrocidades, a intolerância e mais precisamente o crescimento do mercado da fé que se pratica em nome de Deus ou da religião. Discutir religião, agora, se tornou mais que uma necessidade, pois vidas estão em jogo. Nem se quiséssemos, poderíamos fugir do debate, pelo fato da mídia nos estimular.
As acusações do líder da Igreja Universal do Reino de Deus contra o “Apóstolo Valdemiro Santiago” da Igreja Mundial do Poder de Deus expõe todo o aglomerado de religião. Uma reportagem da Rede Record denunciou que o Valdomiro comprou três fazendas em Mato Grosso, bem como centenas de cabeça de gado, tudo isso com o dinheiro doado pelos fiéis, importando num valor de R$ 50 milhões de reais. O “apóstolo” se defende das acusações e convocaa Rede Record e o bispo Edir Macedo a abriremsuas contas perante o público para ver se ele teria coragem de falar com que dinheiro comprou a TV Record. Num momento em que as estatísticas revelam perda de receitas da Igreja de Macedo, ele ataca seu rival. Em um programa de TV foi mostrado uma mulher incorporada “supostamente,” com um demônio afirmando que todos os milagres que ocorrem na igreja de Valdemiro eram propiciados por ele.
O duelo Macedo x Valdemiro foi importante para se abrir uma discussão mais ampla sobre o papel que a religião exerce em nossas vidas. Algumas pessoas acham que tais escândalos proporcionam um desserviço ao evangelho de Cristo e que poderá atingir outras igrejas: “Ao Valdemiro e o Macedo, pelo amor de Deus, parem com essas trocas de acusações, isso não trará nenhum tipo de benefício a vocês dois, pelo contrário, o que poderá vir será grandes tragédias, além de denegrir perante o mundo incrédulo toda classe evangélica” disse certo leitor.Pelo contrário, na minha humilde compreensão eu diria que este debate é beneficiente para a cidadania, e abre precedente, para debatermos uma exploração mercadológica que permeia todas as religiões no Brasil.
Quem poderia imaginar que algum dia a religião seria exposta à luz da grande mídia? O problema veio átona, devido o aumento de sua concorrência. As promessas vão desde a cura de toda sorte de males; esperança para as encalhadas, prosperidade financeira, do emprego de carteira assinada e com a possibilidade de tornar-se empresário. Por conseqüência, as músicas gospel, e os cantores, surgem como formigas, e são contratados a peso de ouro para se apresentar nos megatemplos. Quem tem mais dinheiro poderá optar por lugares Vips, camarotes, ou os chamados abadeus. Em dias de casa lotada, os ritos são animadíssimos, há coreografias, danças, etc. A Igreja Católica quando percebeu que as igrejas evangélicas estavam em fase de crescimento entrou no mesmíssimo barco. Provavelmente, pensaram: É aqui que dá dinheiro!!! E agora os movimentos carismáticos estão de vento em poupa, apresentando o que há de melhor: seus padres, Pop Stars. Nos shows têm muita dança e gritos, muitos murmúrios de ALELUIA e muitos CDs VENDIDOS. Um êxtase total!! O faturamento deve estar na Estratosfera, bem pertinho do céu. 
Querido leitor, você já observou igrejas instalarem emissoras de rádio, TV, construir megatemplos em um passe de mágica? Pois saibam que tais empreendimentos saíram de setores do alto empresariado, os chamados acionistas da fé. Surge outra pergunta: De onde sai tanto dinheiro para ressarcir estes empréstimos? Dos dizimistas e ofertantes. Uma das profecias bíblicas vem arfando que, nos últimos dias, os homens, por amor ao dinheiro fariam das pessoas objeto de negócios com discursos fingidos. As profecias bíblicas são fidedignas, e, portanto, estamos no clímax de seu cumprimento. Cristo não deixará de aplicar uma punição muito mais severa contra os cambistas dos dias hodiernos do que àquela em Jerusalém quando chicoteou e expulsou os vendilhões e cambistas do Templo.
Diante de tantas irregularidades o Ministério Público passou abrir procedimentos investigativos contra líderes de determinadas igrejas, entre os quais, da Igreja Universal do Reino de Deus que foram denunciadas por estelionato, e "oferecimento de falsas promessas aos fiéis. Já o pastor Valdemiro líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, se tornou alvo de investigação por parte do Ministério Público Federal de Mato Grosso, recentemente.
O Ministério Público, como o guardião da lei precisa continuar inspecionando outras denominações no sentido de coibir novas modalidades coercitivas de exploração contra seus fiéis. Na Igreja Testemunhas de Jeová, por exemplo, há incentivo para que os fiéis façam “donativos voluntários”, (embora possuam este nome não têm nada de voluntários, pois, existe uma “pressão” por parte dos pastores (anciãos como são chamados) para que os adeptos façam suas contribuições. Mas existe outro tipo de “donativo conforme mostra a Sentinela de 1º de Dezembro de 1993: “Bens móveis e imóveis, contas correntes bancárias e de poupança, ou dinheiro, podem ser legados à STV – Sociedade Torre de Vigia, por meio de um testamento devidamente registrado em cartório...” Todo esse dinheiro arrecadado, proporciona a ampliação de seus parques gráficos, os mais modernos do mundo, e as construções de salões requintados num prazo de 30 dias. A Sociedade Torre de Vigia não gasta um centavo com mão de obra porque é feita pelos próprios fiéis. Observem: Balanço da STV na Casa de bilhões: http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=16&t=11220&st=0&sk=t&sd=a
Na época em que a cidade de Jerusalém estava à beira de um colapso institucional, havia corrupção, imoralidade, violência por toda parte, sem contar com os profetas desonestos e egoístas. Apesar dos falsos profetas se esforçarem em dizer ao povo que a cidade estava em paz, Jeremias, o profeta verdadeiro, destemidamente alardeava: "'Eis que sou contra os profetas' é a pronunciação do SENHOR, 'aqueles que roubam as minhas palavras, cada um de seu companheiro." Os falsos profetas insultavam a Deus, por incentivar as pessoas a acreditarem numa irrealidade. Não é assim que está acontecendo hoje? Através do evangelismo midiático conseguem encantar os mais desprovidos de informação, e de assistência do Estado. Entre inúmeras promessas já citadas, eles incentivam: “Orem a Deus que tudo vai dar certo. Paguem a décima parte de seu salário e as ofertas alçadas que serão prósperos, e aqueles que se envolvem na política proclamam: "Seu voto pode mudar o país".
Os pastores se embruteceram, não buscaram a Deus e as ovelhas se espalharam diz a Bíblia. Contudo, o próprio DEUS os alerta: “Aí dos pastores que se apascentam a si mesmos. Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas; a perdida buscarei, a desgarrada tornarei a trazer, a quebrada ligarei, a enferma curarei; mas a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com julgamento”. (Os leitores já devem imaginar quem seria a ovelha gorda e a forte!)
“Porventura, quando o Filho do homem voltar, encontrará fé sobre a terra?" Indagou Cristo aos seus discípulos. Notadamente os líderes religiosos, preferivelmente, abandonaram uma proposta de salvação que Deus proporcionou a humanidade, e se inclinam em pregarem a teologia da prosperidade. Obviamente a safra está sendo colhida – descrença – violência – imoralidade e uma desconfiança nas instituições, tanto seculares, como no campo da religiosidade.
Não adianta se buscar abrigo em instituições quando estão em perigo. O sistema global de religiões se encontra em marcha acelerada para seu descrédito total. Após a decretação do dilúvio dos dias de Noé, Deus proporcionou uma embarcação para a salvação das pessoas. Um paradoxo profético: nos dias de Noé precisava-se da arca para as pessoas escaparem do dilúvio, hoje, Deus exorta a abandonarmos as arcas construídas sem a sua permissão que são as religiões. Se acatarmos o aviso, provavelmente, poderemos ser salvos. (Leia Apocalips 18: 4)
Desenvolva qualidades altruístas para com o próximo, leia sempre a Bíblia, pois ela mesma afirma: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará...” Ore a Deus pedindo discernimento para entendê-la, mediante a intercessão de Seu Filho – O Único Mediador entre Deus e os homens. Quando Cristo retornar dirá aos que praticaram o verdadeiro evangelho: “Vinde benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Porque tive fome, e deste-me de comer; tive sede, e deste-me de beber; era estrangeiro, e hospedaste-me; estava nu, e vestiste-me; adoeci, e visitaste-me; estive na prisão, e foste ver-me.” (Mateus 25: 36 – 40) Lembre-se, todo o bem que fizer aopróximo, será como estivesse fazendo ao próprio Cristo. 
Em síntese, é (urgente), urgentíssimo, que os articulistas e formadores de opinião se inclinem a este assunto, bem como a sociedade em geral, pois o caso Valdemiro e Macedo é apenas a ponta do iceberg. O Estado Brasileiro também precisa intervir contra os excessos praticados por espertalhões que dominam psicologicamente os desprovidos sociais e arrancam-lhes todo o seu sustento. Quanto aos freqüentadores de religiões, eu diria: não se apavorem, atentem para o próximo periódico, quando abordaremos a temática: COMO EXERCER FÉ SEM OS LIMITES DA RELIGIÃO?
Sebastião Ramos é Assistente em Administração na UFC – sebastianramos7@gmail.com


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Porque sempre voltamos a falar em Educação
                              Rosildo Barcellos
   "Livre, livre. Meus olhos seguirão ainda que meus pés parem". Lembro que estas foram as últimas palavras que deixou escritas Jokin Zeberio, de 14 anos, antes de arrojar-se ao vazio com sua bicicleta, do alto da muralha de Hondarribia, Espanha, em setembro de 2004. Jokin vinha sofrendo agressão de seus colegas havia anos. As contínuas ameaças, humilhações, insultos, pancadas, surras, o fizeram sofrer e o levaram à morte. Na época o feito fez soar o alarme social político e educativo, e gerado muitos debates sobre o que caracterizamos atualmente como Bullying, que antes de mais nada  é uma palavra inglesa que significa intimidação.
     É obvio que antes de qualquer análise temos dois grandes problemas que nos tempos atuais deveremos enfrentar. Temos pais que trabalham fora e não tem mais tempo de acompanhar as atividades dos filhos e sem contar com tantos outros que tem pais separados e não podem contar com a educação bilateral, estes muitas vezes ( ainda bem) alavancados pelos avós mas que carecem de apoio familiar.Isso resulta numa grande pressão pela evasão escolar e quando tenta se reverter a situação simplesmente aceita-se os equívocos dos alunos e promovem-no sem uma devida formação para a série imediatamente superior.


     Evidente que a reprovação de um aluno é algo temeroso, que tem repercussões negativas que ultrapassam sua vida escolar. Assim como o peso do fracasso e o estigma de repetente podem reduzir suas chances de aprendizagem, também sua personalidade pode ser afetada. Em conseqüência da reprovação, o aluno pode desenvolver um  conceito negativo que o leve a abandonar os estudos;todavia tem de ser analisado caso a caso, considerando os conceitos iniciais de esperança e amor;ditos claro no sentido mais amplo da palavra.


     Não podemos esquecer que os fins da educação indicam os rumos da ação educativa, os princípios básicos que irão norteá-la, tendo presente o verdadeiro sentido da existência humana.  Enquanto a ciência avança  é dever da educação proporcionar o instrumento necessário para acompanhar essas transformações, despertando o ideal de busca, da pesquisa e da atualização constante.O pleno desenvolvimento do educando supõe um educação integral, que considere o homem não só como indivíduo, mas também como participante de uma sociedade. A escola tem hoje, com justa razão, a preocupação de conquistar o apoio da comunidade, considerando-o relevante para uma atuação eficaz. 
     Estamos vivendo um novo tempo da educação brasileira com imensos desafios a serem enfrentados com determinação e espírito crítico.Ou seja, os pais tem de participar da vida escolar de seus filhos. Não podemos mais esperar melhoras se cada família não traz para si a responsabilidade de que aquela criança será o futuro cidadão ou um futuro amante da criminalidade. Então vamos todos participar. Se percebeu que seu filho caminha descompassado, não aprende,não participa ou está indo para um caminho tortuoso ou sem luz;apresente-se,oriente-se a você mesmo e aos seus pares,assim pais, professores e comunidade em geral, estaremos finalmente recuperando a esperança no amor através da educação. Não vejo outro caminho!
*Articulista – autor do livro histórias e estórias que a vida nos faz contar
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Vinte anos depois...
                   Rosildo Barcellos     
     Em março de 2012 estou completando 20 anos como articulista. É certo que ao fazer tudo isso agreguei um conhecimento incomum e privilegiado, assim como  uma amplitude que jamais poderia ter imaginado. Entretanto na maioria das vezes pensara que quando aceitamos as coisas, de uma maneira natural elas nos sobrepujam de um modo ou de outro. Ouso inferir que isso não é verdade, não há supedâneo, em absoluto. 
     O que me valeram estes anos todos foi entender que somente aceitando as coisas e procurando entendê-las é que nós podemos assumir uma atitude em relação a elas. Desatando os nós e algumas amarras do passado para enfrentar a vida como ela é. A que ponto chegamos... Imagino propugnar agora por fazer o jogo da vida. Então chegamos ao ponto crucial. Como faremos isso? 
     Em primeiro lugar devemos ser receptivos a tudo que nos chegar, tanto faz se for bom ou mal, sol e sombra alternando-se eternamente; dívidas amontoando-se,ligações dos cobradores (faz parte) e, desta forma, aceitar também minha própria natureza, com seus aspectos positivos e negativos e assim poder entender a limitação das pessoas ao nosso redor . Só que esbarrei num grande problema: a linguagem. 
     Ainda estou decidindo se sou eu que não entendo as pessoas ou são elas que não me entendem. Poderia citar quão diferença em ouvir Alcione (marrom) de 20 anos atrás e a Mulher Melão cantando o hit “Você quer ? Entretanto esse assunto é tão vasto que deixo para o próximo artigo; se Deus assim permitir. 
     Mas quero me reportar a uma nova linguagem: a do mundo virtual.
É uma seqüência de simplificações informais e que com a difusão dos avatares, chats, nicks, orkuts e blogs causam uma grande preocupação para todos os pais e educadores que me procuram para falar sobre esse assunto.  Desde domingo, por conta própria comecei a fazer um mini-dicionário internetês – português onde já constam, por exemplo: Tc=teclar, demais=d++, porque=pq, aqui=aki, não= naum, de=d. Talvez possa ir mais além. 
     Que tal uma gramática de bolso com a exordial a partir da grafia correta das palavras e de seus significados? Para aqueles que esqueceram que mal e mau têm diferença ou ainda aquelas que parecem mas não são: deferir (aceitar) e diferir (diferenciar); flagrante (evidente,no ato) e fragante (perfumado); infringir (desrespeitar) e inflingir (aplicar) ou ainda um vernáculo para apimentar esse texto: incipiente (iniciante) e insipiente (ignorante). 
     Quantos de nós sabemos isso? Não quero afirmar que a nossa língua culta está ameaçada, longe de mim dizer isso, mas que as pessoas entendem cada vez menos umas às outras parece óbvio. Agora, projetem isso para mais uns dez anos,o que poderemos esperar. 
     Outrossim percebo que as famílias não conversam entre si, os pais não sabem da vida dos filhos... Seus anseios e suas expectativas, ou seja mais e mais pessoas com depressão, estresse e fobias. Os filhos já pensam em como repartir a herança depois que os “velhos” se forem. E eu continuo aqui achando que ainda posso mudar o mundo através da educação. Triste fim de Policarpo Quaresma.
*Articulista
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Como a classe média alta brasileira é escrava do “alto padrão” dos supérfluos
Por Adriana Setti
No ano passado, meus pais (profissionais ultra-bem-sucedidos que decidiram reduzir o ritmo em tempo de aproveitar a vida com alegria e saúde) tomaram uma decisão surpreendente para um casal – muito enxuto, diga-se – de mais de 60 anos: alugaram o apartamento em um bairro nobre de São Paulo a um parente, enfiaram algumas peças de roupa na mala e embarcaram para Barcelona, onde meu irmão e eu moramos, para uma espécie de ano sabático. Aqui na capital catalã, os dois alugaram um apartamento agradabilíssimo no bairro modernista do Eixample (mas com um terço do tamanho e um vigésimo do conforto do de São Paulo), com direito a limpeza de apenas algumas horas, uma vez por semana. Como nunca cozinharam para si mesmos, saíam todos os dias para almoçar e/ou jantar. Com tempo de sobra, devoraram o calendário cultural da cidade: shows, peças de teatro, cinema e ópera quase diariamente. Também viajaram um pouco pela Espanha e a Europa. E tudo isso, muitas vezes, na companhia de filhos, genro, nora e amigos, a quem proporcionaram incontáveis jantares regados a vinhos.
Com o passar de alguns meses, meus pais fizeram uma constatação que beirava o inacreditável: estavam gastando muito menos mensalmente para viver aqui do que gastavam no Brasil. Sendo que em São Paulo saíam para comer fora ou para algum programa cultural só de vez em quando (por causa do trânsito, dos problemas de segurança, etc), moravam em apartamento próprio e quase nunca viajavam.
Milagre? Não. O que acontece é que, ao contrário do que fazem a maioria dos pais, eles resolveram experimentar o modelo de vida dos filhos em benefício próprio. “Quero uma vida mais simples como a sua”, me disse um dia a minha mãe. Isso, nesse caso, significou deixar de lado o altíssimo padrão de vida de classe média alta paulistana para adotar, como “estagiários”, o padrão de vida – mais austero e justo – da classe média europeia, da qual eu e meu irmão fazemos parte hoje em dia (eu há dez anos e ele, quatro). O dinheiro que “sobrou” aplicaram em coisas prazerosas e gratificantes.
Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem diferente. A classe média europeia não está acostumada com a moleza. Toda pessoa normal que se preze esfria a barriga no tanque e a esquenta no fogão, caminha até a padaria para comprar o seu próprio pão e enche o tanque de gasolina com as próprias mãos. É o preço que se paga por conviver com algo totalmente desconhecido no nosso país: a ausência do absurdo abismo social e, portanto, da mão de obra barata e disponível para qualquer necessidade do dia a dia.
Traduzindo essa teoria na experiência vivida por meus pais, eles reaprenderam (uma vez que nenhum deles vem de família rica, muito pelo contrário) a dar uma limpada na casa nos intervalos do dia da faxina, a usar o transporte público e as próprias pernas, a lavar a própria roupa, a não ter carro (e manobrista, e garagem, e seguro), enfim, a levar uma vida mais “sustentável”. Não doeu nada.
Uma vez de volta ao Brasil, eles simplificaram a estrutura que os cercava, cortaram uma lista enorme de itens supérfluos, reduziram assim os custos fixos e, mais leves,  tornaram-se mais portáteis (este ano, por exemplo, passaram mais três meses por aqui, num apê ainda mais simples).
Por que estou contando isso a vocês? Porque o resultado desse experimento quase científico feito pelos pais é a prova concreta de uma teoria que defendo em muitas conversas com amigos brasileiros: o nababesco padrão de vida almejado por parte da classe média alta brasileira (que um europeu relutaria em adotar até por uma questão de princípios) acaba gerando stress, amarras e muita complicação como efeitos colaterais. E isso sem falar na questão moral e social da coisa.
Babás, empregadas, carro extra em São Paulo para o dia do rodízio (essa é de lascar!), casa na praia, móveis caríssimos e roupas de marca podem ser o sonho de qualquer um, claro (não é o meu, mas quem sou eu para discutir?). Só que, mesmo em quem se delicia com essas coisas, a obrigação auto-imposta de manter tudo isso – e administrar essa estrutura que acaba se tornando cada vez maior e complexa – acaba fazendo com que o conforto se transforme em escravidão sem que a “vítima” se dê conta disso. E tem muita gente que aceita qualquer contingência num emprego malfadado, apenas para não perder as mordomias da vida.
Alguns amigos paulistanos não se conformam com a quantidade de viagens que faço por ano (no último ano foram quatro meses – graças também, é claro, à minha vida de freelancer). “Você está milionária?”, me perguntam eles, que têm sofás (em L, óbvio) comprados na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, TV LED último modelo e o carro do ano (enquanto mal têm tempo de usufruir tudo isso, de tanto que ralam para manter o padrão).
É muito mais simples do que parece. Limpo o meu próprio banheiro, não estou nem aí para roupas de marca e tenho algumas manchas no meu sofá baratex. Antes isso do que a escravidão de um padrão de vida que não traz felicidade. Ou, pelo menos, não a minha. Essa foi a maior lição que aprendi com os europeus — que viajam mais do que ninguém, são mestres na arte do savoir vivre e sabem muito bem como pilotar um fogão e uma vassoura.
PS: Não estou pregando a morte das empregadas domésticas – que precisam do emprego no Brasil –, a queima dos sofás em L e nem achando que o “modelo frugal europeu” funciona para todo mundo como receita de felicidade. Antes que alguém me acuse de tomar o comportamento de uma parcela da classe média alta paulistana como uma generalização sobre a sociedade brasileira, digo logo que, sim, esse texto se aplica ao pé da letra para um público bem específico. Também entendo perfeitamente que a vida não é tão “boa” para todos no Brasil, e que o “problema” que levanto aqui pode até soar ridículo para alguns – por ser menor. Minha intenção, com esse texto, é apenas tentar mostrar que a vida sempre pode ser menos complicada e mais racional do que imaginam as elites mal-acostumadas no Brasil


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Por Sebastião Ramos
As religiões de origem africana (Umbanda, Cabinda, Oyó, Candomblé...), desde a chegada dos primeiros escravos brasileiros, foram objeto de perseguição por parte dos colonizadores portugueses e, ainda hoje, por incrível que possa parecer, sofrem discriminações diversas, com conseqüências muitas vezes gravíssimas como, por exemplo, a que resultou na morte da Sacerdotisa Gildásia dos Santos e Santos, na Bahia.
Mas há uma discriminação institucionalizada, praticada abertamente, às escâncaras, movida única e exclusivamente por questões de cunho religioso, e que nem sempre é percebida, ou divulgada, que é aquela praticada pelas Testemunhas de Jeová, em face de ex-membros, isto é, de pessoas que integraram os seus quadros, e dalí saíram, ou foram convidadas a sair, em comportamento que já vem sendo objeto de atenção pelas autoridades públicas brasileiras.
Se você resolver ingressar nos quadros das Testemunhas de Jeová, e por alguma razão dali decidir sair, ou vier a ser expulso, independentemente da razão de sua saída, todos os fiéis com os quais anteriormente convivia, irão ignorá-lo olimpicamente, inclusive seus próprios familiares, sob pena de, em não agindo assim (ignorá-lo totalmente), também serem desligados, no que inegavelmente se constitui numa discriminação.
Talvez alguém pense que o ex-fiel poderá retornar à convivência com os amigos que fizera antes de ingressar nas Testemunhas de Jeová, e então retomar sua vida normalmente, entretanto, as Testemunhas de Jeová, implantam na cabeça de seus membros, que existem as Testemunhas de Jeová, e fora delas as coisas “mundanas”, isto é, tudo que está fora da organização jeovista, faz parte de Satanás.
Estas práticas anticristãs se configuram uma verdadeira desagregação social e familiar. A Sentinela 15 de Julho de 2011. Página 31 relata: “Suponha, por exemplo, que o filho único de um casal cristão exemplar abandona a verdade. Preferindo “usufruto temporário do pecado” a uma relação pessoal com Jeová e com seus pais cristãos, e é desassociado. Os pais ficam arrasados. Quanto à desassociaçao...” Não seria por menos, pois, se o desassociado ou dissociado for membro da família, parente direto, pai, mãe, filho, irmão, e que mora em casa separada, são orientados a banir do convívio social e familiar o seu filho como exemplificou a própria revista. Vê-lo apenas quando for tratar de um assunto extremamente necessário. E quando um membro não acredita mais na proposta da religião?  Ao sair sofre a mesma penalidade. Onde está a liberdade de mudar de crença, e de religião conforme prevê a Constituição Federal e a Declaração Universal dos Direitos Humanos?
Muitos ex-fiéis atravessaram graves crises de depressão, inúmeros lares destruídos, há registros de suicídios, todos em decorrência dessa prática absurda de discriminação de ex-membros, defendida pelas Testemunhas de Jeová, como uma forma de fazer com que o “errante” retorne para os seus quadros e, assim, ter garantida a sua salvação, o que já é objeto de uma Ação Civil Pública intentada pelo Ministério Público Federal do Ceará.
Também no Ceará, houve a formalização de uma Denúncia contra lideranças de tal denominação religiosa, desta feita pela prática de crime de discriminação religiosa, estando os dois casos (Ação Civil Pública e Ação Penal), dependendo de manifestação do Superior Tribunal de Justiça em Brasília/DF, sendo certo que o assunto começa a merecer atenção das pessoas de um modo geral.
Há, também, decisão da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que determinou a submissão de um casal de Testemunhas de Jeová, a julgamento pelo Tribunal de Júri, por homicídio doloso (com intenção de matar) em que figura como vítima a própria filha menor, haja vista não lhe ter sido permitida uma transfusão sanguínea, também por questões de convicção religiosa.
Inegável que a Constituição Brasileira permite e incentiva a liberdade religiosa mas, como todas as liberdades, esta não pode nem deve ser absoluta, estando evidentemente sujeita a parâmetros, sob pena de se materializarem abusos diversos como, por exemplo, a discriminação a que são submetidos ex-fiéis das Testemunhas de Jeová, daí a importância do tema no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
Nesse dia 21 de Janeiro, relembrando a memória daqueles que morreram em função de discriminação religiosa, e daqueles que sofrem os percalços decorrentes de tal discriminação, que unamos as nossas mãos, as nossas forças, e nossos pulmões, brandindo aos quatros cantos do Brasil em alto e bom tom: DISCRIMINAÇÃO RELIGIOSA NO BRASIL É CRIME!. Assim, divulgando e discutindo essa questão, certamente que estaremos construindo um país melhor! 
Sebastião Ramos, Assistente em Administração da UFC, e integrante do movimento contra a discriminação religiosa – sebastianramos7@gmail.com
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Henrique Tibúrcio: O presidente e seu castelo.
A classe dos advogados é, sem sombra de dúvida, a maior usuária dos serviços do Poder Judiciário. E, óbvio, não o faz por ou para si, mas em nome do cidadão que representa. Em razão disso, toda e qualquer mudança no Judiciário afeta sensivelmente a classe, o que recomenda que sejamos ouvidos sempre que alguma alteração relevante esteja para ser implementada.
Infelizmente, o presidente do Tribunal de Justiça não pensa assim. E não o faz somente em relação à OAB-GO ou à advocacia como um todo. Não dialoga com o Ministério Público nem com os próprios servidores, o que precipitou a greve que aflige a Justiça goiana. Igualmente, ignora solenemente a imprensa e até mesmo os seus pares, magistrados que têm tido enormes dificuldades para serem ouvidos.
Já é voz comum nos corredores dos Fóruns espalhados por todo o Estado, a forma absolutista com que tem conduzido o poder Judiciário, tomando decisões inopinadamente e sustentando-as apenas para afirmação de sua autoridade.
Recentemente, implantou a redução do horário, por ato unilateral e discricionário, sem preparação prévia, período de adaptação ou mesmo ouvindo os usuários dos serviços, a advocacia, Ministério Público e a população. Açodadamente interferiu na vida de dezenas de milhares de pessoas que diariamente precisam dos serviços do poder Judiciário ou que dele fazem parte.
Quer fazer com que todos, advogados, promotores, magistrados e servidores dobrem a espinha ao seu jugo, tentando adaptar suas rotinas de vida para desvencilharem-se de situações difíceis, como alterar o horário da escola dos filhos, adaptar o organismo para almoçar às 10 horas da manhã, entre outras tantas e nefastas ocorrências. Isso sem falar nas intermináveis filas que se formam agora no atendimento das escrivanias, na falta de estacionamento que enfrentam todos no período da tarde, único em que o poder Judiciário funciona.
É inconcebível que um dos poderes da República, justamente aquele que mais demanda atendimento pela população, só funcione meio período. O povo não precisa de meia Justiça. Precisa, na verdade, é de Justiça e meia, dado o índice altíssimo de congestionamento de processos atestado recentemente pelo Conselho Nacional de Justiça.
Quando a situação está a exigir solução para desafogar os magistrados que, diga-se, trabalham muito em sua absoluta maioria, o presidente Vítor Lenza desgarra-se do senso comum e, virando a face para trás, segue o caminho inverso, impondo uma sensível redução no período de expediente.
Precisa-se, sim, prover as mais de 80 comarcas que estão sem Juiz, sobrecarregando absurdamente os demais, que têm de se responsabilizar por até 14 mil processos de duas ou três comarcas distintas. Precisa-se, sim, munir o Judiciário de pessoal efetivo e qualificado para dar o necessário suporte ao andamento processual, dando cumprimento célere às decisões judiciais.
Precisa-se, sim, de sensibilidade humana, para não ficar indiferente àquelas pessoas que, vindas dos mais distantes rincões deste grandioso Estado, sentam-se à beira da calçada desde a alvorada, sem ter os necessários recursos para alimentarem-se e esperam o meio-dia para que o Judiciário lhe faça o favor de abrir-lhe as portas. 
O mais grave, porém, é saber que a idéia inicial mostrou-se um erro e, ainda assim, insistir nesse erro para não aparentar pequenez, justamente quando, a vida ensina, a grandeza repousa na humildade.     E o assunto chega ao máximo do surreal quando denota que se trata de patente ilegalidade.
 Inimaginável ter partido do presidente do Tribunal de Justiça goiano o ato de revogar o Código de Organização Judiciária, uma Lei Estadual, por meio de um decreto. Tal fato, porém, já foi objeto de mandado de segurança a ser apreciado pela Corte Especial nas próximas semanas. Temos crença na sensibilidade e senso de Justiça dos demais desembargadores daquele colegiado.
O que o presidente Vítor Lenza precisa se dar conta é de que a advocacia não é um inimigo do Judiciário a ser batido. Não se está disputando nada, não é uma afirmação de força. Ao contrário. Embora com algumas saudáveis e democráticas divergências, sempre postas com respeito de lado a lado, temos um histórico de parceria e apoio mútuo que Sua Excelência devia ao menos preservar.
A OAB-GO tem hoje quase 20 funcionários à disposição do Judiciário, suprindo lacunas que, por um motivo ou outro, o TJ não podia fornecer ao jurisdicionado ou à advocacia. Mantemos, ainda, a expensas da OAB-GO, embora com um orçamento quase cem vezes menor que o do Judiciário, a extensão do protocolo judicial integrando o Fórum central ao do Jardim Goiás, para facilitar o exercício da advocacia.
Temos espalhados por todo o Estado equipamentos de digitalização de documentos adquiridos pela OAB-GO, mesmo quando a lei expressa que essa responsabilidade é do Tribunal de Justiça. Recentemente, nos comprometemos a disponibilizar ao Fórum de Santa Helena de Goiás um microcomputador e uma impressora, atendendo pedido das magistradas locais, para que os advogados possam retirar os extratos de andamento processual, já que, do contrário, o Tribunal levaria alguns meses para atender a solicitação.
Isso é, presidente, parceria, apoio, reconhecimento das dificuldades alheias e respeito por elas. Isso é, presidente Vítor Lenza, entender que estamos todos no mesmo barco, e que desejamos ambos o mesmo ideal, uma Justiça célere, eficiente e justa. Isso é, presidente, disposição real para ouvir e ponderar.
Daí o estranhamente que nos acomete ao ver como Vossa Excelência tratou o ofício remetido pela OAB-GO requerendo a suspensão dos prazos em virtude da greve dos servidores, que tem, sim, impedido em muitos locais o protocolo de petições, fundamentando a sua decisão denegatória no argumento, ressoando a galhofa, de que não tem poderes para suspender prazos. Isso poucos dias após Vossa Excelência ter suspendido todos os prazos em virtude do mau funcionamento do site do Tribunal de Justiça.
Lamentavelmente e desnecessariamente tal decisão ensejará recurso ao Órgão Especial, apenas para que aprecie pedido tão comezinho e de fácil deslinde. O presidente Lenza tem construído em torno de si um castelo cada vez mais impenetrável, mais solitário e mais refratário a qualquer aproximação, ainda que de gente amigável. Espera-se somente que um dia não se veja preso em sua torre.
Henrique Tibúrcio é presidente da OAB-GO.
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O Governo Americano possui 512 bilhões de doláres em ouro, como reservas.
Reservas, pelo menos em administração, são acumuladas para serem usadas em tempos de crise.
Os Estados Unidos estão em crise, momento portanto para usar pelo  menos 50% de suas reservas, que lhes dariam US$ 250 bilhões.
Em vez de se endividar ainda mais com os Chineses, ou imprimir moeda como está fazendo o Bernanke, poderiam simplesmente vender parte do seu ouro.
E salvar o Bank of America com os R$ 5 bilhões que o Warren Buffett teve que arcar para salvar a pele do Bernanke.
Vender parte do ouro, ajudaria inclusive para conter esta nova bolha que está surgindo no mercado, a bolha do ouro, que um dia vai estourar, criando mais um problema no futuro.
Mas aí surgem algumas coisas estranhas.
No Balanço do FED consta somente R$ 11 bilhões em ouro, porque nos Estados Unidos, balanços não refletem seus verdadeiros valores. Porque será ?Segundo, o ouro não está no FED, e eles declaram que não podem usá-la. Há quem agora duvida que este ouro de fato exista.
O Balanço do FED não é auditado. Estranho. Veja o video do Republicado Ron Paul.
Existe até uma teoria conspiratoria de que o Strauss Khan foi preso porque ele descobriu que o ouro americano sumiu há muito tempo, o que poderia causar uma onda ainda maior de desconfiança.
Porque tudo que envolve a Ciência Econômica é confuso, sem transparência, ilógico, com dados falsos, que só traz desconfiança para o mundo inteiro ? Vá entender.

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 Por Atilio Borón
Socialismo para os ricos e mercado para os pobres
O debate sobre o possível calote dos EUA eclipsou por completo um escândalo financeiro de inéditas proporções: em 21 de junho passado, conheceu-se o resultado de uma auditoria integral realizada pelo Escritório Governamental de Prestação de Contas (Government Accountability Office, GAO, na sigla em inglês) no Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, a primeira que se pratica sobre a citada instituição desde que foi criada, em 1913. Os resultados são assustadores: em um prazo de pouco mais de dois anos e meio, entre 1º de dezembro de 2007 e 21 de julho de 2010, o Fed concedeu empréstimos secretos a grandes corporações e empresas do setor financeiro de 16 trilhões de dólares, uma cifra superior ao PIB dos EUA, que em 2010 foi de 14,5 trilhões de dólares, e mais elevada que a soma dos orçamentos do governo federal nos últimos quatro anos.
E não só isso: a auditoria revelou também que 659 bilhões de dólares foram dados a algumas das instituições financeiras beneficiadas arbitrariamente por este programa para que administrassem o multimilionário pacote de salvação dos bancos e corporações, oferecido como mecanismo de ”saída” da nova crise geral do capitalismo. Desse gigantesco total, cerca de 3 trilhões foram destinados a socorrer grandes empresas e entidades financeiras na Europa e na Ásia. O resto foi orientado para o resgate de corporações estadunidenses, encabeçadas pelo Citibank, o Morgan Stanley, Merrill Lynch e o Bank of America, entre as mais importantes.
Tudo isso enquanto a crise aprofundava a níveis desconhecidos a desigualdade econômica dentro da população local, ao passo que afundava crescentes setores sociais na pobreza e vulnerabilidade social. Obviamente, essa informação mereceu apenas um espaço completamente marginal na imprensa financeira, tanto internacional como a norte-americana, ou nos grandes meios de comunicação dos EUA. São notícias que, com lembra Noam Chomsky, não têm por que serem conhecidas pelo grande público.
As assombrosas revelações deste informe deveriam propiciar uma discussão sobre vários temas de grande importância. Primeiro, a extremamente desigual distribuição dos esforços necessários para enfrentar a crise. Até agora, eles foram aportados pelos trabalhadores, enquanto que as grandes fortunas pessoais ou corporativas, assim como os fenomenais rendimentos dos mais ricos, se beneficiaram da redução de impostos e resgates multimilionários dados por George W. Bush e ratificados por Barack Obama no novo acordo.
Em segundo, sobre os inexistentes – ou enormemente débeis e ineficazes – mecanismos de auditoria e controle democrático sobre as políticas e decisões de uma instituição crucial para a economia norte-americana e o bem-estar de sua população como o Fed.
Em terceiro, sobre a duvidosa compatibilidade existente entre uma ordem que se auto-proclama democrática e o estatuto jurídico e institucional do Fed como entidade autônoma que não tem obrigação de prestar contas a nenhuma instância de controle democrático. Em relação a este último ponto, o Fed manifestou sua predisposição de “considerar muito seriamente” as recomendações do GAO, mas, ao não se tratar de uma instituição governamental, não pode ser forçado a aceitá-las. Em que pese seu caráter privado, o presidente do Fed e os sete membros de sua diretoria são designados pelo presidente dos Estados Unidos e sujeitos a posterior confirmação pelo Senado.
Porém, contrariamente ao que pensa a esmagadora maioria da população estadunidense, o Fed não é uma agência federal de governo, mas uma corporação privada. Em termos políticos, é o partido do capital financeiro. Sua autonomia é tão grande que não seria ilegal nem por um milímetro se suas autoridades decidissem desacatar as recomendações do GAO ou rebelar-se abertamente contra elas.
Não existe, para o Fed, a prestação democrática de contas diante da comunidade e, por ser uma entidade de direito privado, não tem de acatar nem sequer o disposto na Lei de Liberdade de Informação, cuja jurisdição se estende tão somente às instituições públicas. Situação aberrante, folga dizer: uma cifra equivalente ao total da dívida pública estadunidense que colocou o país à beira do calote foi desembolsada em resgates fraudulentos, secretos e muito favoráveis aos destinatários e lesivos ao contribuinte, com cujo dinheiro um banco central “independente” como o Fed financiou toda essa operação. Cabe perguntar: independente de quem?
Conspiração de silêncio
O escândalo revelado pela auditoria não teve quase nenhuma repercussão nos Estados Unidos. O presidente do Fed, Ben Bernanke, se fez de desentendido e expressou que em momentos como o que se temia o calote nacional o importante era resguardar a credibilidade do Fed e do sistema monetário estadunidense.
Apesar de o GAO ser um órgão de apoio aos trabalhos do Congresso, as reações de representantes e senadores à divulgação foram do mais absoluto e imoral silêncio. Até onde podemos destacar, uma das únicas vozes dissonantes foi a do senador Bernie Sanders, do estado de Vermont. Sanders é uma rara avis, não só no Congresso, como na política estadunidense: é um político que se declara socialista e que foi eleito como candidato independente em aliança com o Partido Democrata, única maneira de superar o asfixiante bipartidarismo imperante nos Estados Unidos. Eleito senador em 2007 com 65% dos votos, uma brisa eleitoral raríssima neste país, foi apoiado por diversos movimentos sociais e pequenas organizações políticas de Vermont. Sanders reagiu duramente quando tomou conhecimento do informe. Transcrevemos a continuação de alguns dos parágrafos mais destacados da declaração emitida pela sua assessoria de imprensa, que praticamente não foi levantada por nenhuma mídia dos EUA, e que diz o seguinte:
21 de julho, 2011.
“A primeira auditoria integral do Federal Reserve (Fed) descobriu novos e assombrosos detalhes sobre como os EUA disponibilizaram a quantia de 16 trilhões de dólares em empréstimos secretos para resgatar bancos e empresas estadunidenses e estrangeiras durante a pior crise econômica desde a grande depressão. Uma emenda proposta pelo senador Bernie Sanders, a lei de reforma de Wall Street – aprovada há exatamente um ano nesta semana –, havia ordenado ao Escritório Governamental de Prestação de Contas (Government Accountability Office) levar a acabo esse exame. ‘Como resultado de tal auditoria, agora sabemos que o Fed aportou mais de 16 trilhões de dólares em assistência financeira total a algumas das maiores corporações e instituições financeiras dos Estados Unidos e do resto do mundo", disse Sanders. "Isso é um claríssimo caso de socialismo para os ricos e desatado individualismo do tipo salve-se quem puder para os outros”.

Esclarecimento: o GAO é uma agência independente e não partidária que trabalha para o Congresso dos Estados Unidos. Sua missão é pesquisar a forma pela qual o governo federal utiliza os dólares de seus contribuintes. O chefe do GAO é o Procurador Geral dos Estados Unidos e é designado por um período de 15 anos pelo presidente a partir de uma lista de candidatos elaborada pelo Congresso. Seu chefe atual é Gene L. Dodaro, que havia sido nomeado pelo presidente Barack Obama em setembro de 2010 e confirmado no cargo em dezembro do mesmo ano pelo Senado.
Entre outras coisas, a auditoria estabeleceu que o Federal  Reserve “carece de um sistema suficientemente abrangente para tratar de casos de conflitos de interesses, apesar de existirem sérios riscos de abuso nesse sentido. De fato, segundo essa auditoria, o Fed emitiu dispensas de conflito de interesses a favor dos funcionários e contratistas privados a fim de que pudessem manter seus investimentos nas mesmas corporações e instituições financeiras que recebiam empréstimos de emergência”.

“Por exemplo, o CEO do JP Morgan Chase cumpria funções na diretoria do Fed em Nova York, enquanto seu banco recebia mais de 390 bilhões de dólares em ajuda financeira por parte do Federal Reserve. Além do mais, o JP Morgan Chase atuava como um dos bancos de compensação para os programas de empréstimos de emergência do Fed”.

“Outro achado perturbador do GAO é o que refere que no dia 19 de setembro de 2008 o senhor William Dudley, presidente do Fed de Nova York, recebeu uma dispensa para que pudesse conservar seus investimentos na AIG (American International Group, líder mundial no campo dos seguros) e na GE (General Eletric), enquanto essas companhias recebiam fundos de resgate. Uma razão pela qual o Fed não obrigou Dudley a vender suas ações, segundo a auditoria, foi porque tal ação poderia ter criado a aparência de um conflito de interesses”.

“A investigação também revelou que o Fed terceirizava a contratistas privados, como o JP Morgan Chase, Morgan Stanley e Wells Fargo, a maioria de seus programas de empréstimos de emergência. Essas mesmas firmas também recebiam bilhões de dólares do Fed por empréstimos concedidos a taxas de juros próximas de zero”.

Os principais beneficiários desses empréstimos – concedidos entre 1º de dezembro de 2007 e 21 de julho de 2010 – são os seguintes:
Citigroup: $2.5 trilhões 
Morgan Stanley: $2.04 trilhões
Merrill Lynch: $1.949 trilhões
Bank of America: $1.344 trilhões
Barclays PLC (Reino Unido): $868 bilhões
Bear Sterns: $853 bilhões
Goldman Sachs: $814 bilhões
Royal Bank of Scotland (Reino Unido): $541 bilhões
JP Morgan Chase: $391 bilhões
Deutsche Bank (Alemanha): $354 bilhões
UBS (Suíça): $287 bilhões
Credit Suisse (Suíça): $262 bilhões
Lehman Brothers: $183 bilhões
Bank of Scotland (Reino Unido): $181 bilhões
BNP Paribas (França): $175 bilhões
Wells Fargo & Co. $159 bilhões
Dexia SA (Bélgica) $159 bilhões
Wachovia Corporation $142 bilhões
Dresdner Bank AG (Alemanha) $135 bilhões
Societe Generale SA (França) $124 bilhões
Outros: $2,6 bilhões

Total: 16.115 trilhões de dólares.

Atilio Borón é doutor em Ciência Política pela Harvard University, professor titular de Filosofia Política da Universidade de Buenos Aires e ex-secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO).
Tradução: Gabriel Brito, jornalista, Correio da Cidadania.
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Por Stephen Kanitz
Entenda a Proposta de Desoneração da Folha Como nossos empresários são ingênuos. Parece ter sido muito bem recebida a proposta do Ministro Guido Mantega de desonerar a Folha em 20% da contribuição social Patronal para a Previdência Social. Ela tem como objetivo aumentar, segundo os relatos favoráveis da imprensa econômica, a baixa competitividade dos produtos industriais brasileiros, especialmente aqueles intensivos de mão de obra. (Um breve parênteses aqui. Parte do nosso problema de exportações nada tem a ver com o câmbio baixo, mas com o fato de que concorremos com países que possuem regimes de previdência que são muitos mais racionais e baratos. A China, por exemplo, não taxa seus funcionários em 30% para custear a previdência. Cada um poupa para a usa velhice, por isto os chineses possuem elevada taxa de poupança.) O Brasil possui um dos sistemas previdenciários mais caros do mundo, o Sistema de Repartição Social. Caro, porque não aproveita da multiplicação dos juros sobre juros por 30 anos, do Sistema de Acumulação Solidária. O sistema de Acumulação Solidária, criado por administradores socialmente responsáveis para seus funcionários, é conhecido como Fundos de Pensão. Fundos de Pensão custam somente 8% da folha salarial, a diferença necessária advém dos juros sobre juros acumulados por 30 anos, dos investimentos em empresas e geração de emprego. O que não existe no Sistema de Repartição Social, a contribuição não é usada para investimentos a longo prazo, mas para imediatamente pagar os aposentados. Ele fica mais caro a cada ano, com o envelhecimento da população, até se tornar insustentável, o que já ocorreu no Brasil, mas a classe dominante habilmente esconde o fato. Os trabalhadores jovens pagam pelos velhos necessitados, integralmente. E lembre-se, aposentados normalmente estão em fim de carreira, ganham quatro vezes mais em média do que ganha alguém no início de carreira. Por isto, as contribuições dos jovens chega a 30% e vai subir cada vez mais. Com o envelhecimento da população brasileira, o número de aposentados aumenta, o de trabalhadores cai, aumentando o custo do Sistema de Repartição Social progressivamente ao longo dos anos. Que no limite chegará a 100%, quando teremos um aposentado para cada trabalhador em 2040. Portanto, o Sistema Previdenciário é insustentável, é mais do que deficitário do ponto de vista Atuarial e Econômico, mas muitos vêem que tem mais dinheiro entrando que saindo. O que de fato ocorre mas é uma forma equivocada de dizer que não há problema. Ao invés de mudá-lo para o Sistema de Acumulação Solidária, a classe dominante está tentando achar novas formas de arrecadação. A Desoneração da Folha cria uma outra base de recolhimento, que será o Faturamento das Empresas, algo em torno de 2,5% do faturamento. Como o faturamento das empresas aumenta com produtividade e não salário, é uma forma esperta de aumentar ainda mais as contribuições. Mas mais esperto ainda, conseguirá ocultar, do jovem brasileiro, que é ele no fundo que está sendo taxado. Vai parecer que são os gananciosos empresários e seus abomináveis administradores, que estão sendo taxados, merecidamente. Jovens irão aplaudir de pé porque assim reduz-se a taxação de empresas Intensivas de mão de obra, e aumenta-se a taxação das empresas intensivas de Capital, o demônio de sempre. Empresas como siderurgia, petróleo, mineração, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, aluguel de edifícios e galpões, que possuem muito capital e relativamente poucos funcionários, serão taxadas e muito. No limite, com esta medida estaremos estagnando o Brasil para sempre, os investimentos nestas áreas despencarão. Seremos um Sri Lanka. Portanto, a Desoneração da Folha é na realidade a Oneração das Empresas Intensivas de Capital, as de alta tecnologia, as que produzem produtos para as massas, como celulares, tvs, rádios, batedeiras. Curiosamente são os ricos que compram preferencialmente bens intensivos em mão de obra, ternos sob medida e quadros, que ficarão mais baratos. Como disse, esta desoneração ainda por cima isto é temporário. Daqui dez anos, com o progressivo envelhecimento da população, os 20% do emprregador voltarão, por isto tiraram a Contribuição Patronal e não do Trabalhador, que seria politicamente correto. Só que pensaram a longo prazo, reintroduzir a Contribuição Patronal será fácil, até aplaudida, a do Trabalhador geraria greve.
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A INSTÁVEL ESTABILIDADE DE DILMA ROUSSEF Osvaldo coggiola - Professor titular de História - USP As duas crises de gabinete enfrentadas por Dilma Roussef nos seus primeiros seis meses de governo foram, em geral, vistas como acidentes de percurso, ou como o itinerário lógico no caminho de “deslulização” de seu governo. Antonio Palocci, chefe da Casa Civil demitido, já sofrera o mesmo destino quando ministro da Fazenda do governo Lula, então devido a um affaire que misturou, berlusconianamente, propinas, esquemas corruptos, inside job, proxenetismo e putaria (isto é, um retrato fiel da insignificância pessoal do personagem). Reconduzido ao governo Dilma como virtual primeiro ministro, Palocci caiu mais rapidamente do que na ocasião precedente, supostamente por não conseguir explicar o incremento de seu patrimônio pessoal em 20 vezes (2000%) nos últimos quatro anos – uma característica marcante do governo frente populista, ao ponto de uma enquete de Transparência Brasil ter revelado que a bancada parlamentar do PC do B, superando as outras, experimentou um crescimento de seu patrimônio de 1154% em igual período (patrimônio declarado, uma parcela do patrimônio real). Gleise Hoffman, substituta de Palocci, elegeu-se parlamentar com “doações” capitalistas equivalentes ao dobro das recebidas por Lula para ser presidente... Palocci era bem mais do que um ministro polivalente. William Rhodes, chefe da representação do capital financeiro internacional que renegociou a dívida externa brasileira na década de 1990 (renegociação que foi a base do Plano Real) declarou (Valor Econômico, 8/7) que, em 2002, Palocci intermediou a luz verde dada pelo grande capital mundial à eleição de Lula para a presidência, para o qual este teve que garantir a presença do ex-prefeito privatista (e corrupto) de Ribeirão Preto no seu governo. Palocci foi, assim, o elo entre o grande capital financeiro e o PT, função à qual aspirou, com os resultados conhecidos, o demitido e cassado “rei do caixa 2”, José Dirceu. Marta Suplicy, presidente do Senado, encabeçou uma fracassada tentativa “petista” de salvar a cabeça de Palocci, episódio que evidenciou o recuo do PT diante da burocracia sem trajetória política partidária que fala em seu nome no governo federal (Fernando Haddad, acadêmico sem trajetória política nem intelectual, atual ministro de Educação, foi lançado por Lula como candidato à prefeitura de São Paulo, o terceiro orçamento do país, ao arrepio da base histórica do partido na cidade em que o PT nasceu). A demissão de Alfredo Nascimento (6 de julho), ministro de Transportes envolvido em fraudes milionárias, revelou publicamente (graças a vazamentos oriundos do primeiro escalão do governo) que o PR (ex PL, partido do finado vice presidente Alencar) não passa de um empreendimento político de malfeitores, para dizê-lo de modo suave. Ora, o PL foi peça chave da estruturação da Frente Popular em 2002, como alternativa “crível” de governo, angariando o apoio do grande capital industrial e das igrejas evangélicas. O enfraquecimento dos dois núcleos originais da Frente Popular eleitoralmente vitoriosa, o “operário” (PT) e o burguês (PL-PR) transforma o governo “técnico” de Dilma em um aparente vazio político, sendo esse um estado que não é tolerado na natureza nem na política. A oposição “burguesa” só consegue marcar passo (para trás), chegando até contemplar uma fusão PSDB-DEM, que mais parece um ato de desespero [com seu chefe histórico, F.H. Cardoso, promovido a “embaixador de missões estratégicas” do governo Dilma!] diante da perspectiva de um afastamento sine die das tetas federais. No governo, e no Estado, esse vazio tende a ser preenchido pelo PMDB. Quase 200 cargos em órgãos federais tiveram que ser cedidos por Dilma e suas “articuladoras” (Gleise Hoffman e Ideli Salvati) à “base aliada” para manter seu apoio parlamentar (e evitar uma investigação sobre os escândalos de Palocci e Nascimento). Com 79 deputados federais, 19 senadores, cinco governos estaduais e seis ministérios, o PMDB lançou uma ofensiva sobre cargos federais de segundo e terceiro escalão de todo tipo. Como a maioria dos indicados por Lula se mantém (o ex metalúrgico está de olho...) a “base” de Dilma não cresce, ao contrário: o governo petista “deslulizado” é uma miragem. A FIESP e seus porta-vozes reclamam a queda da taxa de juros, a desvalorização monetária, e denunciam a “desindustrialização do país”. Esta tendência não é conjuntural, mas reflete o recuo histórico do Brasil, parcialmente oculto pelas miragens em torno dos programas sociais e da “redistribuição de renda”, assim como de sua condição internacional de “emergente” (“submergente” seria um neologismo mais apropriado). Em informe recente, a Fundação Getúlio Vargas pintou o Brasil como paraíso da mobilidade e da justiça social, com uma maré de bem-estar entre 2003 e 2011 que conduziu para a «classe média» (C) a 39,5 milhões de brasileiros, antes pertencentes às classes “D e E”, com uma renda mensal entre US$s 800 e US$ 3.400. Teria se reduzido em 54,18% a base da pirâmide (classes D e E), com uma queda da pobreza de 15,9%. Os principais fatores teriam sido os programas de “transferência de renda” (Bolsa Família) e a queda da taxa de nascimentos. A renda dos mais pobres cresceu 6,3%, a dos mais ricos só 1,7%: diversamente da China, o “crescimento brasileiro” seria paralelo a uma redistribuição da renda nacional, que caracterizaria um “crescimento com inclusão social”, fazendo do brasileiro “povo mais otimista do planeta”. As cifras que expressam isso são postas em dólares. Ora, pela sua transformação em plataforma de valorização fictícia do capital financeiro, iniciada sob o “neoliberalismo”, acentuada com Lula, a moeda brasileira sofreu uma valorização superior a 147% (no mesmo período, 1994-2011, o dólar desvalorizou-se em quase 35%). Ou seja, houve um “reajuste” em dólar de todas as rendas equivalente a 182% (147+35), em dólar, graças à valorização monetária, que se reflete em toda a estrutura de preços, da gasolina até as passagens de ônibus, que fizeram do Brasil um dos países mais caros do mundo. Com essa manipulação de valores monetários, o percentual de pobres no Brasil passou de 36% em 2003 para 27% em 2007. O reajuste do salário-mínimo foi de 58,4% em oito anos de governo de Lula, bem distante da promessa de dobrar o salário mínimo ainda no seu primeiro governo (a participação dos salários na renda nacional total manteve-se inalterada). As medidas adotadas pelo governo petista para evitar a valorização do real (intervenções sistemáticas no mercado cambial; taxas, primeiro de 2%, agora de 6%, sobre os investimentos externos na Bolsa de Valores e nos títulos públicos, não impediram a chuva de dólares atraídos por taxas de juros sem comparação com o restante do mundo, com uma taxa básica de quase 13%, e taxas bancárias dez vezes superiores. O pagamento dos juros da dívida pública (quase R$ 700 bilhões em 2010) compromete metade do orçamento federal. As remessas de lucros ao exterior, de US$ 99 bilhões nos oitos anos precedentes a FHC, superaram US$ 194 bilhões nos oito anos sob FHC (oito anos), e atingiram US$ 343,5 bilhões no governo Lula (oito anos). O real se valorizou 40% em termos reais desde 2006; no mesmo período as importações brasileiras quase dobraram, enquanto as exportações cresceram apenas 5%: "A única razão pela qual o déficit em conta corrente brasileiro não explodiu são os altos preços das commodities. Mas esse boom pode não durar para sempre", alertou o Financial Times. “A bicicleta econômica se depara com a trincheira da guerra cambial", ou seja, com a realidade da crise mundial. A “bolha”, que é sua manifestação fenomênica, já está presente: “os consumidores brasileiros agora parecem estar sobrecarregados, gastando mais que um quarto de suas rendas para o pagamento de empréstimos - nível superior ao verificado nos Estados Unidos no período anterior à crise de 2008”, advertiu o jornal da “comunidade mundial dos negócios”. O Bolsa Família é bancado com percentuais mínimos das cifras citadas acima. Traduz, também, a incapacidade do Estado brasileiro para combater a pobreza incorporando às massas pobres a um processo de transformação industrial e desenvolvimento econômico. No quadro histórico-mundial, as forças produtivas do país experimentaram um retrocesso histórico: a indústria reduziu em 17% sua participação no PIB, entre 1985 e 2008 (caiu de 33% para 16%). Entre 2004 e 2010, o percentual da indústria na pauta exportadora caiu de 19,4% para 15,8%: a relação manufaturas/exportações totais, que atingiu 60% na década de 1980, hoje se situa em 40% (ver entrevista com Wilson Cano, da Unicamp, Folha de S. Paulo, 12/6). O superávit comercial de US$ 24 bilhões na área de produtos industriais, em 2004 (inicio do governo do PT) se transformou, em 2010, em um déficit de US$ 36 bilhões. Cerca de 60% das empresas brasileiras estão, por outro lado, nas mãos de estrangeiros. O conjunto das exportações ainda correspondeu a apenas 12% do PIB em 2008, enquanto a média internacional é de 30%. O superbadalado PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) consumiu ingentes recursos públicos para incrementar em menos de 0,5% do PIB (de 2,05% para 2,53%) os investimentos em infraestrutura, sem falar nas “renúncias fiscais” para beneficiar os investimentos, equivalentes a R$ 144 bilhões (ou seja, uma transferência do Estado para o capital de valor superior aos gastos conjuntos com saúde e educação). Depois de oito anos, o Bolsa Família deixou ainda 16,2 milhões de pessoas em situação de miséria absoluta (renda mensal inferior a 40 dólares, menos de uma passagem de ônibus por dia), más de 50% no Nordeste, região com 28% da população, mas responsável apenas por 14% do PIB, em que pese ter sido a região que mais “cresceu” nos últimos anos. O governo Dilma viu-se obrigado a lançar um novo programa social (“Brasil sem Miséria”) dirigido especificamente a esse setor. Para Marcial Portela, presidente do Banco Santander no Brasil: “Em poucos anos, o Brasil terá menos pobres que os EUA”, o que é provável, menos pelo “avanço” brasileiro do que pelo retrocesso norte-americano. O “Brasil sem Miséria” está orçado em R$ 1,2 bilhões. A título de comparação, a participação (inicial) do governo no projeto de “trem bala” (privado, e dirigido às classes abastadas, ao ponto de só prever paradas nos quatro aeroportos entre Campinas e Rio de Janeiro) é de R$ 3,9 bilhões, sem falar nos R$ 23 bilhões que seriam emprestados pelo BNDES aos ousados “empreendedores” brasileiros. A comparação com os gastos da rolagem da dívida pública (equivalente a R$ 2,5 trilhões, para um PIB de R$ 3,7 trilhões: em 2011, a dívida externa brasileira atingiu a marca de US$ 357 bilhões, e a dívida interna R$ 2,24 trilhões) seria ridícula: o governo gasta diariamente nessa rolagem dos grandes credores quase o dobro do previsto anualmente para os mais pobres. A “concentração de renda” pouco variou no Brasil, e continua sendo uma das mais retrógradas do planeta. A melhora em alguns índices de pobreza foi um subproduto de um crescimento especulativo, usado para manipular eleitoralmente um vasto setor das massas exploradas, que dificilmente resistiria o impacto da crise mundial sobre a economia semi-colonial do gigante de pés de barro. Nos oito anos de governo encabeçado por Lula, a maioria das direções sindicais e do campesinato foi integrada ao Estado. A desmobilização dos trabalhadores, com escassas exceções (o movimento dos servidores públicos contra a reforma previdenciária em 2003 e algumas mobilizações setoriais campesinas) foi a tônica dominante nesses anos. Desde 2009, frente à crise e as demissões, houve uma recuperação das lutas da classe trabalhadora, inclusive em setores estratégicos, todavia longe de uma ofensiva de classe. Grandes setores de assalariados, como metalúrgicos, bancários, petroleiros (estes, pela primeira vez em greve em 14 anos, em 17 plantas e refinarias, depois da derrota de 1995), operários da construção, Correios, cruzaram os braços e ganharam as ruas em defesa de seus salários e reivindicações. Com o governo Dilma, a crise mundial passou a atingir mais diretamente os trabalhadores: corte de mais de R$ 50 bilhões do orçamento federal, atingindo principalmente as áreas sociais (quase nove bilhões da área de infraestrutura, três bilhões da educação, 1 bilhão da reforma agrária e quase 1 bilhão da saúde); suspensão dos editais de concursos; cancelamento das nomeações; congelamento de salários dos SPFs (PLP 549/09); aplicação da avaliação de desempenho para demitir (PLP 248/98); PL 1992/07 que visa regulamentar a aposentadoria complementar para os servidores públicos. Esse cenário vem contribuindo para o desenvolvimento de importantes lutas e greves salariais em vários setores, em especial nos servidores públicos, em todo o país. Os movimentos de luta tiveram seu ponto alto, nestes seis meses, na greve de 100 mil operários da construção operária e civil das obras do PAC, em especial em Jirau (Rondônia). Mas as greves se desenvolveram isoladamente, sem centralização. Os SPFs, submetidos a violento arrocho salarial (a participação percentual salarial na receita líquida da União diminuiu 23% nos últimos dois anos), em campanha salarial nacional, já realizaram três manifestações nacionais. Os professores da educação básica, com salários baixíssimos e defasados, entraram em greve em 17 estados (com especial massividade e combatividade em Rio de Janeiro e Santa Catarina) – dessas greves, só quatro se mantém em pé. Outra luta nacional é a dos funcionários das universidades públicas federais, que envolveu 47 estabelecimentos em todo o país. Outros movimentos têm ocorrido em diversos estados: paralisações na Refinaria Abreu e Lima, Petroquímica Suape, Estaleiro Atlântico Sul, Hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, atos contra aumentos de tarifa de transporte coletivo, greves em diversos setores. A jornada nacional de luta de 28 de abril, no entanto, teve repercussão escassa nos estados. Já a manifestação nacional em Brasília, a 16 de junho, realizada por iniciativa da CSP-Conlutas, teve milhares de participantes e bastante impacto político. A CUT e outras centrais sindicais (beneficiadas, desde outubro de 2008, por uma receita suplementar de R$ 250 milhões, devida à extensão do importo sindical aos funcionários públicos, decretada pelo governo Lula) boicotaram, desorganizaram ou isolaram as lutas, como a da Volkswagen no Paraná, ou a dos bombeiros de Rio de Janeiro, que teve grande apoio popular, por condições de trabalho e melhores salários – os atuais são miseráveis – e que foram detidos por insubordinação. A repressão à Marcha da Liberdade em São Paulo exprimiu-se por meio de um mandato judicial que proibia a realização do ato. Este ocorreu apesar da proibição, resultando em ferimentos e prisão de manifestantes. Ativistas contra a visita do presidente Obama foram tratados como criminosos. Os assassinatos agrários (Pará!) são o complemento da investida brutal do capitalismo no campo, controlado pelas multinacionais capitalistas – Monsanto, Novartis, Pioneer e Agrevo – tanto na produção, quanto na transformação e distribuição, e que se expressa em crescimento tecnológico, mecanização, concentração de terras e exploração do trabalhador. Hoje, das 500 maiores empresas incluídas no ranking de vendas, 144 tem negócios que dependem da atividade agropecuária. A modificação do Código Florestal, com a anistia aos desmatadores, amparados por um acordo do governo com políticos ruralistas, fortaleceu os interesses do agronegócio. O Código Florestal aprovou a ampliação das áreas passíveis de desmatamento, incluindo margens de rio e topos de morro, representando um grave retrocesso. A sequência de assassinatos de líderes camponeses, incluindo José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, Adelino Ramos e Marcos Gomes da Silva, aponta para o extermínio das lideranças camponesas em razão dos interesses do agronegócio capitalista, sob o manto da impunidade governamental. 35 parlamentares petistas votaram contra o Código. No quadro da emergência e multiplicação das lutas se constituiu o “Espaço de Unidade de Ação”, reunindo os setores que fracassaram na unificação sindical classista tentada no Conclat de Santos (junho de 2010), basicamente a CSP-Conlutas e a Intersindical, assim como diversos sindicatos ou federações nacionais (CNESF, CONDSEF, FENASPS, ANDES-SN, ANEL, SINASEFE) e sindicatos estaduais. Junto com o MST e o MTST, este agrupamento convocou a uma Jornada de Lutas (17 a 26 de agosto) com uma manifestação nacional a 24 de agosto, em Brasília. O programa contempla um conjunto de reivindicações sindicais, nacionais e democráticas, de variado valor mobilizador. Esse “Espaço” poderia ser um passo em direção da independência sindical e política dos trabalhadores, da reconstituição de um movimento operário independente, se não se limitar a acordos de cúpula e a jornadas nacionais de luta, sem continuidade, isto é, se for baseado em plenárias estaduais e regionais de base, para elaborar um programa e um plano de lutas nacional do movimento operário e camponês, da juventude e da população pobre das cidades. O Brasil começa a entrar na onda “indignada”. Osvaldo Coggiola
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Sou do tempo das palmadas em casa e das palmatórias na escola. E também do tempo da vara verde para disciplinar menino levado. Passei por tudo isso e hoje entendo que virei homem que presta, sem magoas da educação rigorosa que tive.
Hoje a coisa mudou. Repreender com severidade uma criança ou adolescente pode dar cadeia. Às vezes até acho que filhos e estudantes têm mais direitos do que nós pais e educadores. Mas tudo bem. Estou com preguiça de escrever longamente a respeito do assunto. E abro aspas para a boa fala, que gostei muito, com o título Nem palmadas pode mais, do Delegado de Polícia, Norton Luiz Ferreira, recentemente publicado na imprensa da Capital e peço espaço no Jataí News para divulgação.

 “Sou do tempo em que os pais se impunham com rigidez na educação familiar da sua prole. A educação ministrada era socialmente correta, mesmo que a surra deixasse marcas pelo corpo, mostrando os sinais do cinto ou da vara verde. Não havia repulsa social e a concepção era a de que o peso das mãos na hora do castigo representava a garantia de uma boa educação.

Os tempos mudaram e os costumes sociais acompanharam o ritmo das mudanças. No quesito educação dos filhos, agora já se discute até o fim das palmadas. A Lei da Palmada, como é chamada, proíbe que os pais corrijam seus filhos, aplicando-lhes palmadas e até umas boas chineladas. O assunto começa a ser discutido nos próximos dias na Câmara Federal, caminhando para virar lei, como as que já existem em 25 países, entre os quais apenas o Uruguai e a Venezuela na América do Sul.
As opiniões são as mais divergentes. Há os que entendem que umas boas palmadas fazem bem, desde que não deixem marcas ou causem traumas, e os que são totalmente contrários a qualquer tipo de correção que não seja a do diálogo. O juiz da Infância e Juventude de Goiânia, Maurício Porfírio, que conhece a fundo a problemática envolvendo menores, vítimas de familiares desajustadas, é contra a lei. Ele defende palmadas, mas que não provoquem traumas nas crianças e adolescentes quando tiverem de ser corrigidos pelos pais. Está certo o magistrado.
A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados já disse sim ao projeto encaminhado àquela Casa pela ministra-chefe da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. Um passo importante para que a proibição do castigo corporal de crianças e adolescentes integre o Estatuto da Criança e do Adolescente. A educação aplicada pelos pais de épocas passadas pode até ter sido revestida de exagero, embora fosse socialmente aceitável para aquele tempo. Essa de proibir umas palmadas nos filhos é tirar dos pais a possibilidade de corrigi-los quando um ato de desobediência exige uma ação paterna imediata, desde que moderada.
Proibição do castigo degradante e cruel, como diz o texto do projeto da Lei da Palmada, dá a ideia de uma conduta extrema contra crianças e adolescentes. Palmada é uma coisa bem diferente, não caracterizando tratamento humilhante, grave ou que exponha quem está sendo educado a ridicularização. Uns tampinhas não doem e podem dizer muito mais do que palavras.”
Norton Luiz Ferreira é delegado de Polícia



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DownloadNunca Trabalhe Num "Centro de Despesas"
Por Stephen Kanitz
Meu pai era engenheiro responsável por uma fábrica de 500 funcionários em Sorocaba.
Só que ele não aguentava mais as pessoas da Administração Geral, de São Paulo, que vinham constantemente exigir redução de custos aqui, redução de custos ali.
"Filho, o segredo é trabalhar no escritório central. É lá que fica o poder, não é mais na fábrica como antigamente."
Mesma lição que todos os gerentes de bancos também perceberam.
Foi por isto que desisti de ser Engenheiro e fui para Harvard Business School aprender Administração Geral e ficar na "Central".
Anos depois fiz uma parceria de pesquisa com a Revista Exame, onde criei centenas de Benchmarks das empresas brasileiras, e eles publicavam em troca as Listas de Melhores e Maiores. Oito meses de intensos trabalhos, e a primeira edição foi um sucesso.
A Edição Melhores e Maiores sustentou por 8 anos o prejuízo inicial da Revista Exame, garantindo os salários dos então jornalistas e a Revista em si.  
A primeira edição foi obviamente comemorada.
Todos foram convidados para a sala do Roberto Civita, onde notei duas caixas de Champagne.
Obviamente seriam dadas para mim e minha equipe, que tivemos a ideia da edição, e camelamos nada menos do que 8 meses a fio.
"Quero agora premiar a equipe, sem a qual, não teríamos este maravilhoso resultado" disse RC.
Eu instintivamente já ia dar um passo a frente, mas sendo novo fiquei quieto.
"Quero premiar Orlando Marques, e a sua fabulosa equipe de vendas, que batalharam por duas semanas ....."
Meu pai pelo jeito só percebeu metade da história.
De fato, nunca trabalhe na fábrica, que hoje se chama "Centro de Custo", que são os departamentos que só geram despesas.
O segredo é trabalhar num Centro de Receitas, que são vistos como os salvadores da pátria em muitas empresas. 
Falarei sobre isto mais tarde.

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Uma semana temerária
Por Pedro Cardoso
Poderia chamar de uma semana à brasileira, daria no mesmo, esta de 5 a 11 de maio de 2011. Na segunda-feira, o procurador-geral da República decidiu que não caberia investigar sobre o enriquecimento inexplicável de Palocci. Na terça-feira, 08, Palocci deixou o Ministério, fechou na quarta-feira, com o Supremo Tribunal Federal – STF manteve o presente, mais um bandido, que Lula deu aos brasileiros no seu último dia de mandato. Isso tudo na esfera pública federal. Na estadual, cabe destaque para a greve dos bombeiros do Rio de Janeiro para melhorar o salário de R$ 900,00.
O procurador-geral foi enfático quanto à lisura do enriquecimento do ministro Palocci. Não restaria nenhum questionamento quanto ao seu parecer, se ele tivesse utilizado o princípio constitucional da publicidade que norteia os atos públicos. Ninguém sabe quais documentos foram apresentados e analisados; ninguém sabe quais foram os clientes e muito menos quanto cada um pagou e por quais serviços. Só com o conhecimento desses elementos caracterizadores de infrações ligadas à função pública se pode saber se o enriquecimento foi legal e legítimo. Se ninguém sabe nada disso, qualquer um tem o direito de pedir vênia e não referendar o parecer do procurador-geral.
Não se pode ter crença cega quando se envolve atos públicos. Para ser claro, um presidente da República já foi colocado para fora do cargo. Com a falta das informações mencionadas, não há como absolver Palocci, isso apenas do ponto de vista jurídico. Como lógica, um enriquecimento nessa proporção só se ganhar mais na loteria do que o ex-anão João Alves. A saída do ministro deve ser vista como positiva pela efetividade da democracia neste país. Mas seu enriquecimento tem que ser comprovado publicamente.
Já a Suprema Corte de Justiça, por maioria, decidiu pela não extradição de um criminoso, condenado em seu país. Esta decisão deu um aval claro aos marginais do mundo que, caso corram risco de serem presos noutras partes, podem se refugiar no Brasil, que, aliás, não consegue punir nem os marginais pátrios. Medida condizente para um país que só é conhecido no mundo pelo futebol, carnaval, bundas expostas, turismo sexual infantil e agora, por ser o refúgio de assassinos.
Ainda quanto ao aspecto da impunidade institucionalizada, recentemente as mortes de seringueiros na região Norte e a porteira escancarada que são as fronteiras brasileiras, demonstrada pelas reportagens da Rede Globo de Televisão, evidenciam quão o Estado brasileiro tem se caracterizado como uma mãezona para a marginalidade, na mesma proporção que se torna um pai carrasco para os cidadãos de bem, como são exemplos Francenildo Costa, o caseiro de Palocci, e a funcionária Danevita Ferreira de Magalhães que foi demitida do Banco do Brasil, por ter se negado a participar do “modus operandi” da turma do mensalão.
Ainda nessa semana temerária, os bombeiros do Rio de Janeiro espernearam para melhorar os seus soldos mensais, que não atingem nem dois salários mínimos. Nesse processo, difícil de controlar o emocional coletivo, os bombeiros invadiram o Quartel do Comando Geral dos bombeiros. Foram legalmente presos, levando em conta a ótica meramente da lei positivada - aliás, esse país vomita leis, mas nenhuma solução plausível foi tomada no sentido de atender suas reivindicações salariais. Antes das manifestações nenhum segmento social manifestou-se de forma veemente sobre o indecente salário que recebem.
Pelo desfecho que se costuma dar a episódios dessa natureza, o assassino Cesare Battisti será naturalizado brasileiro e será agraciado com um cargo comissionado na Administração Pública Federal, outra saúva típica deste país. Palocci já avisou que irá gastar um pouco da grana ganha com sua estupenda capacidade de assessorar; depois voltará à sua genialidade para continuar multiplicando seus bens, sabe Deus por quanto. O governador do Rio de Janeiro, que já chamou os bombeiros de vândalos, deverá aumentar o tom e chamá-los de vagabundos. Aos cidadãos cabe esperar por mais uma semana do Brasil real. O Supremo continuará com suas decisões absurdas; a Procuradoria Geral da República continuará com seus pareceres a inocentar gente de cima sem o conhecimento por parte dos brasileiros sobre quais documentos serviram de embasamento; e os bombeiros, com seus salários de esmola, continuarão sendo xingados pelo governador Sérgio Cabral, que se tornou especialista em xingar pessoas humildes.
Brasil, esta é a sua cara!
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
     Bel. Direito

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Brasil, país do futuro?
O Brasil não está preparado para ser grande. Foi só a economia crescer um pouquinho, que as fissuras de um país não consolidado se abriram aos olhos da nação, com presidenta e ministros torcendo e pedindo por um retroceder da economia, do consumo, da produção; em rede nacional. Isso evidencia o primarismo da conduta de nossos governos, da nossa estrutura de povo e Estado.  Somos um grande país, mas não formamos uma grande nação.
Depois da explosão da aviação nacional, que retirou os passageiros dos balcões das rodoviárias e os levou para os guichês das companhias aéreas, constatamos que nosso sistema aeroviário não suporta um feriado sequer. Isso, em escala nacional, em todos os aeroportos, com todas as empresas. Temos passageiros, muitos, mas não temos aeroportos para comportá-los. Temos demanda, mas a oferta não é capaz de suprir a mais básica necessidade de um mercado novo e promissor.
Por outro lado, mas dentro da mesma realidade, foi só espalhar caixas eletrônicos nos comércios para beneficiar uma população que cada vez gasta e consome mais, que assistimos diariamente as explosões de caixas eletrônicos país afora, por quadrilhas especializadas e cientes da eterna falta de impunidade. Acuados pelo medo, pela falta de segurança, que não acompanha o crescimento da economia, assistimos aos comerciantes pedindo pela retirada dos caixas eletrônicos que beneficiavam todo comércio e toda a população. Na hora de crescer, encolhemos, voltamos ao nosso estado natural, quase que fadado ao degrau de baixo, da submissão.
Quando a presidenta Dilma Rousseff definiu o corte no Orçamento no início de seu governo, alegando que era para barrar a inflação, era notório um certo orgulho nessa decisão. A população recebeu vaidosa a comunicação, com uma justificativa equivocada ‘de que estamos crescendo, é preciso frear o consumo’. Ora, esse era o medo natural de crescer, de expandir, de seguir em frente, de enfrentar as dificuldades com criatividade e competência.
Uma postura dessa seria impensada no governo de Juscelino Kubitscheck, aquele que elevou o país a um novo patamar e nos faz saudosos até hoje. Isso tudo, sabendo da realidade nacional que o Brasil vivia em tempos tão difíceis, sem infraestrutura e tendo uma economia basicamente agrária. Tudo isso, o faz ainda maior, uma referência de como se deve administrar, com uma visão diferenciada em relação a todos os outros.
Governar não é apenas equacionar números. Isso, os gerentes sabem fazer e fazem com desenvoltura, só considerando planilhas, ignorando o povo e o momento que toma as ruas e alimenta os sonhos de uma nação. Nós precisamos de uma administração que veja além, que aponte novos caminhos, que tenha um sentido contínuo de crescimento e progresso, de investimentos e estabilidade, de algo que venha e fique, pavimentando o caminho para novos rumos.
Não podemos pensar em um país avançando apenas em determinadas áreas. Isso é ilusório, momentâneo, sazonal e cíclico. Temos que pensar em um país avançado e evoluindo de forma conjunta, formando um todo, um grande e sólido bloco de crescimento e progresso. Uma área se integrando e completando a outra, dando suporto para a máquina funcionar e o país caminhar a passos sólidos. Se a economia cresce, todas as áreas têm que crescer no mesmo ritmo, ao mesmo compasso, garantindo o atendimento direto à população, corrigindo as falhas e assegurando o estabelecer de uma nova realidade nacional.
Esse é o grande diferencial, pois só poderemos evoluir tendo todos os nossos erros sanados, todas as áreas da base da pirâmide sendo atendidas e contempladas, de forma integradora. Essa é a estrutural natural, de onde poderemos saltar e alçar novos voos, mais altos e duradouros.
  Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor – www.petroniogoncalves.blogspot.com 

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DESEDUCANDO O BRASIL
Por Petrônio Souza
         *Aloísio Teixeira Garcia, secretário geral da Academia Mineira de Letras
O livro Por uma Vida Melhor, distribuído pelo Ministério da Educação a meio milhão de alunos do ensino fundamental, agride o bom senso e vai na contra mão dos objetivos maiores da educação. Estamos diante de um obscurantismo que vê a língua culta – obrigatória nos vestibulares e nos concursos oficiais – como discriminação contra excluídos, cuja inclusão só se dá pela educação com qualidade e começa pela forma adequada em se expressar e comunicar-se.
A apologia do erro; “nós vai” ou “os livro”, não levará o país e sua juventude a ascender socialmente com oportunidades profissionais, introduzindo-os no vasto universo cultural. Não é por acaso que ocupamos a 53ª posição entre os 65 países avaliados pelo Pisa, comparativo internacional  de desempenho escolar  em disciplinas   fundamentais.
Há a linguagem dos torpedos pelos celulares ou as abreviações que dominam os e-mails, mas não há um linguajar popular a se contrapor à língua oficial ou culta, gramaticamente correta, que será obrigatória ao longo da vida, para que se tenha perspectivas reais de ascender socialmente em um mundo altamente competitivo.
O universo que se abre aos que dominam o idioma e as regras gramaticais permite que conheçam e naveguem pelas ciências, pela literatura,  ou pela sociologia, com notável crescimento intelectual  e espiritual,  tornando-os cidadãos  de um mundo globalizado. Ao contrario do caminho equivocado da autora do mencionado livro, encampado pelo MEC e adquirido com recursos públicos, a educação é libertadora, inclusiva e democrática.
Machado de Assis, autodidata, se curvava às letras certas e se impôs ao reconhecimento e admiração de várias gerações. Barack Obama, pelas origens familiares ou a cor da pele, nunca chegaria onde chegou se não cursasse uma das Universidades  mais  conceituadas  dos Estados Unidos. Lá, a exigência existente sobre lideranças políticas exigem uma formação básica de quem disputa cargos públicos.
O Brasil quer filhos vencedores, e o caminho da educação com qualidade não pode ser contaminado por exemplos como estes.

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25-04-2011
Nós fazemos a nossa história
                             Prof Rosildo Barcellos
      O Estatuto da Criança e do Adolescente completará em 2011 os "famosos" 21 anos de existência. Com fulcro no artigo 227 da Carta Magna, ele ressalta o dever da família, do Estado e da sociedade em assegurar à criança e ao adolescente uma série de direitos, entre eles, vida, saúde, alimentação, educação e lazer. Além disso, cabe aos responsáveis preservar os menores de todas as formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. A referida lei é considerada um marco na história dos Direitos Humanos brasileiros. Toda esta questão nos desafia no cenário das políticas públicas, para a sociedade brasileira e, por que não dizer, do mundo na defesa de um novo tempo para nossas crianças e adolescentes o que queremos e esperamos deles.É cediço que além de toda essa preocupação ainda estamos enfrentando alguns desafios. O primeiro trata da exploração sexual,  o segundo, da redução da maioridade penal no país de 18 para 16 anos e o terceiro traz em seu bojo a gravidez não planejada na adolescência, aliado a evasão escolar e a falta de educação na  plenitude da palavra.
      Não obstante o ECA ser fruto de intensa mobilização da sociedade, ele se tornou norte para países e organismos internacionais no que se deve percorrer para o pleno desenvolvimento da infância e adolescência. Os movimentos sociais, a sociedade civil organizada e diversas lideranças e agentes comunitários tiveram, e tem, uma importante parcela de contribuição nesta história de transformação da agenda social para a infância e adolescência.
      Evidentemente que se levarmos em consideração o tempo, em mais duas décadas muito se fez, mas o desafio da mudança de paradigmas continua a ser um óbice na construção da integralidade na proteção dos sistemas de políticas públicas e sistemas operacionais. É mister e concomitantemente imprescindível a prática articulada da prioridade absoluta nos poderes judiciário, legislativo com reflexos na atividade policial, posto que, ainda  existem muitos dilemas a serem enfrentados. Um deles é o cumprimento da legislação em toda sua extensão. Há um distanciamento entre a realidade e o previsto legalmente para gerar cidadania.
      Há necessidade premente de priorizar políticas e estratégicas definindo as linhas de ações: que perpassam por uma mudança no panorama legal, além de uma reordenação das Instituições Executoras das Medidas Protetivas e Socioeducativas em conteúdo, método e gestão o que resultará evidentemente em uma melhoria das formas de atenção direta, preparando os operadores da política de atendimento para compreender, aceitar e praticar o  paradigma que se apresenta pueril.
      Quando por fim  vislumbramos o cenário da dignidade das crianças e adolescentes do Brasil,percebemos que precisamos urgentemente de uma ação co-responsável e a qualificação para atuar na área da infância e adolescência e isso de uma forma irrestrita aonde todos devem participar  envolvendo governo, mundo empresarial e organizações do Terceiro Setor ou seja: o vizinho que informa alguma irregularidade e a ação imediata de alguém para intervir a tempo e o mais rápido possível para que a criança,principalmente seja socorrida em sua plenitude.Como queremos um futuro melhor se não cuidamos de nossas crianças?
      A interconexão das políticas é a necessidade do momento.É imperioso fazermos converter nossas ações em,atuação para a garantia dos direitos da criança e do adolescente e mais do que  o fortalecimento de nossas próprias corporações e entidades precisamos fortalecer a família,dar oportunidade de emprego e apoio aos mais carentes e cada um de nós sermos multidisciplinares, multisetoriais e multiprofissionais na defesa e garantia e promoção dos direitos dessas crianças e adolescentes;para num segundo momento investir e ampliar a participação dos mesmos como elemento transformador e finalmente começar a construir a nossa história !
* Articulista

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21-04-2011
Mil e uma utilidades da Internet
Por Pedro Cardoso
Quando surgem crimes inusitados como o do massacre no Rio de Janeiro, segundo os tais especialistas em violência, uma as primeiras culpadas a ser apresentada é a internet. A responsabilização vem antes mesmo de se saber os verdadeiros autores dos delitos.
Como qualquer outro meio, a internet pode ser utilizada para o bem ou para o mal de forma rápida e precisa.  Mas, como qualquer outra ferramenta, o homem é que faz o mau uso, não que ela seja um mal por si mesma.
A internet precisa ter sua utilização ampliada pelos órgãos públicos. Por exemplo, deveria se criar um programa e uma forma similar de apresentação para constar todas as receitas e despesas de todas as prefeituras e câmaras municipais, de todos os governos estaduais e assembléias legislativas, para todos os tribunais e órgãos públicos em geral. Especialmente para controle de verbas repassadas pelo governo federal às prefeituras, principal fonte de corrupção e de desvio de verbas para os bolsos de prefeitos e de vereadores.
O exemplo de boa utilização da internet vem da Receita Federal, que foi estendendo a entrega da declaração do Imposto de Renda por meio da rede, única forma de entrega a partir deste ano. Ou seja, para a declaração do Imposto de Renda a internet será ferramenta utilizada em cem por cento.
 O exemplo de má utilização vem da Câmara dos Deputados. No saite da Câmara havia um ícone que permitia ao cidadão encaminhar suas sugestões concomitantemente a todos os deputados. Simplesmente foi retirada, sem debate, sem consulta prévia, sem consideração nenhuma ao cidadão. Evidente que o único objetivo foi dificultar a manifestação dos comuns. O mesmo ocorreu com o saite da Presidência da República, que dificultou a comunicação com o órgão máximo do Poder Executivo. Além da dificuldade meramente técnica, essa complicação se contrapõe aos princípios democráticos.
Existe uma cultura generalizada de que tudo no Brasil se resolva com uma canetada para instituição de uma lei. Entretanto, é preciso que os internautas se manifestem pela melhoria das páginas oficiais, bem como do mecanismo de comunicação. Deveria ser padronizada o “fale conosco”, com formulário, e o e-mail ao lado para quem quisesse salvar em suas listas.
Também deveriam ser criados saites exclusivos para exposição de fotos de condenados e procurados pela Justiça, de desaparecidos, de placas de carros roubados, de motos e de outras ocorrências. 
Mas a principal utilização da internet deveria ser a liberação de cursos livres em todas as áreas de ensino, em especial das universidades públicas, com tutoria, com adequação na realização das provas. Ainda que inicialmente não se permitisse a avaliação virtual, que os alunos apenas realizassem pessoalmente as provas nas universidades. A não liberação irrestrito de ensino só se explica pela defesa do interesse dos donos de universidades particulares. Quem precisar que procure ajuda. Mas qualquer pessoa pode aprender apenas tendo acesso livre a bons conteúdos. Muita gente critica a rede em defesa do interesse próprio, embora não diga claramente. No caso dos políticos, para se distanciar da vigilância eficaz dos cidadãos e dos órgãos fiscalizadores. Qualquer que seja a razão de cada um para criticar, o mau uso é que deve ser criticado e evitado. Se bem utilizadas, as mil e umas utilidades da rede só trariam o bem a todos, especialmente ao bolso do cidadão de bem.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
     Bel. Direito

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14-04-2011
O corporativismo do cartão
Era o segundo mandato do governo Lula. Dilma Rousseff, hoje presidenta, era a chefe da Casa Civil, a ante-sala do poder. Dilma, substituindo o todo oneroso José Dirceu, com objetivo claro de atingir o governo anterior de Fernando Henrique Cardoso, resolveu dar mais uma espetadinha e divulgou dados sobre os gastos dos cartões corporativos utilizados pelo governo FHC.
Essa divulgação acertou em cheio a primeira dama, Ruth Cardoso, que foi despida e ridicularizada com seus gastos supérfluos, mais para uma dondoca que uma socióloga engajada em grandes causas nacionais, em todos os jornais do país. Era tudo verdade, mas da forma que foram apresentados os dados, estava clara a intenção de expor a senhora Ruth e colocar em dúvida sua consciência cívica. Pouco tempo depois, por certo ruminando uma mágoa civil, dona Ruth partiu, para espanto de todos. 
Hoje, a situação dos cartões corporativos continua a mesma, ou seja, o mesmo mistério inviolável e insondável quanto ao seu fim e meio junto ao governo federal. A justificativa para o mal praticado: segurança nacional. Ora, a segurança não é em relação ao que se gastou, mas sim ao que se gastará. É a fome da farra anunciada pelo poder vigente com o dinheiro público. Tudo isso, sob os olhos vacilantes da presidenta, que hoje está do outro lado da artilharia.
É claro que esperávamos da presidenta, depois da iniciativa inédita da divulgação dos gastos com o cartão corporativo, uma postura mais austera de seu governo em relação aos cartões, mais próxima do que ela hoje apregoa e cobra de seus ministros, como transparência total de cada ministério e seus gastos com o cartão corporativo. O exercício do poder exige, naturalmente, lisura e transparência, e isso a presidenta Dilma tem a clara visão, falta apenas ter a prática.
O grande problema é que poucos estão à altura de seu cargo em nosso país. Há sempre uma necessidade freudiana de aproveitar, de lesar o erário, de se beneficiar. São ministros com uma consciência cívica bem baratinha, bem sem vergonha, com uma mentalidade tapioca do poder.
Enquanto isso, estamos nós, com nosso salário mínimo, pagando o cartão de crédito com juros máximos, diariamente. A presidenta até hoje não deu uma palavra sequer sobre isso, sobre a farra permanente dos bancos em nosso país na cobrança dos juros, os mais altos do mundo. Para um governo que se diz comprometido com o social, era bom saber que a família brasileira incorporou, há muito, o cheque especial ao orçamento mensal. Ainda assim, estamos condenados a economizar na poupança a juros de 0,6% ao mês, pagando os juros dos cartões de crédito a 160% ao ano. Um verdadeiro disparate. Ou seja, os bancos têm 160 vezes mais influência no governo brasileiro que o povo. Essa é a triste realidade brasileira, a vida de quem vive sem as benesses dos cartões corporativos, a vida de quem vive distante e ignorado pelo poder.
Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor - www.petroniogoncalves.blogspot.com

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Diminuição da criminalidade é fantasiosa
Por Pedro Cardoso
Recentes reportagens trazem informações sobre a diminuição dos crimes nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Trata-se de uma verdade que não deve ser comemorada como grande feito, pois os índices de violência continuam astronômicos. A camuflagem sobre os números é percebida na linguagem utilizada no saite da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, ao informar a diminuição em percentuais, mas não traz os números absolutos da criminalidade.
Informa-se, por exemplo, que em 2010 os roubos de cargas diminuíram em 482 casos, que corresponde a 6,2% com relação a 2009. Os roubos em geral foram reduzidos em 23.591 casos. A informação seria mais condizente com a função pública se trouxesse o número absoluto do total de roubos, correspondente aproximadamente a 8.033 roubos de cargas e a 262.122 os roubos em geral.
Cabe explicar que roubo significa a coisa retirada ou a pessoa é forçada a entregar sob violência ou grave ameaça. Dentre os roubos não estão incluídos os furtos, quando os objetos são retirados sem o uso da força e sem a percepção imediata da pessoa furtada. Além disso, deveria haver pesquisa de quantos roubos não foram notificados, por falta de confiança nas polícias.
Sobre criminalidade no Brasil o que se disser é café requentado, assim como sobre as mortes resultantes das chuvas de verão no Brasil. Porém, cabe destacar que ninguém faz uma pesquisa, um estudo sobre os fatores que permitiram a violência chegasse ao patamar atual, de descontrole generalizado em todo o país, com maior gravidade em alguns estados. Mas as autoridades repetem todo dia que as decantadas medidas cabíveis estão sendo tomadas, cantilena que se ouve até de papagaios, mas sem resultados satisfatórios.
Qualquer um pode atravessar qualquer capital brasileira de ponta a ponta e não verá um policial na rua de um bairro periférico, nem uma viatura num semáforo. O que leva à justificada desconfiança pela população nas polícias e, por isso, nem sequer registra mais os furtos e assaltos. O trato do policial numa abordagem é generalizado como se qualquer cidadão de bem fosse um bandido. Essa abordagem vem sempre cheia de arrogância e de provações, quando não de safanões, dedos no nariz e xingamentos. Por mais que se afirme, parece nunca haver uma orientação séria pelos superiores sobre a conduta decente, apenas com autoridade, sem autoritarismo e sem ameaças gratuitas. Mas não resta dúvida de que as averiguações deveriam ser mais bem conduzidas e mais frequentes.
As cidades pequenas viraram destino seguro de carros e motos roubadas nos grandes centros. Comprar e vender carros e motos sem documento se tornou uma rotina natural. Alguém precisa explicar por que as autoridades não acabam com essa indústria do crime, apenas obrigando as polícias a fazerem blitze para exigirem a documentação desses veículos e apreenderem os que não estivessem em ordem. Este tipo de crime só cresce, se expande por todo o país, e nada é feito de concreto no combate.
A violência tornou-se o principal fator de alteração da geografia brasileira nos últimos anos. Em razão de insegurança, ninguém mora mais isolado na zona rural. Pequenos vilarejos são formados porque as pessoas se sentem mais seguras. Roubo e furto de animais, de galinha a boi, de arame de cerca, são parcos exemplos do descontrole absoluto na zona rural. As pessoas começam a reagir aos ladrões por conta própria, devido à ausência absoluta da polícia.
Como a maioria das delegacias nem funcionam à noite, muito menos atendem ao telefone, quando pessoalmente alguém consegue avisá-la de um crime, virou praxe a polícia não aparecer por falta de gasolina ou álcool nas viaturas. Isso merece uma investigação, já que deve haver uma quota destinada a cada localidade. Se verdadeira essa situação, seria mais coerente retirar as viaturas, pois viatura sem gasolina seria como um hospital com médico, mas sem aparelho e remédio.
Caberia verificar quanto dessa diminuição está relacionada à ausência de registro das ocorrências. Sem dúvida existem mais crimes do que os números oficiais apontam. Mesmo com certa desconfiança com relação à exatidão, os saites das secretarias de Segurança deveriam facilitar o acesso aos números. Na página virtual da Secretaria de Segurança de São Paulo só com muito trabalho se chega a esses números.
Por enquanto, cada governo afirma que ninguém trabalhou tanto quanto o seu no combate à violência; que as medidas estão sendo tomadas e que estão trabalhando. Nada mais óbvio. As medidas nunca são detalhadas e mesmo as mais comezinhas, como blitze permanentes, não são vistas pela população. É preciso descobrir como a sociedade forçará às autoridades encararem a criminalidade com ações firmes, concretas e com a seriedade devida.
Há outros fatores que contribuem para o aumento ou falta de solução da criminalidade que precisariam ser abordados com mais profundidade. Alguns são incentivadores, como a morosidade injustificável da Justiça, as chamadas várias passagens pela Polícia, a corrupção nas corporações policiais, a frouxidão das leis penais, o caos nas prisões, e um viés claro de proteção ou tolerância ao banditismo pelo Estado brasileiro. O presidente Lula referendou essa benevolência, ao presentear a sociedade brasileira com mais um bandido.
Talvez por sermos uma maioria crente em Deus, as polícias militares brasileiras sejam parecidas com Jesus Cristo. Ninguém as vê, mas não se tem dúvida que elas existam. Nada é mais desolador e explicativo, por si, do que a diminuição da criminalidade ficar em trezentos mil roubos somente no estado de São Paulo no período de um ano. Esse número exige calculadora. Ponto para eles.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
          Bel. Direito
ACREDITE: "NÃO HÁ DEMOCRACIA ONDE O VOTO É OBRIGATÓRIO" 

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05-02-2011
Fatos Pouco Revelados Sobre José Sarney
Por Stephen Kanitz
José Sarney foi para Tancredo o que Jose Alencar foi para o Lula.
Um membro da "direita" que apoiou a esquerda, e assim tranquilizou a população de centro e centro direita.
A chapa Tancredo-Sarney obteve 72% e terminou a ditadura militar. 
Jose Sarney era na época muito mais influente do que José Alencar.
Jose Alencar queria assegurar o seu imperio de empresário, e pode-se argumentar que Sarney queria manter a sua influência política. Mesmo assim é uma grande diferença.
Mas num artigo do "Foreign Affairs", o agora Presidente Sarney, escreve.
"Na noite antes da posse de Tancredo, eu estava deitado, meio deprimido, com o fim inglório de minha carreira política.
No Brasil um Vice é esquecido, não faz absolutamente nada.
Nos Estados Unidos pelo menos ele é o Lider do Senado.
"Estava resignado a ser ninguém, mas feliz em poder ter redemocratizado este país. Foi quando a Roseana entrou dizendo. Pai ....."
Seu apoio político em 1985 era inexistente.
odiado pelo PMDB, execrado pelo PFL, era um governo fadado a implodir, para a alegria dos Militares que torciam neste sentido. "Avisamos ...."
Manteve todo o Ministério de Tancredo, e aceitou ser refem do todo poderoso Ulisses Guimarães, do que complicar a já delicada situação.
Ulisses Guimarães indicou pelo menos 50% dos cargos de confiança, e controlou a Nova Constituição, um dos grandes desastres deste país.
Sarney não pode fazer absolutamente nada, só lutou pelos 5 anos porque achou isto um insulto pessoal do Ulisses, que queria ser Presidente um ano mais cedo.
Os 5 anos não eram para o Sarney, eram contra o Ulisses.
Imaginem o que teria feito Jose Alencar, substituindo Lula, e tendo de ser refém do José Dirceu.
Alencar teria rompido em menos de um mês, criando uma crise institucional extremamente grave.
seria demitido Henrique Meirelles porque "ele recusa abaixar os juros para a Coteminas e a FIESP". 
A única chance de mudar o Ministério que Sarney teve, foi quando Dilson Funaro foi demitido pelo fracasso do Plano Cruzado.
Sarney convidou um Administrador formado pela FGV São Paulo, experiente empreendedor e governador Tasso Jeiressatti. 
Encontrei com ele no dia, e pulei de alegria. Finalmente o Brasil teria um Ministro da Fazenda que entenderia do assunto. 
Ulisses Guimarães ficou sabendo, vetou a indicação, e exigiu como Ministro da Fazenda o economista e mais do que confuso, Bresser Pereira, que foi outro desastre.
O Plano Bresser está sendo discutido até hoje na Justiça. Uma questão de vários bilhões. 
Portanto há algo estranho nas afirmações que circulam no Twiiter como "Que país é esse que eterniza um ser abominável como o Sarney"
Sarney não causou nem um centésimo de prejuízo a nação do que Ulisses Guimarães, que foi quem comandou o seu governo.
Não há aqui mais um caso de prepotência Paulista e preconceito nordestino ?
Sarney pode representar o atraso, mas Ulisses Guimarães e seus meninos implantaram o atraso que foi esta Constituição.
Trabalhei no Governo Sarney, fui assessor do Ministro do Planejamento, e vou contar um fato pouco revelado sobre a sua participação no Plano Cruzado.
Dia 15 de Janeiro, os maiores expoentes da época, aqueles que Maria Conceição chorou, "meus meninos do Cruzado", se reuniram para tomar a decisão final quanto implantar ou não o Plano.
Algo que nunca é revelado, 8 votaram contra, os mesmos que depois se deixaram fotografar como herois.
Os únicos que votaram a favor, e foram vencidos, foram João Sayad, Percio Arida, Andre Lara Resende, e Jorge Murad, o genro de Sarney e chefe da Casa Civil.
Diante desta decisão, João Sayad ameaçou pedir demissão como Ministro, num belo discurso sobre a necessidade de coragem, o que o grupo não teve.
Então como o Plano Cruzado foi efetivamente implantado ?
Quem teve a coragem politica de seguir em frente, obrigando o Ministro da Fazenda a mudar de voto?
Para quem não sabe, parte do Plano exigia REDUZIR os salários de 50% dos trabalhadores brasileiros, para a média de salários do mes, e aumentar 50% dos salários para a mesma média, em dólares por assim dizer. Imaginem a reação da CUT. Impeachment na certa.
Jorge Murad, comunicou ao Sogro o desastre da reunião, mas reiterou o seu voto a favor. Tinha chance de dar certo, mas tinha chance de terminar em impeachment, ou nova encrenca militar. 
Dois dias depois Sarney estudou e gostou do Plano, e foi em frente: Tomou a decisão que os 8 meninos não tomaram, e que por isto mesmo falam mal dele a torto e direito
Assumiu um risco político que FHC jamais assumiu com o Plano Real. Foi o Itamar e tinha muito menos risco.  
"Só tem uma única condição", disse Sarney. "Tirem aquele francês que está preso em Fernando de Noronha. Não quero ficar dividindo cela com um bandido para o resto da minha vida".
O fracasso do Plano Cruzado foi porque os meninos do Cruzado esqueceram de trazer a valor presente os preços a prazo. 
No Brasil 80% dos preços são a prazo, 50% de 30 dias, 30% de 60 dias. A vista R$100, 30 dias R$117 e 60 dia R$134, porque a inflação era 17%. Os 3 preços são rigorosamente iguais, em termos reais.
Mas esqueceram deste detalhe. Ao congelerarem os preços, aumentaram os preços em 17% para alguns,  34% para outros, num plano que deveria "acabar" com a inflação.
Alem de aumentarem os preços, mudaram os preços relativos, causando caos, e o fim do plano, já no dia 1. 
Este erro é que deu origem a minha frase "Não São Os Grandes Planos Que Dão Certo Na Vida, São Os Pequenos Detalhes".
Detalhe esse que era obrigação dos meninos detectarem e não o Presidente Sarney.
se Sarney tivesse colocado Tasso Gereissatti como ministro, estaríamos hoje na Frente da China.
Sei que vou receber centenas de Unfollows por parecer apoiar Sarney, mas não estou dando apoio incondicional, simplesmente afirmando que naquilo que eu pessoalmente pude observar de perto, a historia é outra.
Os dados sobre o Senador Sarney, eu tiro da imprensa, aliás nunca me encontrei com ele.
Também estou impregnado com o mesmo meme negativo que voces estão, e não gosto do que leio. Mas talvez existam fatos pouco revelados pela imprensa como estes que não sabemos.
Tenho certeza que a Fundação Sarney é um monumento de fato patológico, mas talvez de um homem amargurado por não ser reconhecido, pelo pouco que ele pode fazer no seu governo, mas fez.
Tenho certeza que é isto que está por traz do desejo de Sarney ser Presidente do Senado.
Ânsia patológica para ser reconhecido, o que lhe foi negado pelos historiadores e todos os políticos da Arena que ele traiu, e do PMDB que nunca o aceitaram.
Para quem estava ciente que sua carreira terminara em 1985, não faz sentido ele ainda querer ser reconhecido.
Sarney, volte para casa, você merece.
Vá cuidar dos seus netos, eu pelo menos sei que você fez muito mais pelo Brasil do que os intelectuais bobos que temos. 
Este blog tem muito mais credibilidade do que a Fundação Sarney, e aqui está finalmente registrado o que você fez e foi muito. Obrigado.

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31-01-2011
Tragédia recorde
Por Pedros Cardoso
Como se repete todo ano a qualquer chuva mais intensa, essas tragédias só trazem comoção quando a quantidade de mortos assusta inicialmente. Morrendo aos poucos, podem morrer mais do que duas tragédias dessas e não comove a mais ninguém. A falta de algo novo a dizer é o primeiro problema inicial a calar todos com essa repetição ano após ano.
Que as pessoas constroem em área de risco todos já disseram e se sabe disso há décadas. Condenam quem se arrisca, mas pouco se fala sobre quem deveria evitar e permite as construções irregulares em área de risco. O argumento batido de que ninguém mora em lugar de risco por opção é simplório por não dizer que as pessoas precisam criar condições de possuírem moradias seguras. A maioria que mora em barracos tem filhos em abundância, condição que poderia ser evitada com a conscientização de que família ou filho precisa ter moradia segura.
A tragédia da região Serrana do Rio de Janeiro foi inovadora pela dimensão. Por destruir cidades inteiras, não se pode dizer que essas cidades também fossem irregulares por inteiro.
Os famosos aparelhos de alerta sobre as chuvas são necessários para evitar catástrofes, mas não como solução. Ora, o poder constituído tem de fazer o que, e como, se deve ser feito. O ideal é que não se permita as construções, irregulares ou legais, em área de risco.
Que as verbas liberadas como auxílio funeral muito já se falou, mas se repete do mesmo modo. Elas não aplicadas em prevenção para serem liberadas como benevolência dos governos após as tragédias.
Todos já sabem de cor de que não há responsáveis por essas tragédias e eis o motivo principal pela falta de solução. Os atuais governos colocam a culpa nos anteriores, mas ninguém investiga quantas obras engolidas foram construídas já nas gestões atuais.
Então, sobre qualquer coisa que se disser, já fora dito antes. Já escrevi alguns textos sobre o mesmo assunto, como Tragédias anunciadas, quando Santa Catarina imergia na água; Rio de Tragédias, quando se imaginava que o Morro do Bumba teria sido o limite da irresponsabilidade dos governos; e mais recentemente o Novela de todo Verão, quando as águas levaram duas crianças em São Paulo, dando início ao show de horrores.
Apenas cabe reafirmar a antiguidade do problema. O jornal Folha de São Paulo, de 26 de dezembro passado, trouxe a manchete de 50 anos atrás. O título desse quadro é “Há 50 anos”. Dizia a manchete de 26 de dezembro de 1960: “governador sobrevoa região atingida por enchente em SP”. Na matéria, havia citação de que o governador ficara impressionado com a extensão e gravidade das inundações...que recomendara urgência na adoção de todas (repita-se: todas!) as medidas que se fizerem necessárias... Parece que as palavras saíam da boca de Sérgio Cabral, de Gilberto Kassab ou de Geraldo Alckmin agora, somente 50 anos depois. Porém no mesmo caderno Cotidiano a manchete destacava 130 invasões irregulares de abril a setembro de 2010 apenas na cidade de São Sebastião. Está a explicação pela falta de solução. Mas se há órgão que possa cobrar das autoridades ninguém diz qual.
Mas a cobertura da imprensa brasileira poderia ajudar se fosse além do melodrama de apontar a solidariedade do povo brasileiro ao repassar roupas usadas e mantimentos. Ao invés de somente pão e água para os desalojados e desabrigados, que fosse solidário para pressionar as autoridades a solucionarem o problema.
Além de buscar de forma incisiva a manifestação das autoridades atuais, que nunca são responsáveis por nada, para dizerem o quê estaria sendo feito agora para evitar tragédias, e quando essas medidas, no ritmo do andamento atual, chegariam à solução. Por mais que as autoridades gaguejassem, a resposta seria nunca, porque nada está sendo feito. De concreto, só muito blablablá das autoridades e excesso de conivência de quem pode espernear-se.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
     Bel. Direito

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24-01-2011
Por Stephan Kanitz
Homens Casados Dormem Muito Melhor Que os Separados e Solteiros
Artigo impróprio para menores do que 40. Favor, não insistam.
Não aguento ouvir de amigos recém separados como eles estão se divertindo, dormindo com uma mulher após a outra.
"Agora temos o que não tínhamos quando jovens, dinheiro".
"Não entendo vocês casados, vocês não se enjoam sempre com a mesma mulher? "
Tenho a certeza que a maioria dos casados ficam deprimidos ao ouvir estas conversas. Deixam-nos sentindo uns perfeitos idiotas. 
Só que descobri que os recém separados omitem boa parte da verdade.  
Primeiro eles perdem metade do patrimônio e 30% do salário.
Ficam pobres do dia para a noite e por isto trabalham até as 10h da noite para compensar.
Aí as 10h05 voltam para casa para tomar um banho e comem mal, porque agora a geladeira normalmente está vazia ou com a comida errada. 
Às 11h00 eles se vestem, se perfumam e vão atrás deste sexo tão fantástico que dizem.
Como de domingo a quinta os amigos não dão festas, eles pegam o carro, e saem procurando Botecos, Baladas, Gafieiras e Singles Bar para caçar. 
Chegando lá, e ao contrário do que dizem, as mulheres não são tudo aquilo, as mais lindas já estão casadas com o Chico Buarque de Holanda.
Por isto, a primeira coisa que fazem é beber duas cervejas para poder encarar.
À 1h hora da manhã, percebem que o única que está olhando é um velho, provavelmente outro separado perdido como você.
Às 2h finalmente criam coragem, e convidam uma para ir para o motel.
O resto é um desastre. Ela não tem a menor ideia como agradar e vice versa.
Em vez de agradar, cada um está usando o outro, e ninguém sai satisfeito. 
Às 3h30 seu amigo se veste de novo, pega o carro.
Às 3h35 a desconhecida começa a chorar e contar a vida de separada e do ex que não paga a pensão.
Enquanto Tudo Isto Está Ocorrendo:
Homens casados estão na cama às 11h em ponto, banho tomado e bem alimentados.
E à meia noite, mais ou menos, estão dormindo abraçados com uma linda mulher, e o que muito os envaidece, com um belo sorriso nos lábios.

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29-12-2010
Cadê o bom senso ?
Prof Rosildo Barcellos
     Particularmente não aprecio dispor os assuntos apenas em dados estatísticos,mas neste caso,por parecer que as pessoas,os condutores e os pais em geral não acreditam que o acidente possa acontecer com ele,acha que pode acontecer sempre com outra pessoa e não toma as devidas precauções,questiona regularidade das multas e das abordagens em vez de por a mão na consciência e aceitar o erro antes da culpa.E por que digo isso: é simples,enquanto o policial está fazendo seu papel de explicar o porque da autuação e num momento posterior da conferência de documentos lavrar  realmente  o auto de infração é apenas a aceitação do erro,ou seja pode ser corrigido.Mas depois que o acidente acontece e a lá mesmo no local do acidente você vê seu filho machucado,debilitado ou mesmo fenecido é que vem a pior parte ..a culpa. E um dos pontos que uma pequena mas resistente parcela de condutores bate o pé e esquece de utilizar e de cobrar a utilização do cinto traseiro e a utilização do bebê-conforto,dos assentos de elevação e das efetivas “cadeirinhas”.
     Por isso digo que hoje venho com fulcro na matemática e  estimativas apontam que mais de 2,7 mil crianças morrem por ano no trânsito brasileiro, sendo que, desse número, 71% poderiam ser salvas com a utilização correta de um equipamento de segurança. Neste  feriado de Natal, que inclusive, estive auxiliando os colegas na orientação e na repressão destes atos; pelo menos 91 pessoas morreram nas estradas federais do país.  Acredito que infelizmente, a sociedade ainda considera o acidente de trânsito uma fatalidade, e não algo provocado ou que pode ser evitado;e eu digo PODE!. Ainda é admitido que as pessoas bebam ou dirijam com pressa, por mais que eu repita que a velocidade máxima na via é de 80km/h. Creio que esses números só vão chegar a um patamar aceitável quando a sociedade se comprometer com atitudes seguras e entender a real função do policial resgatista que atua nas vias e rodovias desse Brasil.
     Causa uma tristeza pessoal eu ver recursos de infração,com alegações desprovidas de supedâneo,tentando o impossível, porque foi autuado. Mesmo o policial mostrando que a criança está no banco de trás,dormindo,sem proteção,sem cinto,sem a cadeirinha a resposta é sempre a mesma: ele é criança está só dormindo, porque a multa? Cadê o bom senso ? Bom senso é fazer o que é correto! Mas mesmo em meio a essa tristeza o que nos faz continuar esse trabalho árduo de orientação é quando recebemos a informação de que mesmo acidentado,todos saíram lesos,como foi o caso de um acidente que ocorreu nesse período de natal, envolvendo um veículo Corsa, placas DXZ 5640, de Campinas, que infelizmente se projetou em um sinistro. O motorista Amaury Nascimento, 41 anos, contou que um canino estava no meio da pista e, ao fazer a manobra para tentar desviar do animal, perdeu o controle do veículo. O carro bateu na guia da rodovia e acabou capotando, sendo jogado metros adentro do canteiro lateral.Além do motorista, haviam outras quatro pessoas com ele. Sua esposa, Mirian Cilene Freitas, 40; o cunhado, Walter Silva, 59; um sobrinho de 15 anos e a filha do casal, uma garota de 3 anos e três meses.Desses, somente Walter Silva bateu a cabeça, entretanto, não corre qualquer risco de morte. Já a garota saiu sem qualquer ferimento pois, ela estava ajustada à cadeirinha.
     Ressalto que em relação a autuação,os motoristas que descumprirem a lei estarão sujeitos a penalidade prevista no artigo 168 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que considera a infração gravíssima e determina multa de R$ 191,54, além de acréscimo de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a retenção do veículo até que a situação seja resolvida.Não entendo o porque o único acessório de um veículo capaz de diminuir em 50% o risco de morte em um acidente... o cinto de segurança; é desprezado por motoristas e passageiros, principalmente os que sentam-se no banco traseiro do veículo        
     Esquecem-se porém,que caso ocorresse algum acidente, os  passageiros dos bancos de trás seriam lançados simultaneamente para cima e para frente, e, após baterem a cabeça no teto do carro, cairiam sobre quem estivesse nos bancos da frente . Inclusive cerca de 80% das mortes de pessoas que estavam no banco da frente com cinto foram causadas por quem vem do banco de trás.Por isso reitero que para o ano novo há de se ter um cuidado redobrado com a colocação correta do cinto de segurança pois o principal obstáculo a ser enfrentado é a falta de conscientização da importância de utilizar o dispositivo no banco traseiro. Em uma colisão frontal até 80 km/h, o cinto de segurança é bastante efetivo.Inclusive para ilustrar meu comentário, já existem programas de educação de equipes de dentro dos hospitais preocupada com a quantidade de pacientes que dão entrada  por causa de lesões na coluna ou cerebrais decorrentes de acidentes, a Rede Sarah por exemplo tem relatórios informando que 54% dos pacientes internados em um dos hospitais da rede sofreram acidentes no trânsito. E estes são, em maioria, jovens entre 10 e 29 anos, que provavelmente terão dificuldades de desenvolver a sua fase de investir em desenvolvimento intelectual ou participação no mercado de trabalho.
     Outro comentário que desejo fazer reside no fato de que  a infração por não uso do cinto de segurança fica atrás apenas das infrações de excesso de velocidade (9.834.097) e ultrapassagem pela contramão (1.168.189). De janeiro de 2004 até julho de 2010 foram 978.870 infrações pela falta do cinto em todo o país. Em relação ao transporte de crianças sem a observância das normas, utilizamos os dados do Renainf que registrou 24.618. O Renainf é um sistema que permite aos órgãos integrados aplicar multas a partir de placas de veículos cadastradas em qualquer uma das 27 unidades da Federação e também enviar para o prontuário do condutor responsável pela infração a pontuação de penalidade equivalente à multa aplicada. Não acredito ser difícil mudar esse quadro. Aliás para mim é muito fácil,basta um pouco mais de atenção e cuidado com seu filho.Fazer a revisão do veículo antes de “pegar” a estrada, conferir os documentos pessoais,tanto dos adultos como das crianças, as carteirinhas do plano de saúde, acondicionamento correto dos animais, não deixando soltos pelo carro. Se deu cansaço,parar num hotel,entrar na cidade,fazer refeições leves enquanto não acaba a viagem. Parar de duas em duas horas,esticar as pernas, ir ao banheiro, conferir o cinto das crianças, aproveitar a paisagem,seguir a sinalização  e enfim chegar ao destino em paz e segurança. Experimente, depois me conta se a viagem não foi diferente! A utilização do cinto de segurança traseiro,a “cadeirinha” fez,faz e fará uma diferença primordial na sua viagem. Isso é bom senso.E isso fará a diferença no ano novo para muitas famílias!
*Articulista

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23-12-2010
Reflexão de Natal
Por Rosildo Barcellos
Quando vejo as luzes das árvores de natal espalhadas pelos lares de
toda a cidade, e recordo-me das crianças à espera do presente que o
bom velhinho poderá trazer .Quando ouço as canções de natal levadas ao
ar pelas emissoras de rádio da cidade, nos auto-falantes das lojas e
das praças; quando vejo as pessoas alegres e apressadas a carregarem
presentes para seus entes queridos e amigos; quando vejo as mesas
repletas de variados tipos de refeições, sobremesas, bebidas e
guloseimas sem fim, sinto um alívio em meu coração.
Entretanto logo paro a tão maravilhosa reflexão em que me comprazia
absorto já por um bom tempo, e fico a reviver as lembranças do Natal
dos anos anteriores onde tudo aconteceu dessa mesma forma, mas, logo
após o início das comemorações e festejos natalinos, alguns antigos
hábitos retornavam, a rotina tomava conta dos dias e o excesso de
bebidas, de orgulho, de egoísmo, faziam propugnar seus resultados
funestos, as brigas, as discussões o desrespeito, a inversão de
valores, a falta de caridade e fraternidade, nos lares e nas ruas são
retomadas.
E é nessa hora que pensamos em desistir, deixar de lado, o ideal e os
sonhos; e até pensei em não continuar esse artigo parando por aqui e
por fim bater em retirada, com o coração amargurado pelas injustiças
que foram feitas contra nós durante o ano. Sim, quantas vezes sentimos
o peso da responsabilidade, sem ter com quem dividir; a incompreensão,
as calúnias, as injúrias, o desconforto, as ausências.
Mas então eu lembro. Não, não posso parar. Não posso deixar minha voz
se calar depois de tantos anos de luta. Se eu esmorecer, quantos mais
ficarão? E então continuo a escrever e indago: O quanto temos ajudado
nossos filhos, maridos, pais, irmãos, amigos, namorados a serem menos
ambiciosos e mais amorosos? O quanto temos incentivado o diálogo ao
invés da violência, do destempero...do ciúme?
O quanto temos desejado a paz e lutado por ela, ou temos competido sem
limites para que termos novos carros, novas casas? Não se preocupe...
eu já sei a resposta. Mas não posso deixar de alertar: cuidado para
não se machucar na cerca do individualismo que os separou até agora de
seu vizinho; tampouco correr o risco de se atropelar nos espinhos do
egoísmo. A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que
fazemos do que temos. Insista... em progredir, em dividir, em
acreditar, em ser.
Posto isso, vamos pensar em um 2011 diferente. Vamos fazer deste Natal
algo novo. Vamos transformá-lo em um ciclo de amor, de fraternidade;
menos egoísmo, violência, exploração e escravização do homem pelo
homem. Que os nossos governantes e representantes estejam imbuídos de
seus deveres e obrigações, exercendo os poderes que lhes foram
conferidos, à felicidade de seus outorgantes, o Povo.
E que ali mesmo na sua simplicidade você possa fazer mais, alcançar
mais, entretanto, sem a necessidade de pisar em ninguém ou de
prejudicar alguém para ter seu espaço. Vamos transformar a lógica
competitiva e excludente do sistema em práticas de solidariedade e
inclusão e que por fim desejo que no meu artigo de natal de 2011 eu
esteja escrevendo sobre a sua alegria, sobre as suas realizações, pois
se seus objetivos são atingidos e se seu objetivo é a amizade... um
dia você me atinge de uma forma ou de outra, como estou lhe atingindo
agora. Feliz Natal.
*Articulista

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21-12-2010
Deputados mais caros do mundo
Por Pedro Cardoso
Tai um assunto que poderia ser classificado como mais novela brasileira, de final feliz apenas para os atores e de uma tristeza profunda para seus telespectadores. Os congressistas brasileiros são os mais caros do mundo. Muitos, de graça, já seriam muito caros.
Na iniciativa privada, qualquer remuneração salarial tem contraponto no resultado trazido pelos assalariados. Do trabalho do Congresso Nacional, a qualidade da educação, do atendimento na saúde e na área de segurança, principais atribuições ou serviços da Administração Pública, trazem sofrimento e geram angústia em todos.
Só para relembrar, num recente índice do Programa Internacional de Avaliação de Alunos- PISA o Brasil obteve a 54ª posição dentre 63 países pesquisados. Só 9 países apresentaram índice de aprendizado inferior. Na saúde, a jovem Stephanie Teixeira tomou vaselina em lugar de soro no hospital particular São Luiz Gonzaga, localizado na Zona Norte da mais desenvolvida cidade do país. Na Zona Sul da mesma cidade, o garoto Luiz Otávio foi internado no hospital público municipal M’boi Mirin para operar de fimose e saiu com três diferentes cirurgias, menos a de fimose. Retiraram até as amígdalas. E sobre a segurança pública, os assaltos a joalherias, a bancos e a carros-fortes dispensam comentários sobre violência em setores menos protegidos.
Esses são parcos exemplos de acontecimentos extremos de uma vastidão e até rotina de outros tão graves, mas que não chegam ao conhecimento público. Essas funções essenciais parecem nem ser de responsabilidade dos congressistas.  Pudera; seus filhos e familiares passam ao largo das escolas públicas, onde deveriam ser obrigados a estudar, mesmo como simbologia; não conhecem hospitais públicos, a não ser os de referência, e andam em carros blindados e cercados por seguranças.
Com serviços dessa magnitude, esse Estado é o mesmo que paga mais aos seus representantes do que Estados Unidos, Japão, Inglaterra e todos os demais. Por cima, com seus gracejos habituais, o presidente Lula, ao invés de condenar, enaltece. Ninguém incorpora tão bem a fase de Joãozinho Trinta mais do que Lula, de que pobre gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual.
Especificamente nas Casas, episódios graves foram constantes. Venda irregular da quota de passagens aéreas, fraudes na verba indenizatória, atos secretos para nomear parentes e afilhados políticos, além das recentes emendas para entidades-fantasma.
Quanto à cobertura da imprensa, tem-se que aguardar o programa humorístico CQC, Custe o Que Custar, da TV Bandeirantes, botar os parlamentares para correr. Poucos veículos de mídia ou de comunicação buscou resposta deles para esse auto-presente de fim de ano, que beira o escárnio junto à opinião pública. 
Nem se fale da passividade de todos nós. Também não se tem uma noção exata do que fazer, embora seja relevante repudiar de alguma forma. Passar e-mail e telegramas, encaminhar cartas e efetuar telefonemas, mesmo que não passem dos auxiliares de limpeza dos gabinetes. E os famosos órgãos representantes do povo parecem não existir nessa hora. Ninguém conhece a posição da Ordem dos Advogados do Brasil-OAB, da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, da União Nacional dos Estudantes-UNE, das federações da indústria e de comércio, e de tantas outras. 
Precisa-se dar um basta nessa inversa correlação de quanto mais pobre o país mais regalias e mordomias têm seus políticos. A qualquer custo, diga-se. Um dia nós acordaremos e colocaremos rédea nesses congressistas a fim de convencê-los a atuarem como representantes do povo. Bastante desqualificados, mas somente empregados. Enquanto a sociedade brasileira continua inerte, o Brasil continuará campeão do mundo apenas naquilo que vai para o ralo. E com os congressistas mais caros do mundo.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
     Bel. Direito

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Dilma Rousseff começa mal
Por Pedro Cardoso
Mas ainda está zunindo nos ouvidos de todos os brasileiros e as brasileiras as promessas de investimentos de dois milhões de moradias e seis mil creches feitas repetidas vezes pela candidata, com ênfase avermelhada num misto de ódio de quem duvidasse e de certeza aos que nela confiassem.
Nem tomou posse e já está falando em cortes de todo lado. Seus auxiliares não citam se a construção dos dois milhões de casas e as seis mil creches será afetada e se, em caso afirmativo, quando começarem haverá aceleração de fato para  compensar o tempo perdido. Definitivamente, promessa de candidato é a segunda maior mentira do mundo, depois das juras de amor eterno nos casamentos religiosos. Mas não são as mentiras de candidatura de Dilma Rousseff que são os motivos principais de seu mau começo.
A escolha de Antonio Palocci como ministro da Casa Civil trará à memória do brasileiro a imagem do humilde caseiro Francenildo Costa sendo exortado e humilhado porque vira o ilustre futuro presidente da República em reuniões importantíssimas e secretas com suas auxiliares numa mansão de Brasília.  Dessa manifestação surgiu a violação do seu sigilo bancário e aí está o xis da questão. Pode ser que ele se desagrade com toda sociedade ou com determinados segmentos, como no exercício de função pública, e todos os sigilos bancários e fiscais vão parar no Wikileaks.  Pior do que a escolha de Palocci foi a manutenção de Fernando Haddad como ministro da educação, depois de sucessivos e diversificados problemas com a realização da prova do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM. Nos últimos anos não houve a realização de uma sem problema, de forma regular. 
Tradição não falta; tanto de violação de sigilos quanto de malfeitorias da Casa Civil. E a dúvida maior é se desta vez ele precisará alugar mansões para suas festinhas fantasiosas. E ninguém da imprensa nem sequer se lembrou de mencionar esses riscos, tanto pelo passado do ministro e, também, pelos desastrados ex-ministros da Casa Civil. José Dirceu teve o mandato cassado por conta daquele dinheirinho de caixa dois distribuído entre os pares, e a senhora Erenice Guerra defenestrada por fazer da Casa Civil a casa de negócio da sua família.  
Agrava o mal começo a discussão da recriação da Comissão Provisória sobre Movimentação Financeira, a famosa CPMF, que foi criada para melhorar a sistema de saúde pública, vigorou por mais de uma década e a resposta de sua eficácia é dada todo dia pelos programas policiais de televisão. Homem que vai fazer exame para auxiliar a ter filhos e sai operado de vasectomia; criança que entra para operar fimose e sai com três delicadas cirurgias; menina que toma vaselina em lugar de soro. São os exemplos mais destacados de uma cadeia nacional de atendimento desse nível, que nunca foi diferente com ou sem CPMF.
Alguns aspectos precisam ser lembrados à senhora Dilma Roussef. O atual presidente tem aprovação nas nuvens. Ela se tornou presidenta como resultado de uma invenção dele. Por conta própria talvez se elegesse deputada federal. Lula, com o pronunciamento sobre a redução nas obras do PAC, já demonstrou que começou sua campanha para 2014. E o mesmo filho PAC, que fez Dilma Rousseff presidente, retirará dela o mater poder e a Presidência da República. Nem precisa falar no Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB, principal aliado, para se concluir que, com essas medidas, não poderia haver pior começo, mesmo antes de tomar posse.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
     Bel. Direito

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foto madeira 004.jpgCodicilo
Prof Rosildo Barcellos
    Codicilo é o ato de última vontade, destinado, porém a
disposições de pequeno valor ou recomendações para serem atendidas e
cumpridas após a morte. Pode –se dizer também que trata-se de um
escrito particular feito de próprio punho pelo testador, sendo ele
simples, informal, eivado de limitação, uma vez que viabiliza em tese,
as disposições  de pouca monta. Difere-se do testamento, que este por
sua vez é formal, e  solene.Está previsto  no artigo 1.881 do Código
Civil.Portanto, o codicilo poderá ser usado para legar móveis, roupas
ou jóias. De pouco valor, de seu uso pessoal; nomear e substituir
testamenteiros; reabilitar o indigno; reconhecer filho havido fora do
matrimônio, uma vez que o artigo 1.609, II do Código Civil permite tal
ato por escrito particular sem maiores formalidades. Enfim inclui
várias possibilidades nesse sentido,inclusive a música que será tocada
em seu velório
    Todavia neste artigo vou considerar o codicilo de meu pai como a

sua última vontade e ele dizia:” Nunca esqueça de usar tudo que sabe

sobre o trânsito em favor das pessoas” -  e seguindo seu desejo venho

mais uma vez explicar as mais recentes alterações num item que eu

considero extremamente importante e eficaz e que estava sem mudanças

desde 2002 e que tratam do dispositivo retrorrefletores  e que fazem

realmente a diferença no período noturno. Ressalto,pois, que tais

dispositivos deverão ser afixados nas laterais e na traseira do

veículo (ecolares,ônibus e de carga), ao longo da borda inferior ou

opcionalmente, no caso dos siders, sobre o bandô existente na parte

externa,alternando os segmentos de cores vermelha e branca, dispostos

horizontalmente, distribuídos de forma uniforme e cobrindo no mínimo

33,33% (trinta e três vírgula trinta e três por cento) da extensão das

bordas laterais e 80% (oitenta por cento) das bordas traseiras do

veículo da frota em circulação; O para-choque traseiro dos veículos

deverá ter suas extremidades delineadas por um dispositivo de cada

lado, excetuando-se aqueles já dotados de faixas oblíquas Os cantos

superiores e inferiores das laterais e da traseira da carroçaria dos
veículos tipo baú e afins, deverão ser delineados por dois
dispositivos de cada lado, fixados junto às bordas horizontais e
verticais, e o seu comprimento maior deverá estar na vertical.
    Outro fato que sempre encontro nas minhas fiscalizações é que há
ainda um grande número de faixas refletivas falsificadas e aproveito
esse espaço para fornecer algumas dicas de como descobrir esse
equívoco:
Se a parte branca da faixa refletir a luz do dia nas cores verde e
azul, ela é falsificada, as faixas originais refletem luz prateada.
 2- Passe um pouco de acetona na parte vermelha da faixa, se a tinta
sair, ela é falsificada.
 3- As faixas refletivas homologadas tem seu desenho em forma de
colméia, as falsificadas não.
 4- As faixas originais tem a inscrição Aprovado pelo Denatran gravada
internamente, nas faixas falsificadas é possível remover a inscrição,
pois ela é gravada externamente.
 5- Faixas falsificadas são isentas de conspicuidade (capacidade e
chamar a atenção dos outros condutores) e   possuem pouco poder de
reflexão ou seja  sua eficiência é extremamente reduzida o que
inviabiliza sua real função que é a de tornar visível um automotor e
assim reduzir a possibilidade de um acidente.Esta norma está em vigor
desde 26.11.2010.
*Articulista


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Um corpo insepulto
Por Petrônio Souza
Eram os anos de chumbo no Brasil. No Chile, muitos brasileiros viviam o exílio, entre eles o jornalista mineiro José Maria Rabelo, que dirigia um importante instituto na periferia de Santiago. O sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que sempre fazia questão de se mostrar boa praça entre os exilados - Fernando Henrique viveu um exílio voluntário - ostentava o cargo de diretor das Organizações das Nações Unidas. Uma bela noite, atendendo ao convite de José Maria Rabelo, Fernando Henrique fez uma bela palestra em seu instituto.
Ao final do evento, sabendo que José Maria não possuía carro, Fernando Herinque, que morava na mesma região do amigo brasileiro, perguntou em alto e bom som: “Zé Maria, você está de carro?”. Zé Maria ao dizer não, aceitou a carona de Fernando Henrique. Depois de muito rodar pela capital chilena dentro do imponente Mercedes-Benz da ONU, a chuva os pegou nos arredores de suas casas, quando, surpreso, Zé Maria ouviu constrangido a pergunta de FHC: “Ô Zé Maria, aqui já está bom para você?”. Como manda a boa tradição mineira, Zé Maria respondeu baixinho: “Uai, está bom sim”. E foi deixado ali pelo amigo, na chuva e no frio, até terminar sua viagem de taxi.
Fernando Henrique Cardoso só não sabia o que o destino havia lhe reservado. Anos depois, foi deixado, entre uma palestra e outra, na chuva e no frio pela história, se tornando um exilado em seu próprio país.
FHC é um clandestino ideológico, um corpo político insepulto, que espalha seu mau cheiro entre aqueles que estão a sua volta, aqueles que vivem a sua sombra. José Serra e Geraldo Alckmin sabem muito bem o quanto é desagradável esse mau cheiro e que nada, ou quase nada, cresce a sua sombra.
Pesa sobre o cadáver político de FHC uma política entreguista, usurpadora, servil; de doação do patrimônio público; submissão à política internacional, ao FMI; o sucateamento do Estado, dentro de uma política de administração zero; de adoração ao mercado financeiro - essa entidade sem rosto e sem pátria; as medidas antinacionais e antipopulares; o culto extremado à vaidade, ao personalismo; o compadrio; o fisiologismo; o mensalão ideológico e a compra da reeleição; a interferência direta nos poderes, com a criação e a exímia atuação do engavetador geral da república; o desdém às Forças Armadas e à Polícia Federal; as péssimas e criminosas gestões nas estatais para justificar suas privatizações; o desmatelamento do sentimento de nação.
Não há precedente na história do Brasil de uma figura que depois de galgar os mais altos cargos públicos tenha sido legada ao esquecimento. Nem o Collor, que entrou na presidência da República pela porta da frente e saiu pela porta do fundo, corrido.
FHC é quase uma sombra, um vulto, uma assombração. Quando José Serra fez seu discurso de reconhecimento da derrota, transmitido ao vivo por todos os canais de rádio e tv, assistimos ao revelador episódio quando a filha de Serra se esmerou em alertar o candidato sobre a presença de um ex-presidente entre os correligionários. Serra olhou, virou-se à filha e falou: Ah, o Fernando Henrique, tudo bem! E voltou-se para seu discurso, sem uma menção sequer do ex-presidente e ex-chefe.  
Ainda assim, FHC deve agradecer aos céus. Pois outros presidentes que implantaram em seus governos a mesma política que ele adotou no Brasil enfrentaram, além do ostracismo, a justiça, e foram todos condenados, como foi com o Menem na Argentina e Fujimori no Peru.
 Mas como a sociologia ensina e FHC propaga, o Brasil é o país da boa convivência e tem um povo muito generoso. Seu grande erro foi acreditar que além de tudo, o povo era bobo.
Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor
www.petroniosouzagoncalves.blogspot.com

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19-11-2010
Um Conselho Importante Para a Dilma 
Por Stephen Kanitz
Nas próximas duas semanas V.Exma terá de tomar a decisão mais importante do seu governo.
A escolha do seu Ministério e auxiliares diretos. Desta escolha depende o sucesso do seu governo.
Infelizmente, tudo que lhe ensinaram de Teoria de Gestão é equivocado.
Por isto, a primeira decepção de todo governo é o anúncio do Ministério. 
Gostaria de dar um conselho, este vindo da Teoria da Administração, aquela que usamos em empresas de capital democrático, inclusive multinacionais. 
Todo cargo, seja público, seja privado, é de total e irrestrita desconfiança. 
Não existem estes tais Cargos de Confiança, tão comum na Gestão Pública e na Gestão Familiar. 
Eu sei que é necessário colocar pessoas que você sabe que são honestas, que não irão roubar, que irão te obedecer, em quem você pode confiar, daí o termo.
Mas este é o grande problema da Gestão Pública e Familiar. Infelizmente, todo colaborador, por mais amigo que seja, precisa ser tratado com certa dose de desconfiança.
Os maiores desfalques em empresas familiares são cometidos por parentes, onde não escapam nem filhos, muito menos genros.
Bons amigos então, nem se fala. De onde surgiu este mito de que amigo do peito e parente não roubam?
A saída para esse dilema é outra.
Em vez de contratar um amigo do peito, selecione o melhor e mais qualificado profissional possível para o cargo, independente de conhecê-lo ou não.
Em seguida, cerque o contratado de controles gerenciais, fiscalização interna, auditoria externa, o que for necessário para manter o pessoal na linha.
É o que fazemos na Teoria da Administração.
As multinacionais não trazem mais um "presidente de confiança do exterior", como faziam antigamente. Contratam brasileiros, isso mesmo, brasileiros. 
Dois brasileiros, Alain Belda Fernandez e Henrique de Campos Meirelles, foram  presidentes da matriz americana das multinacionais em que trabalhavam, o equivalente a contratar um americano para cuidar da Petrobras.
Alíás, Henrique Meirelles foi tratado com a maior desconfiança pelos seus colegas do PT e foi sem dúvida o que mais contribuiu para o sucesso do Governo Lula.
Porque era simplesmente um dos mais competentes do mundo, para o cargo. Sabemos infelizmente que  V.Exma vai trocá-lo por alguém de sua confiança, será a primeira decepção minha com seu governo.
No Brasil, o melhor administrador financeiro do país tem poucas chances de ser Ministro da Fazenda, se já não for amigo do presidente bem antes de sua eleição.
"Cargos de confiança" é simplesmente um conceito anacrônico, algo do passado pré-gerencial que só sobrevive na Teoria de Gestão.
Só na Gestão Pública é que ainda existem estes 20.000 "Cargos de Confiança", onde se pode contratar sem concurso público, companheiros e amigos sem as devidas qualificações técnicas. 
A rigor, num mundo globalizado, onde temos de dominar alguns segmentos da economia mundial deveríamos estar contratando os melhores do mundo, não os melhores do Brasil.
Posso lhe indicar centenas de executivos brasileiros, já aposentados, ricos suficientes para não sair roubando por aí, que já fizeram o seu pé de meia, competentes por definição, que adorariam trabalhar no governo. 
Se a V.Exma, convidar somente pessoas de sua confiança, pessoas do seu passado, companheiros de luta e de tempos anteriores, a senhora terá novas decepções, como teve com Erenice.
Espero que alguém lhe envie este conselho.
Convide pessoas profissionais, socialmente responsáveis e já bem sucedidas. Eles/elas têm uma reputação a zelar, e serão de irrestrita confiança, e V.Exma poderá ficar tranquila. 

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Entenda o Caso Panamericano II
Por Stephen Kanitz
"Todos os administradores do Panamericano foram demitidos", manchete de primeira página de um importante jornal brasileiro.
E provavelmente serão processados pela provável fraude e "rombo" de 2,5 bilhões. Será que o Brasil precisa de administradores, como venho batalhando? É a primeira pergunta que me fazem. 
Como nenhum administrador reclamou, e nenhum jornalista pesquisou, a não ser este blog, a era do administrador vai demorar a ser implantada no país, por omissão da classe. .
O problema do Panamericano é que dos sete membros do Conselho de Administração, somente dois eram formados em Administração, um dos quais pela Luzwell, que não figura entre as 100 mais. Ou seja, só um era de fato administrador com nível para administrar um banco. 
Portanto, é uma difamação de toda a classe de Administradores publicar que os "administradores" foram demitidos, e um comunicado enérgico do CRA é devido. É a função dele.
O Conselho de "Administração" era Presidido por alguém formado em Direito.
Tem um formado em Educação Física, cujo currículo não tem nenhuma matéria sobre bancos, muito menos de fiscalização.
Tem economista, que trabalhou no governo Sarney,  outro advogado, e outro sem curso superior. O Administrador, pelo jeito era o único qualificado. Foi Presidente do Banco Central no governo Sarney, mas provavelmente era sempre voto vencido.
Os demais membros do Conselho de "Administração", estavam todos exercendo ilegalmente a função de Administrador. Ou pelo menos deveriam mudar o nome do Conselho. 
Cinco dos sete membros do Conselho de "Administraçao" não sabiam o que deveriam fazer, que perguntas dirigir, que áreas analisar nem como analisar os relatórios apresentados.
Jornalistas pelo menos deveriam entender de Português, que Conselho de "Administração" competente e profissional só poderia ser de Administradores. Não compete ao um educador físico administrar um banco. 
Ou então, o CRA deveria exigir nos casos como este a denominação de Conselho de Notáveis, Conselho Consultivo, Conselho de Curiosos e Amadores, mas não Conselho de Administração.
Temos um longo caminho a percorrer, primeiro corrigindo os erros e as difamações públicas a que somos atribuídos.
Eu já fiz minha carreira, e parece que nenhum de vocês está preocupado com a sua futura.
Escreva para o jornalista que publicou a notícia e peça que corrija a informação equivocada. Já! Senão o termo Administração será queimado antes de começar. 

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19-10-2010
“Privatização”
Texto que escrevi em 1995, mas que parece bem atual, por isto não mudei.
Por Stephen Kanitz 
A discussão política em torno da "privatização" da Telebras e eventualmente Petrobras, seria bem menos emotiva e acalorada se ambos os lados atentassem a um pequeno e simples fato.
Tomando a Telebras somente como exemplo, 83% das ações da Telebras pertencem ao setor privado, não ao governo. Ou seja a Telebrás, do ponto de vista financeiro, já é privado.
Isto mesmo, 83% do aporte de recursos para construir a Telebras vieram inteiramente do setor privado.
Portanto, não dá para "privatizá-la" como muitos do governo estão querendo. Ela já é "privada", tanto que 83% dos dividendos vão para o setor privado e não para o governo. 
Ao longo dos anos, futuros usuários de telefones investiam entre 1.000 a 4.000 reais por plano de expansão, e em troca recebiam corretamente ações da Telebras, a preço de custo.
Curiosamente, temos um "Capitalismo" de Estado onde o Estado não tem capital e obriga o próprio consumidor a desembolsar os recursos para o investimento.
Este "Capitalismo" de Estado, significa que somente os 10% mais ricos deste país, podem comprar um telefone, e assim tornarem-se mais ricos ainda.
No Capitalismo Democrático, aquele que os administradores defendem, o consumidor não precisa ser ao mesmo tempo o capitalista.
Separar o capitalista do usuário é a única forma de pessoas pobres poderem ter um telefone, sem ter que aportar 4.000 reais para ter um simples telefone.
Do ponto de vista semântico e financeiro, não faz o menor sentido falar em “privatizar” o que já é 83% privado. Tanto é que o governo estará vendendo uma posição minoritária de somente 17% das ações existentes.
Estatal é o controle administrativo, porque conseguem com 17% tomar todas as decisões. Os 83%, apesar de sermos uma democracia de direito, capitalistas não tem direito a voto.
Por que toda esta celeuma sobre o preço justo destes últimos 17%? Por que ninguém questionou o preço justo das 83% de ações que foram vendidas ao longo dos anos?
Teria a proximidade das eleições algo a ver com esta tardia discussão de preço?
Obviamente, o governo quer vender as ações com enorme ágio, mas na realidade estão vendendo o sobre-preço do bloco de controle. Controle este imoral e que será nefasto para o futuro da telefonia.
Devido uma artimanha da nossa Lei das Sociedades, é possível retirar o direito de voto de até 2/3 dos acionistas de uma empresa. 
Nossa lei, permite que um pequeno grupo de acionistas, detentor neste caso de somente 17% do capital, sejam empresários ou funcionários públicos, mandarem e desmandarem nas empresas como minoritários sem a aprovasão dos acionistas majoritários.
Se constituírem holdings, como fez o governo no caso da Telebras e adicionarem empréstimos do BNDES, seria teoricamente possível controlar uma empresa tendo somente 5% das ações.
Algo parecido com o que aconteceu com a Vale do Rio Doce.
No caso da Telebras, os acionistas verdadeiramente majoritários do capital nem puderão votar sobre a "privatização", nem a favor nem contra.
Adicionando o insulto à injúria, estes 83% são chamados por advogados, políticos e jornalistas de acionistas minoritários apesar de terem a maioria das ações da empresa.
Os que querem reestatizar as empresas "privatizadas", precisam lembrar que esta reestatização só seria possível se compactuarem com a antidemocrática postura de negar o direito de voto aos acionistas majoritários. 
O que deveria estar sendo exigido neste processo de "privatização" é a concessão de direito de voto a todos os acionistas, e não a venda do bloco de controle.
Assim, o governo FHC estaria implantando a sua ideia de choque de capitalismo, tornando de fato todos os pequenos investidores em pequenos capitalistas de fato, em vez de condená-los a serem eternamente os neo-bobos sem direito de voto.
Fomos a última nação a abolir a escravatura, a última a acabar com a inflação, a última a abrir o seus mercados protegidos.
Não podemos ser a última também da devolução do direito de voto aos pequenos acionistas.
( Em 1998, um grupo de administradores, entre os quais Raymundo Magiliano, futuro presidente da Bolsa, iniciou a bandeira do Novo Mercado, onde todo acionista tem direito a voto, e da qual me engajei e hoje sou membro da Camara de Arbitragem. Mas foi um luta e tanto contra os detentores de privilégios, como sempre ). 

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Excesso de zelo ou repristinação ?
Por Rosildo Barcellos
       Na verdade tenho uma tríade de assuntos para tratar neste artigo e acredito que todos tenham relevância a uma grande parte da sociedade.Em primeiro lugar trato do excesso de zelo de revogar o que já está revogado ou desconhecimento que não há repristinação que não seja expressa.Está sendo assim com a Resolução 360/10,publicada em primeiro de outubro pelo CONTRAN, que condensa as Resoluções 193/06 e 345/10, que passam ao status de revogadas.É interessante notar que os artigos 29 a 32 da Resolução 168/04, que já estavam revogados desde 2006, foram revogados novamente pois a nova normativa revoga as Resoluções Contran 193/06, 345/10 e art. 29, 30, 31 e 32 da Resolução n° 168/2004.Por conseguinte  comparando o texto da nova Resolução com o das antecessoras, a única diferença visível está nos Art. 1º e 2º, com a substituição da expressão "natural de país estrangeiro" por "oriundo de país estrangeiro", o que vem corrigir uma contradição, especialmente quando o condutor em questão era brasileiro naturalizado e não natural de país estrangeiro. Numa leitura rápida entende-se que o estrangeiro, após 180 dias da entrada no país, deverá obter a habilitação brasileira, na verdade esse tempo passa a contar a partir do momento que o condutor recebe o visto permanente, comprovado pela posse da Cédula de Identidade de Estrangeiro.
     A exigência da tradução para as habilitações estrangeiras aparentemente foi extinto com a publicação da Resolução 345/10 (fato mantido pela 360/10). Sendo necessário apenas que o condutor porte a carteira de habilitação estrangeira, dentro do prazo de validade, acompanhada do seu documento de identificação o que vem a facilitar a fiscalização.No caso do condutor estrangeiro portar somente a Permissão Internacional para Dirigir - PID, está deverá estar de acordo com o modelo estabelecido pela Convenção de Viena, ou seja, livreto formato A6 (14,8 x 10,5 cm), capa cinza e páginas brancas, conteúdo escrito em francês, espanhol, inglês e russo, mais a língua do país de origem.
     Um segundo assunto que tenho a tratar versa sobre o DPVAT,aonde ressalto que para acidentes anteriores a 2007, a indenização do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT) é devida integralmente ao companheiro da vítima. A situação é desta forma porque até o ano de 2007 a questão era  regida pela Lei n. 6.194/1974, que determinava o levantamento integral do valor da indenização do seguro DPVAT pelo cônjuge ou companheiro sobrevivente. Apenas na falta desse beneficiário seriam legitimados os herdeiros legais. Entretanto a sistemática foi alterada com a Lei n. 11.482/2007. E atualmente  a indenização é paga na forma do artigo 792 do Código Civil. Isto é: o valor da indenização deve ser dividido simultaneamente em partes iguais, entre o cônjuge ou companheiro e os herdeiros do segurado. Ressalto que essa norma incide sobre acidentes ocorridos a partir de 29 de dezembro de 2006.
     E o terceiro assunto entendo como polêmico tanto quanto a cadeirinha,pois está exigindo o equipamento e o mesmo continua longe das prateleiras, e este é o caso do recall. Porque carros, caminhões e motos cujos donos não comparecerem para resolver o problema ficarão marcados, o que pode reduzir o valor de venda do veículo.E assim será devido porque as informações farão parte do Sistema de Registro de Avisos de Risco de Veículos Automotores, que está sendo criado pelo governo.Como esse sistema será, na verdade, um item dentro do Renavam, a vinculação vai ser automática.Assim quando a montadora avisar os consumidores que fará um recall de determinado produto, também vai informar o sistema Denatran sobre os veículos que serão alvo da campanha e por conseguinte uma inclusão célere será aposta no Renavam.Somente quando os clientes resolverem o problema,é que  as montadas avisarão para que seja dado a baixa necessária no no registro. Agora convenhamos não existe um prazo definido para  que a indústria venha a informar que o cliente já levou seu carro para o ajuste e de mais a mais muitos de nós nem tomamos conhecimento das chamadas realizadas; haja vista, que de janeiro a agosto deste ano foram registradas 38 convocações de recall, sendo 30 de carros e 8 de motos ou seja, esses casos envolveram mais de 1 milhão de veículos, entre eles 204 mil motos;mas quantos ficaram sabendo? Acredito que uma grande quantidade de pessoas não fica sabendo e uma outra nem dá a devida importância.É mais uma preocupação para todos nós.Se pode complicar...pra que facilitar !
*articulista

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Por Danin Junior
As redes sociais, nome bacana para os sites que permitem relacionamentos virtuais entre seus usuários, são terreno fértil para o surgimento de fakes – os perfis falsos, que podem ser inventados livremente. Os fakes já são comparados aos tradicionais panfletos apócrifos, que infernizam candidatos desde as mais remotas disputas eleitorais. Não concordo. Por suas características únicas, a mídia social (outra denominação maneira) pode ser muito pior que um panfleto jogado na rua. Sites de relacionamento possuem uso e penetração bem mais malignos. Um conteúdo maldoso inserido no Orkut, no Twitter ou no Facebook (as três mais populares no Brasil) pode permanecer no ar por tempo indeterminado, sendo consultado a qualquer hora e se espalhar de forma virulenta. E há um efeito ainda mais diferenciado: esse conteúdo, público e disseminado, por atingir massa crítica na sociedade, acaba pautando a mídia convencional – parece que os jornalistas são os mais ávidos usuários do Twitter.
É possível dizer que, por conta das campanhas virais, que antes existiam apenas nas insuportáveis correntes de spam (e-mails em massa), a eleição presidencial brasileira deste ano é uma das mais sujas de todos os tempos. Como se verá a seguir, o problema nem está nos temas utilizados de parte a parte, mas na forma como explorados. O que era localizado e de efeito geralmente limitado, passou a ser escancarado, passou à luz do dia e com certo ar de normalidade. Está tão exposto que algumas pessoas já até dispensaram a artimanha do fake para fazer ataques. Passaram a usar suas verdadeiras identidades para instrumentalizar determinadas baixarias. Algumas dessas situações certamente já podem originar milhares de processos judiciais. Se as provocações ocorressem fora do ambiente virtual, no tête-à-tête, aposto que poucas pessoas teriam autocontrole para não reagir violentamente.
Pancadaria
O tema mais explorado na baixaria eleitoral deste ano é o da descriminalização do aborto. Discutir esse assunto, por si só, não constitui uma bestialidade. O problema é que deveria ocupar cinco minutos do debate eleitoral. Há outros problemas que mereceriam muito mais atenção. Além disso, uma legítima questão de saúde pública descambou para uma discussão pseudo-moralista e religiosa. É provável que José Serra (PSDB) não tenha envolvimento direto na maquinação subterrânea desse debate na internet. Mas ele só não perde votos porque os entusiastas de seus adversários também jogam baixo, inclusive quando tentam vincular a Serra ações institucionais positivas de quando era ministro da Saúde, como foi o caso de liberação da pílula do dia seguinte.
Os ataques rasteiros têm características que envolvem as volatilidades dos posicionamentos políticos. O que vale é a recomendação ricuperiana de só mostrar o que interessa. A campanha difamatória sobre o aborto é injusta com Dilma, mas a petista não tem o que reclamar e só pragmatismo eleitoral justificaria dar as costas às suas convicções. O programa de seu partido defende a legalização do aborto. As primeiras versões do Plano Nacional de Direitos Humanos, enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional apresentava uma série de temas que a campanha da petista quis empurrar para baixo do tapete. Entre eles, o relaxamento institucional em casos de invasões de imóveis rurais e urbanos. O documento também argumenta em favor de um chmado controle social sobre a mídia.
Nada disso, no entanto, é pior do que as sátiras maldosas que são espalhadas pelas redes sociais. Uma das mais recorrentes é uma fotomontagem com o objetivo de ridicularzar o candidato tucano. Na peça, sua face foi aplicada à foto do palácio Tiririca, que acaba de se eleger como o deputado federal mais votado do país. Engraçado, mas maldoso. Principalmente porque Tiririca foi eleito pelo PR de São Paulo, em coligação com o PT de Dilma. Sua votação exagerada (quase um milhão e meio de sufrágios), conseguiu colocar outros três companheiros na Câmara dos Deputados — um do PT, um do PRB e o ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz (PC do B). Serra também sofre com brincadeiras a respeito de sua calvície, além da divertida (e também malvada) comparação com Mr. Burns, do desenho animado The Simpsons. O personagem é o mais antipático da série, um empresário sovina.
Outra maldade visual ataca a ex-ministra, com várias fotomontagens que a transforman em Chucky, o brinquedo assassino — personagem de uma série de filmes de terror de quinta categoria. Também pegam no pé do vice de Dilma, o peemedebista Michel Temer. Parecido com o ator Christopher Lee, o mais tardicional intérprete do Drácula, Temer tem coisas mais coisas com o que preocupar: na internet também rola que o filho dele é vinculado ao satanismo. Para quem distribui esse tipo de material, brigar na lama é uma coisa normal. Para o eleitor bem intencionado, esse é o tipo de coisa da qual se deve fugir.

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12-10-2010
Por Stephen Kanitz - Exclusivo JN
Segundo Turno Será Sobre Privatizações, Como em 2006 ! 
Em 2006, Alckmin teve 41% contra 47% de Lula, somente 3% de diferença. O PSDB poderia ter revertido estes 3% de desvantagem não fosse a incapacidade de Alckmin de defender as "privatizações" de FHC, se enrolou todo, e perdeu credibilidade. Tudo começou com esta notícia de 2006.
"Guru econômico de Alckmin defende privatização da Petrobras
O ex-ministro de FHC, economista Luiz Carlos Mendonça de Barros indica o rumo a ser adotado, no caso de improvável vitória, será mesmo o da privatização.
Barros disse "O governo já deveria pensar na "privatização" da Petrobras, seguindo a mesma lógica adotada no sistema Telebras". 04/10/2006 - São Paulo - Fonte: Diário Vermelho" 
Alckmin imediatamente entrou em contradição, primeiro apoiou Mendonça de Barros e depois garantiu que não "privatizaria" a Petrobras. Perdeu credibilidade, foi o primeiro a ter MENOS votos no segundo turno do que no primeiro. Um desastre!
O termo "privatização" é dinamite pura, significa para o povo oligarquia, dono, lucro extorsivo, monarquia, elite, capitalismo selvagem. 
Só que o contrário de estatização é desestatização, e não "privatização".
Vou repetir, porque por incrível que pareça isto é novidade para 99% dos brasileiros.  O contrário de estatização é desestatização, e não "privatização".
Desestatização significa fim de cargos de diretoria para políticos da base aliada.
Desestatização significa fim do poder monopolístico, todas as estatais eram ou são monopolistas, como Telebras, Eletrobras, Petrobras, Correios, Caixa Econômica e monopólios são vistos como negativos pelo povo, tanto quanto o termo "privatização".
Serra começou mal, caiu na mesma armadilha que novamente o PT colocou.
"Serra enfrenta discurso petista e defende privatizações da era FHC." O Estado de São Paulo
e novamente em Serra45.
A resposta correta, deveria ser "Serra defende a desestatização da era FHC".1
Alckmin e Serra deveriam ter dito que empresas desestatizadas são na realidade as verdadeiras empresas públicas no sentido real da palavra.
São empresas como  a Natura, onde todos os pequenos acionistas têm direito a voto, e os minoritários são os antigos donos, como Guilherme Leal.
Nas empresas estatais, 80% dos acionistas NÃO tem direito de voto, são empresas onde um pequeno grupo de controle, o governo e o Ministro da Fazenda, controlam todas as decisões apesar de terem somente 20% dos votos.
São as empresas de capital aberto e democrático que são as verdadeiramente públicas, as únicas que pertencem a dezenas de milhares de acionistas.
Nenhum acionista tem poder privado, temos sim poder coletivo, que usamos nas assembleias de acionistas, se votarmos em conjunto.
Nos Estados Unidos são chamadas de Public Companies, e como aqui tem fundos de pensão de trabalhadores como acionistas, mas lá tem direito a voto.
O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, a Veja, a Época não são de  direita, neoliberal, neo-con como muitos jornalistas e leitores os acusam.
Se fossem neo-liberais jamais usariam o temo "privatização", termo habilmente criado pelo inimigo. O que está acontecendo de fato com o jornalismo brasileiro ?
Neo-liberal acredita na liberdade, na liberdade do acionista "minoritário" e dos 80% majoritários votarem de fato na assembléia de acionistas. 
A imprensa, o Alckmin e o Serra deveriam defender a democratização do capital, o que para Serra, ainda é possível. 
Mas novamente não vejo nenhum administrador assessorando e mostrando o verdadeiro lado crucial da questão. 
Os únicos esclarecidos foram os leitores da Revista Veja, pelo menos os que liam a minha coluna, onde não cansei de expor estas ideias ao ponto de ser considerado repetitivo e pró administrador em demasia. Me perdoem. 
1. Eu sei que FHC não desestatizou de fato, que vendeu os 20% do bloco de controle para grupos de fato privados, mas isto só vai piorar a situação do Serra, e já comentei isto anteriormente.

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Por Stephen Kanitz - Exclusivo JN
Como Será Este Segundo Turno?
Apesar do PSDB ter considerado o segundo turno uma vitória, Serra está indo para o segundo turno graças a campanha bem sucedida da Marina.
Algo me diz que Marina teria tido melhores chances contra a Dilma do que Serra num segundo turno. Primeiro, Marina teve muito pouco espaço na TV e num segundo turno seria bem mais recohecida.
Segundo Guilherme Leal, somente 40% dos eleitores conhecem de fato a Marina, o que significaria que seus 19% na realidade representam 47% de uma população inteira.
Tanto isto parece ser verdade que Marina teve 45% dos votos no Distrito Federal, onde todos a conheceram como Ministra.
Serra não terá o apoio de Aécio, Alckmin nem de FHC, apesar de querer. Ele brigou com os três, e brigou feio porque nenhum deles o apoiou de fato. Serra também tem o maior índice de rejeição dos candidatos, e isto pesa.
Nas eleições de 2002 e 2006, Lula teve os mesmos 47% no primeiro turno e acabou com 61% no segundo. Era o Lula Bicho Papão de 2002, e o Lula do Mensalão de 2006. Portanto, Dilma está numa posição bem melhor.
Se os votos de Marina se dividirem meio a meio, Dilma termina com 56%.
Dilma terá o apoio redobrado de Lula, que tem como trunfo a capacidade de fazer um discurso emocional, se precisar. Vamos ver.
A lição que o PSDB tirou desta eleição foi que esconder o FHC foi um erro, dada a vitória surpreendente do Aníbal para Senador, que não o escondeu.
Acho que trazer FHC na campanha agora é que seria um erro, novamente falariam do passado, quando o eleitor quer ouvir sobre o futuro.
E, o governo FHC não foi exatamente tudo o que a imprensa afirma continuadamente.
1. O Plano Real foi no Governo Itamar.
2. A Telebrás já era uma empresa privada, 83% das ações pertenciam àqueles que compraram  um "plano de expansão", financiando seus próprios telefones, se tornando acionistas SEM DIREITO DE VOTO.
O governo FHC pulverizou a Telebrás em 18 pequenas e pouco competitivas empresas, e vendeu os 17% que tinha, que era o  bloco de ações de controle, com um ágio questionável.
Questionável, porque estes 17% estariam valendo hoje uma fortuna, já que a Telebrás passou a ser bem administrada e aumentou a base de 10 milhões para 200 milhões de telefones em menos de 10 anos.
Se tivessem mantido os 17% e simplesmente dado o direito de voto a nós acionistas, teríamos colocado os mesmos administradores profissionais e não políticos, e teríamos mais uma empresa de classe mundial. Compraríamos a Telefonica da Espanha e não vice versa.
3. Lei da Responsabilidade Fiscal. Todo mundo acha que a lei limita o endividamento dos Estados e Municípios, mas na realidade limita os gastos de salários a 60% do orçamento.
Erraram de métrica. Deveriam ter limitado dívidas, e não salários a x% dos ativos, ou receitas, ou então os juros pagos a x% das receitas. Usaram a métrica totalmente equivocada, e pior dispensaram o Governo Federal desta lei.  Ou seja, "meia" responsabilidade fiscal, só para os outros, como sempre. O governo federal não precisa limitar gastos com pessoal a 60%, o que o Governo Lula demonstrou.
Do lado negativo:
1. aumentou a dívida interna para 54% do PIB,
2. indexou a dívida interna ao dólar, a âncora cambial,
3. aumentou os impostos para 34% do PIB,
4. os juros para 26% ao ano,
5. entregou um governo sem reservas e com uma dívida com o FMI,
6. destruiu o sistema de avaliação gerencial e todos os balanços publicados das empresas brasileiras, congelando seus valores em 31 de dezembro de 1995, algo que só os contadores reclamam e sabem o estrago que isto acarreta.
Esta história que Lula recebeu uma situação mais do que tranquila de Pedro Malan, é propaganda de economistas tucanos, que dominam a nossa imprensa descaradamente, e escondem a tranquilidade que Dilma receberá de Meirelles, um administrador tucano a serviço do PT. 
Portanto, cutucar o passado pode ser um grande equívoco do PSDB, Serra estava correto na sua estratégia no primeiro turno.

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01-10-2010
Por Stephen Kanitz - Exclusivo JN
Em março de 2010 escrevi que:
"A Marina Silva vai crescer, e muito.  Existe até uma remota chance da Marina ir para o segundo turno". 
"Marina Silva é extremamente influente entre os evangélicos, e estes votos só irão aparecer nos últimos 4 domingos antes das eleições." 
Continuei o texto com: "Aí  Marina se torna uma possível candidata para o segundo turno e muda totalmente de figura. " 
Num segundo turno Serra x Dilma, os votos da Marina se dividem e Dilma leva tranquilamente.
Mas num segundo turno Marina x Dilma, a coisa muda, porque poucos votos do Serra migram para a Dilma.
A maioria das pessoas não está votando no Serra, propriamente dito, ele tem o maior indice de rejeição. A maioria dos Serristas estão votando basicamente contra a Dilma.
Eu alertei Guilherme Leal que o problema da Marina não seria ganhar as eleições, e sim comandar o país uma vez eleita.
Muitos  eleitores gostam dela, mas acreditam que ela não tem um partido capaz de comandar.
Em Porque Vou Votar na Marina, o influente jornalista Paulo Nogueira da Revista Época escreve "Marina não vai ganhar e isso, paradoxalmente, me tranquiliza. Suspeito que o PV não esteja preparado ainda para governar. Mas merece o voto".
Minha sugestão ao Guilherme Leal em março era que Marina concentrasse em mostrar que ela tinha uma enorme equipe de administradores socialmente responsaveis capazes de governar este país como nunca fomos administrados.  Isto já seria um motivo para elegê-la. 
Minha grande decepção com a Marina foi no Roda Vida, onde ela praticamente escondeu o Guilherme Leal e sua equipe, e revelou que seu grande guru era o economista Eduardo Gianetti, brilhante pessoa, mas que na realidade é um filósofo. 
Meu temor se confirmou quando perguntei ao Roberto Irineu Marinho na FLIP a sua avaliação até agora da Marina, e ele respondeu. "Competentíssima, mas ela está um tanto filosófica nos debates." É a impressão que muitos tiveram, teorica e pouco prática.
Ficou falando demais em ecologia e de menos em como este país poderia ser bem administrado. Por administradores e não por mais uma leva de economistas. 
Marina ficou patinando por 4 semanas nos 10% que podem agora ter sido fatais, já que seu crescimento  nestas ultimas quatro semanas, como previ, pode não ser suficiente para levá-la ao segundo turno.


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Images (6)A Herança Cultural da Inquisição Portuguesa
Por Stephen Kanitz 
A Inquisição gerou uma série de comportamentos humanos defensivos na população da época, especialmente por ter perdurado na Espanha e em Portugal durante quase 300 anos, ou no mínimo quinze gerações.
Embora a Inquisição tenha terminado há mais de um século, a pergunta que fiz a vários sociólogos, historiadores e psicólogos era se alguns desses comportamentos culturais não poderiam ter-se perpetuado entre nós.
Na maioria, as respostas foram negativas.
Embora alterassem sem dúvida o comportamento da época, nenhum comportamento permanece tanto tempo depois, sem reforço ou estímulo continuado.
Não sou psicólogo nem sociólogo para discordar, mas tenho a impressão de que existem alguns comportamentos estranhos na sociedade brasileira, e que fazem sentido se você os considerar resquícios da era da Inquisição.
Vou dar um exemplo. Como se explica a enorme dificuldade de nossos intelectuais firmarem uma posição pessoal sobre um assunto?
É notória a posição dos intelectuais do PSDB, de estarem sempre "em cima do muro".
Quantos não conhecem a frase "Não sou a favor nem contra, muito pelo contrário", uma expressão coloquial pouco usada em outros países.
Outro. Leia alguns textos de intelectuais e você notará que a maioria sempre cita dezenas de autores, a ideia é sempre do outro ou pelo menos atribuída ao outro.
O que passa por erudição pode ser uma tática de preservação da própria pele.
Numa Inquisição você não vai querer se expor defendendo suas próprias ideias, a saída é sempre atribuí-las a outrem.
Uma das coisas mais difíceis neste país é saber o que se passa na cabeça de um mineiro.
Ou seja, não permitir que alguém pudesse ler sua mente, ou chegar a uma aproximação de suas reais intenções, era uma condição básica de sobrevivência na Inquisição, algo que os mineiros cultivam até hoje.
Nossa Constituição e nossas leis tentam sempre agradar a todos, somos sempre conciliadores, nunca há perdedores, mesmo que isso gere absurdos.
A começar pela Constituição de 1988, que consegue ser de esquerda, de direita e liberal ao mesmo tempo.
Contrariar alguém na época da Inquisição era contrair um potencial inimigo ou incentivar uma denúncia anônima.
Nada me deprime mais do que uma pessoa humilde que me presta um serviço se despedir com a frase "Desculpe qualquer coisa".
Por que alguém iria se desculpar por ter feito algo que ele nem mesmo sabe o que poderia ser?
Uma forma de se proteger de alguma denúncia posterior à Inquisição.
Fernando Henrique Cardoso, em seu livro O Presidente Segundo o Sociólogo, define a imprensa brasileira como extremamente atenta ao deslize.
Se um presidente anunciar o fim da pobreza no Brasil, segundo FHC, e no meio do discurso caírem seus óculos, a manchete e a foto de primeira página serão sobre a queda dos óculos, e não sobre o fim da pobreza.
O deslize era talvez o maior perigo de um português na época.
Era justamente disso que a Inquisição ficava à procura. Se um português mencionasse que havia tomado banho na sexta, isso poderia ser considerado indício de que se tratava de um cristão-novo.
Todo português precisava se policiar diariamente.
É essa preocupação com o deslize e a consistência interna do discurso coloquial que explica a maioria de nossas piadas de portugueses, em que rimos de sua lógica extremamente rígida e hermética.
Por exemplo, saindo de um hotel em Portugal às 5 da tarde, eu perguntei ao porteiro a que horas costumava escurecer naquela época do ano.
O porteiro olhou para mim em pânico, provavelmente querendo decifrar o significado da pergunta capciosa que eu havia feito.
Ficou minutos tentando achar uma resposta que não o comprometesse de nenhuma forma, uma resposta que não pudesse ser subjetiva, revelando o mais íntimo do seu ser, mas uma resposta calcada na lógica cristalina, pelo racional mais cartesiano possível.
Finalmente achou a resposta, sorriu e me disse: "Mas, meu senhor, aqui não escurece. Aqui em Portugal nós temos luz elétrica".
Coloco a questão mais como uma hipótese a pesquisar, a de que nosso comportamento não foi determinado exclusivamente pelo índio, pelo negro nem pelo europeu, mas que uma boa parte foi moldada pelos quase 300 anos de Inquisição.
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DESEDUCANDO O BRASIL
Por Petrônio Souza
         *Aloísio Teixeira Garcia, secretário geral da Academia Mineira de Letras
O livro Por uma Vida Melhor, distribuído pelo Ministério da Educação a meio milhão de alunos do ensino fundamental, agride o bom senso e vai na contra mão dos objetivos maiores da educação. Estamos diante de um obscurantismo que vê a língua culta – obrigatória nos vestibulares e nos concursos oficiais – como discriminação contra excluídos, cuja inclusão só se dá pela educação com qualidade e começa pela forma adequada em se expressar e comunicar-se.
A apologia do erro; “nós vai” ou “os livro”, não levará o país e sua juventude a ascender socialmente com oportunidades profissionais, introduzindo-os no vasto universo cultural. Não é por acaso que ocupamos a 53ª posição entre os 65 países avaliados pelo Pisa, comparativo internacional  de desempenho escolar  em disciplinas   fundamentais.
Há a linguagem dos torpedos pelos celulares ou as abreviações que dominam os e-mails, mas não há um linguajar popular a se contrapor à língua oficial ou culta, gramaticamente correta, que será obrigatória ao longo da vida, para que se tenha perspectivas reais de ascender socialmente em um mundo altamente competitivo.
O universo que se abre aos que dominam o idioma e as regras gramaticais permite que conheçam e naveguem pelas ciências, pela literatura,  ou pela sociologia, com notável crescimento intelectual  e espiritual,  tornando-os cidadãos  de um mundo globalizado. Ao contrario do caminho equivocado da autora do mencionado livro, encampado pelo MEC e adquirido com recursos públicos, a educação é libertadora, inclusiva e democrática.
Machado de Assis, autodidata, se curvava às letras certas e se impôs ao reconhecimento e admiração de várias gerações. Barack Obama, pelas origens familiares ou a cor da pele, nunca chegaria onde chegou se não cursasse uma das Universidades  mais  conceituadas  dos Estados Unidos. Lá, a exigência existente sobre lideranças políticas exigem uma formação básica de quem disputa cargos públicos.
O Brasil quer filhos vencedores, e o caminho da educação com qualidade não pode ser contaminado por exemplos como estes.

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25-04-2011

Nós fazemos a nossa história
                             Prof Rosildo Barcellos
      O Estatuto da Criança e do Adolescente completará em 2011 os "famosos" 21 anos de existência. Com fulcro no artigo 227 da Carta Magna, ele ressalta o dever da família, do Estado e da sociedade em assegurar à criança e ao adolescente uma série de direitos, entre eles, vida, saúde, alimentação, educação e lazer. Além disso, cabe aos responsáveis preservar os menores de todas as formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. A referida lei é considerada um marco na história dos Direitos Humanos brasileiros. Toda esta questão nos desafia no cenário das políticas públicas, para a sociedade brasileira e, por que não dizer, do mundo na defesa de um novo tempo para nossas crianças e adolescentes o que queremos e esperamos deles.É cediço que além de toda essa preocupação ainda estamos enfrentando alguns desafios. O primeiro trata da exploração sexual,  o segundo, da redução da maioridade penal no país de 18 para 16 anos e o terceiro traz em seu bojo a gravidez não planejada na adolescência, aliado a evasão escolar e a falta de educação na  plenitude da palavra.
      Não obstante o ECA ser fruto de intensa mobilização da sociedade, ele se tornou norte para países e organismos internacionais no que se deve percorrer para o pleno desenvolvimento da infância e adolescência. Os movimentos sociais, a sociedade civil organizada e diversas lideranças e agentes comunitários tiveram, e tem, uma importante parcela de contribuição nesta história de transformação da agenda social para a infância e adolescência.
      Evidentemente que se levarmos em consideração o tempo, em mais duas décadas muito se fez, mas o desafio da mudança de paradigmas continua a ser um óbice na construção da integralidade na proteção dos sistemas de políticas públicas e sistemas operacionais. É mister e concomitantemente imprescindível a prática articulada da prioridade absoluta nos poderes judiciário, legislativo com reflexos na atividade policial, posto que, ainda  existem muitos dilemas a serem enfrentados. Um deles é o cumprimento da legislação em toda sua extensão. Há um distanciamento entre a realidade e o previsto legalmente para gerar cidadania.
      Há necessidade premente de priorizar políticas e estratégicas definindo as linhas de ações: que perpassam por uma mudança no panorama legal, além de uma reordenação das Instituições Executoras das Medidas Protetivas e Socioeducativas em conteúdo, método e gestão o que resultará evidentemente em uma melhoria das formas de atenção direta, preparando os operadores da política de atendimento para compreender, aceitar e praticar o  paradigma que se apresenta pueril.
      Quando por fim  vislumbramos o cenário da dignidade das crianças e adolescentes do Brasil,percebemos que precisamos urgentemente de uma ação co-responsável e a qualificação para atuar na área da infância e adolescência e isso de uma forma irrestrita aonde todos devem participar  envolvendo governo, mundo empresarial e organizações do Terceiro Setor ou seja: o vizinho que informa alguma irregularidade e a ação imediata de alguém para intervir a tempo e o mais rápido possível para que a criança,principalmente seja socorrida em sua plenitude.Como queremos um futuro melhor se não cuidamos de nossas crianças?
      A interconexão das políticas é a necessidade do momento.É imperioso fazermos converter nossas ações em,atuação para a garantia dos direitos da criança e do adolescente e mais do que  o fortalecimento de nossas próprias corporações e entidades precisamos fortalecer a família,dar oportunidade de emprego e apoio aos mais carentes e cada um de nós sermos multidisciplinares, multisetoriais e multiprofissionais na defesa e garantia e promoção dos direitos dessas crianças e adolescentes;para num segundo momento investir e ampliar a participação dos mesmos como elemento transformador e finalmente começar a construir a nossa história !
* Articulista

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21-04-2011
Mil e uma utilidades da Internet
Por Pedro Cardoso
Quando surgem crimes inusitados como o do massacre no Rio de Janeiro, segundo os tais especialistas em violência, uma as primeiras culpadas a ser apresentada é a internet. A responsabilização vem antes mesmo de se saber os verdadeiros autores dos delitos.
Como qualquer outro meio, a internet pode ser utilizada para o bem ou para o mal de forma rápida e precisa.  Mas, como qualquer outra ferramenta, o homem é que faz o mau uso, não que ela seja um mal por si mesma.
A internet precisa ter sua utilização ampliada pelos órgãos públicos. Por exemplo, deveria se criar um programa e uma forma similar de apresentação para constar todas as receitas e despesas de todas as prefeituras e câmaras municipais, de todos os governos estaduais e assembléias legislativas, para todos os tribunais e órgãos públicos em geral. Especialmente para controle de verbas repassadas pelo governo federal às prefeituras, principal fonte de corrupção e de desvio de verbas para os bolsos de prefeitos e de vereadores.
O exemplo de boa utilização da internet vem da Receita Federal, que foi estendendo a entrega da declaração do Imposto de Renda por meio da rede, única forma de entrega a partir deste ano. Ou seja, para a declaração do Imposto de Renda a internet será ferramenta utilizada em cem por cento.
 O exemplo de má utilização vem da Câmara dos Deputados. No saite da Câmara havia um ícone que permitia ao cidadão encaminhar suas sugestões concomitantemente a todos os deputados. Simplesmente foi retirada, sem debate, sem consulta prévia, sem consideração nenhuma ao cidadão. Evidente que o único objetivo foi dificultar a manifestação dos comuns. O mesmo ocorreu com o saite da Presidência da República, que dificultou a comunicação com o órgão máximo do Poder Executivo. Além da dificuldade meramente técnica, essa complicação se contrapõe aos princípios democráticos.
Existe uma cultura generalizada de que tudo no Brasil se resolva com uma canetada para instituição de uma lei. Entretanto, é preciso que os internautas se manifestem pela melhoria das páginas oficiais, bem como do mecanismo de comunicação. Deveria ser padronizada o “fale conosco”, com formulário, e o e-mail ao lado para quem quisesse salvar em suas listas.
Também deveriam ser criados saites exclusivos para exposição de fotos de condenados e procurados pela Justiça, de desaparecidos, de placas de carros roubados, de motos e de outras ocorrências. 
Mas a principal utilização da internet deveria ser a liberação de cursos livres em todas as áreas de ensino, em especial das universidades públicas, com tutoria, com adequação na realização das provas. Ainda que inicialmente não se permitisse a avaliação virtual, que os alunos apenas realizassem pessoalmente as provas nas universidades. A não liberação irrestrito de ensino só se explica pela defesa do interesse dos donos de universidades particulares. Quem precisar que procure ajuda. Mas qualquer pessoa pode aprender apenas tendo acesso livre a bons conteúdos. Muita gente critica a rede em defesa do interesse próprio, embora não diga claramente. No caso dos políticos, para se distanciar da vigilância eficaz dos cidadãos e dos órgãos fiscalizadores. Qualquer que seja a razão de cada um para criticar, o mau uso é que deve ser criticado e evitado. Se bem utilizadas, as mil e umas utilidades da rede só trariam o bem a todos, especialmente ao bolso do cidadão de bem.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
     Bel. Direito

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14-04-2011

O corporativismo do cartão
Era o segundo mandato do governo Lula. Dilma Rousseff, hoje presidenta, era a chefe da Casa Civil, a ante-sala do poder. Dilma, substituindo o todo oneroso José Dirceu, com objetivo claro de atingir o governo anterior de Fernando Henrique Cardoso, resolveu dar mais uma espetadinha e divulgou dados sobre os gastos dos cartões corporativos utilizados pelo governo FHC.
Essa divulgação acertou em cheio a primeira dama, Ruth Cardoso, que foi despida e ridicularizada com seus gastos supérfluos, mais para uma dondoca que uma socióloga engajada em grandes causas nacionais, em todos os jornais do país. Era tudo verdade, mas da forma que foram apresentados os dados, estava clara a intenção de expor a senhora Ruth e colocar em dúvida sua consciência cívica. Pouco tempo depois, por certo ruminando uma mágoa civil, dona Ruth partiu, para espanto de todos. 
Hoje, a situação dos cartões corporativos continua a mesma, ou seja, o mesmo mistério inviolável e insondável quanto ao seu fim e meio junto ao governo federal. A justificativa para o mal praticado: segurança nacional. Ora, a segurança não é em relação ao que se gastou, mas sim ao que se gastará. É a fome da farra anunciada pelo poder vigente com o dinheiro público. Tudo isso, sob os olhos vacilantes da presidenta, que hoje está do outro lado da artilharia.
É claro que esperávamos da presidenta, depois da iniciativa inédita da divulgação dos gastos com o cartão corporativo, uma postura mais austera de seu governo em relação aos cartões, mais próxima do que ela hoje apregoa e cobra de seus ministros, como transparência total de cada ministério e seus gastos com o cartão corporativo. O exercício do poder exige, naturalmente, lisura e transparência, e isso a presidenta Dilma tem a clara visão, falta apenas ter a prática.
O grande problema é que poucos estão à altura de seu cargo em nosso país. Há sempre uma necessidade freudiana de aproveitar, de lesar o erário, de se beneficiar. São ministros com uma consciência cívica bem baratinha, bem sem vergonha, com uma mentalidade tapioca do poder.
Enquanto isso, estamos nós, com nosso salário mínimo, pagando o cartão de crédito com juros máximos, diariamente. A presidenta até hoje não deu uma palavra sequer sobre isso, sobre a farra permanente dos bancos em nosso país na cobrança dos juros, os mais altos do mundo. Para um governo que se diz comprometido com o social, era bom saber que a família brasileira incorporou, há muito, o cheque especial ao orçamento mensal. Ainda assim, estamos condenados a economizar na poupança a juros de 0,6% ao mês, pagando os juros dos cartões de crédito a 160% ao ano. Um verdadeiro disparate. Ou seja, os bancos têm 160 vezes mais influência no governo brasileiro que o povo. Essa é a triste realidade brasileira, a vida de quem vive sem as benesses dos cartões corporativos, a vida de quem vive distante e ignorado pelo poder.
Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor - www.petroniogoncalves.blogspot.com

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Diminuição da criminalidade é fantasiosa
Por Pedro Cardoso
Recentes reportagens trazem informações sobre a diminuição dos crimes nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Trata-se de uma verdade que não deve ser comemorada como grande feito, pois os índices de violência continuam astronômicos. A camuflagem sobre os números é percebida na linguagem utilizada no saite da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, ao informar a diminuição em percentuais, mas não traz os números absolutos da criminalidade.
Informa-se, por exemplo, que em 2010 os roubos de cargas diminuíram em 482 casos, que corresponde a 6,2% com relação a 2009. Os roubos em geral foram reduzidos em 23.591 casos. A informação seria mais condizente com a função pública se trouxesse o número absoluto do total de roubos, correspondente aproximadamente a 8.033 roubos de cargas e a 262.122 os roubos em geral.
Cabe explicar que roubo significa a coisa retirada ou a pessoa é forçada a entregar sob violência ou grave ameaça. Dentre os roubos não estão incluídos os furtos, quando os objetos são retirados sem o uso da força e sem a percepção imediata da pessoa furtada. Além disso, deveria haver pesquisa de quantos roubos não foram notificados, por falta de confiança nas polícias.
Sobre criminalidade no Brasil o que se disser é café requentado, assim como sobre as mortes resultantes das chuvas de verão no Brasil. Porém, cabe destacar que ninguém faz uma pesquisa, um estudo sobre os fatores que permitiram a violência chegasse ao patamar atual, de descontrole generalizado em todo o país, com maior gravidade em alguns estados. Mas as autoridades repetem todo dia que as decantadas medidas cabíveis estão sendo tomadas, cantilena que se ouve até de papagaios, mas sem resultados satisfatórios.
Qualquer um pode atravessar qualquer capital brasileira de ponta a ponta e não verá um policial na rua de um bairro periférico, nem uma viatura num semáforo. O que leva à justificada desconfiança pela população nas polícias e, por isso, nem sequer registra mais os furtos e assaltos. O trato do policial numa abordagem é generalizado como se qualquer cidadão de bem fosse um bandido. Essa abordagem vem sempre cheia de arrogância e de provações, quando não de safanões, dedos no nariz e xingamentos. Por mais que se afirme, parece nunca haver uma orientação séria pelos superiores sobre a conduta decente, apenas com autoridade, sem autoritarismo e sem ameaças gratuitas. Mas não resta dúvida de que as averiguações deveriam ser mais bem conduzidas e mais frequentes.
As cidades pequenas viraram destino seguro de carros e motos roubadas nos grandes centros. Comprar e vender carros e motos sem documento se tornou uma rotina natural. Alguém precisa explicar por que as autoridades não acabam com essa indústria do crime, apenas obrigando as polícias a fazerem blitze para exigirem a documentação desses veículos e apreenderem os que não estivessem em ordem. Este tipo de crime só cresce, se expande por todo o país, e nada é feito de concreto no combate.
A violência tornou-se o principal fator de alteração da geografia brasileira nos últimos anos. Em razão de insegurança, ninguém mora mais isolado na zona rural. Pequenos vilarejos são formados porque as pessoas se sentem mais seguras. Roubo e furto de animais, de galinha a boi, de arame de cerca, são parcos exemplos do descontrole absoluto na zona rural. As pessoas começam a reagir aos ladrões por conta própria, devido à ausência absoluta da polícia.
Como a maioria das delegacias nem funcionam à noite, muito menos atendem ao telefone, quando pessoalmente alguém consegue avisá-la de um crime, virou praxe a polícia não aparecer por falta de gasolina ou álcool nas viaturas. Isso merece uma investigação, já que deve haver uma quota destinada a cada localidade. Se verdadeira essa situação, seria mais coerente retirar as viaturas, pois viatura sem gasolina seria como um hospital com médico, mas sem aparelho e remédio.
Caberia verificar quanto dessa diminuição está relacionada à ausência de registro das ocorrências. Sem dúvida existem mais crimes do que os números oficiais apontam. Mesmo com certa desconfiança com relação à exatidão, os saites das secretarias de Segurança deveriam facilitar o acesso aos números. Na página virtual da Secretaria de Segurança de São Paulo só com muito trabalho se chega a esses números.
Por enquanto, cada governo afirma que ninguém trabalhou tanto quanto o seu no combate à violência; que as medidas estão sendo tomadas e que estão trabalhando. Nada mais óbvio. As medidas nunca são detalhadas e mesmo as mais comezinhas, como blitze permanentes, não são vistas pela população. É preciso descobrir como a sociedade forçará às autoridades encararem a criminalidade com ações firmes, concretas e com a seriedade devida.
Há outros fatores que contribuem para o aumento ou falta de solução da criminalidade que precisariam ser abordados com mais profundidade. Alguns são incentivadores, como a morosidade injustificável da Justiça, as chamadas várias passagens pela Polícia, a corrupção nas corporações policiais, a frouxidão das leis penais, o caos nas prisões, e um viés claro de proteção ou tolerância ao banditismo pelo Estado brasileiro. O presidente Lula referendou essa benevolência, ao presentear a sociedade brasileira com mais um bandido.
Talvez por sermos uma maioria crente em Deus, as polícias militares brasileiras sejam parecidas com Jesus Cristo. Ninguém as vê, mas não se tem dúvida que elas existam. Nada é mais desolador e explicativo, por si, do que a diminuição da criminalidade ficar em trezentos mil roubos somente no estado de São Paulo no período de um ano. Esse número exige calculadora. Ponto para eles.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
          Bel. Direito
ACREDITE: "NÃO HÁ DEMOCRACIA ONDE O VOTO É OBRIGATÓRIO" 

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05-02-2011

Fatos Pouco Revelados Sobre José Sarney

Por Stephen Kanitz
José Sarney foi para Tancredo o que Jose Alencar foi para o Lula.
Um membro da "direita" que apoiou a esquerda, e assim tranquilizou a população de centro e centro direita.
A chapa Tancredo-Sarney obteve 72% e terminou a ditadura militar. 
Jose Sarney era na época muito mais influente do que José Alencar.
Jose Alencar queria assegurar o seu imperio de empresário, e pode-se argumentar que Sarney queria manter a sua influência política. Mesmo assim é uma grande diferença.
Mas num artigo do "Foreign Affairs", o agora Presidente Sarney, escreve.
"Na noite antes da posse de Tancredo, eu estava deitado, meio deprimido, com o fim inglório de minha carreira política.
No Brasil um Vice é esquecido, não faz absolutamente nada.
Nos Estados Unidos pelo menos ele é o Lider do Senado.
"Estava resignado a ser ninguém, mas feliz em poder ter redemocratizado este país. Foi quando a Roseana entrou dizendo. Pai ....."
Seu apoio político em 1985 era inexistente.
odiado pelo PMDB, execrado pelo PFL, era um governo fadado a implodir, para a alegria dos Militares que torciam neste sentido. "Avisamos ...."
Manteve todo o Ministério de Tancredo, e aceitou ser refem do todo poderoso Ulisses Guimarães, do que complicar a já delicada situação.
Ulisses Guimarães indicou pelo menos 50% dos cargos de confiança, e controlou a Nova Constituição, um dos grandes desastres deste país.
Sarney não pode fazer absolutamente nada, só lutou pelos 5 anos porque achou isto um insulto pessoal do Ulisses, que queria ser Presidente um ano mais cedo.
Os 5 anos não eram para o Sarney, eram contra o Ulisses.
Imaginem o que teria feito Jose Alencar, substituindo Lula, e tendo de ser refém do José Dirceu.
Alencar teria rompido em menos de um mês, criando uma crise institucional extremamente grave.
seria demitido Henrique Meirelles porque "ele recusa abaixar os juros para a Coteminas e a FIESP". 
A única chance de mudar o Ministério que Sarney teve, foi quando Dilson Funaro foi demitido pelo fracasso do Plano Cruzado.
Sarney convidou um Administrador formado pela FGV São Paulo, experiente empreendedor e governador Tasso Jeiressatti. 
Encontrei com ele no dia, e pulei de alegria. Finalmente o Brasil teria um Ministro da Fazenda que entenderia do assunto. 
Ulisses Guimarães ficou sabendo, vetou a indicação, e exigiu como Ministro da Fazenda o economista e mais do que confuso, Bresser Pereira, que foi outro desastre.
O Plano Bresser está sendo discutido até hoje na Justiça. Uma questão de vários bilhões. 
Portanto há algo estranho nas afirmações que circulam no Twiiter como "Que país é esse que eterniza um ser abominável como o Sarney"
Sarney não causou nem um centésimo de prejuízo a nação do que Ulisses Guimarães, que foi quem comandou o seu governo.
Não há aqui mais um caso de prepotência Paulista e preconceito nordestino ?
Sarney pode representar o atraso, mas Ulisses Guimarães e seus meninos implantaram o atraso que foi esta Constituição.
Trabalhei no Governo Sarney, fui assessor do Ministro do Planejamento, e vou contar um fato pouco revelado sobre a sua participação no Plano Cruzado.
Dia 15 de Janeiro, os maiores expoentes da época, aqueles que Maria Conceição chorou, "meus meninos do Cruzado", se reuniram para tomar a decisão final quanto implantar ou não o Plano.
Algo que nunca é revelado, 8 votaram contra, os mesmos que depois se deixaram fotografar como herois.
Os únicos que votaram a favor, e foram vencidos, foram João Sayad, Percio Arida, Andre Lara Resende, e Jorge Murad, o genro de Sarney e chefe da Casa Civil.
Diante desta decisão, João Sayad ameaçou pedir demissão como Ministro, num belo discurso sobre a necessidade de coragem, o que o grupo não teve.
Então como o Plano Cruzado foi efetivamente implantado ?
Quem teve a coragem politica de seguir em frente, obrigando o Ministro da Fazenda a mudar de voto?
Para quem não sabe, parte do Plano exigia REDUZIR os salários de 50% dos trabalhadores brasileiros, para a média de salários do mes, e aumentar 50% dos salários para a mesma média, em dólares por assim dizer. Imaginem a reação da CUT. Impeachment na certa.
Jorge Murad, comunicou ao Sogro o desastre da reunião, mas reiterou o seu voto a favor. Tinha chance de dar certo, mas tinha chance de terminar em impeachment, ou nova encrenca militar. 
Dois dias depois Sarney estudou e gostou do Plano, e foi em frente: Tomou a decisão que os 8 meninos não tomaram, e que por isto mesmo falam mal dele a torto e direito
Assumiu um risco político que FHC jamais assumiu com o Plano Real. Foi o Itamar e tinha muito menos risco.  
"Só tem uma única condição", disse Sarney. "Tirem aquele francês que está preso em Fernando de Noronha. Não quero ficar dividindo cela com um bandido para o resto da minha vida".
O fracasso do Plano Cruzado foi porque os meninos do Cruzado esqueceram de trazer a valor presente os preços a prazo. 
No Brasil 80% dos preços são a prazo, 50% de 30 dias, 30% de 60 dias. A vista R$100, 30 dias R$117 e 60 dia R$134, porque a inflação era 17%. Os 3 preços são rigorosamente iguais, em termos reais.
Mas esqueceram deste detalhe. Ao congelerarem os preços, aumentaram os preços em 17% para alguns,  34% para outros, num plano que deveria "acabar" com a inflação.
Alem de aumentarem os preços, mudaram os preços relativos, causando caos, e o fim do plano, já no dia 1. 
Este erro é que deu origem a minha frase "Não São Os Grandes Planos Que Dão Certo Na Vida, São Os Pequenos Detalhes".
Detalhe esse que era obrigação dos meninos detectarem e não o Presidente Sarney.
se Sarney tivesse colocado Tasso Gereissatti como ministro, estaríamos hoje na Frente da China.
Sei que vou receber centenas de Unfollows por parecer apoiar Sarney, mas não estou dando apoio incondicional, simplesmente afirmando que naquilo que eu pessoalmente pude observar de perto, a historia é outra.
Os dados sobre o Senador Sarney, eu tiro da imprensa, aliás nunca me encontrei com ele.
Também estou impregnado com o mesmo meme negativo que voces estão, e não gosto do que leio. Mas talvez existam fatos pouco revelados pela imprensa como estes que não sabemos.
Tenho certeza que a Fundação Sarney é um monumento de fato patológico, mas talvez de um homem amargurado por não ser reconhecido, pelo pouco que ele pode fazer no seu governo, mas fez.
Tenho certeza que é isto que está por traz do desejo de Sarney ser Presidente do Senado.
Ânsia patológica para ser reconhecido, o que lhe foi negado pelos historiadores e todos os políticos da Arena que ele traiu, e do PMDB que nunca o aceitaram.
Para quem estava ciente que sua carreira terminara em 1985, não faz sentido ele ainda querer ser reconhecido.
Sarney, volte para casa, você merece.
Vá cuidar dos seus netos, eu pelo menos sei que você fez muito mais pelo Brasil do que os intelectuais bobos que temos. 
Este blog tem muito mais credibilidade do que a Fundação Sarney, e aqui está finalmente registrado o que você fez e foi muito. Obrigado.

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31-01-2011
Tragédia recorde
Por Pedros Cardoso
Como se repete todo ano a qualquer chuva mais intensa, essas tragédias só trazem comoção quando a quantidade de mortos assusta inicialmente. Morrendo aos poucos, podem morrer mais do que duas tragédias dessas e não comove a mais ninguém. A falta de algo novo a dizer é o primeiro problema inicial a calar todos com essa repetição ano após ano.
Que as pessoas constroem em área de risco todos já disseram e se sabe disso há décadas. Condenam quem se arrisca, mas pouco se fala sobre quem deveria evitar e permite as construções irregulares em área de risco. O argumento batido de que ninguém mora em lugar de risco por opção é simplório por não dizer que as pessoas precisam criar condições de possuírem moradias seguras. A maioria que mora em barracos tem filhos em abundância, condição que poderia ser evitada com a conscientização de que família ou filho precisa ter moradia segura.
A tragédia da região Serrana do Rio de Janeiro foi inovadora pela dimensão. Por destruir cidades inteiras, não se pode dizer que essas cidades também fossem irregulares por inteiro.
Os famosos aparelhos de alerta sobre as chuvas são necessários para evitar catástrofes, mas não como solução. Ora, o poder constituído tem de fazer o que, e como, se deve ser feito. O ideal é que não se permita as construções, irregulares ou legais, em área de risco.
Que as verbas liberadas como auxílio funeral muito já se falou, mas se repete do mesmo modo. Elas não aplicadas em prevenção para serem liberadas como benevolência dos governos após as tragédias.
Todos já sabem de cor de que não há responsáveis por essas tragédias e eis o motivo principal pela falta de solução. Os atuais governos colocam a culpa nos anteriores, mas ninguém investiga quantas obras engolidas foram construídas já nas gestões atuais.
Então, sobre qualquer coisa que se disser, já fora dito antes. Já escrevi alguns textos sobre o mesmo assunto, como Tragédias anunciadas, quando Santa Catarina imergia na água; Rio de Tragédias, quando se imaginava que o Morro do Bumba teria sido o limite da irresponsabilidade dos governos; e mais recentemente o Novela de todo Verão, quando as águas levaram duas crianças em São Paulo, dando início ao show de horrores.
Apenas cabe reafirmar a antiguidade do problema. O jornal Folha de São Paulo, de 26 de dezembro passado, trouxe a manchete de 50 anos atrás. O título desse quadro é “Há 50 anos”. Dizia a manchete de 26 de dezembro de 1960: “governador sobrevoa região atingida por enchente em SP”. Na matéria, havia citação de que o governador ficara impressionado com a extensão e gravidade das inundações...que recomendara urgência na adoção de todas (repita-se: todas!) as medidas que se fizerem necessárias... Parece que as palavras saíam da boca de Sérgio Cabral, de Gilberto Kassab ou de Geraldo Alckmin agora, somente 50 anos depois. Porém no mesmo caderno Cotidiano a manchete destacava 130 invasões irregulares de abril a setembro de 2010 apenas na cidade de São Sebastião. Está a explicação pela falta de solução. Mas se há órgão que possa cobrar das autoridades ninguém diz qual.
Mas a cobertura da imprensa brasileira poderia ajudar se fosse além do melodrama de apontar a solidariedade do povo brasileiro ao repassar roupas usadas e mantimentos. Ao invés de somente pão e água para os desalojados e desabrigados, que fosse solidário para pressionar as autoridades a solucionarem o problema.
Além de buscar de forma incisiva a manifestação das autoridades atuais, que nunca são responsáveis por nada, para dizerem o quê estaria sendo feito agora para evitar tragédias, e quando essas medidas, no ritmo do andamento atual, chegariam à solução. Por mais que as autoridades gaguejassem, a resposta seria nunca, porque nada está sendo feito. De concreto, só muito blablablá das autoridades e excesso de conivência de quem pode espernear-se.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
     Bel. Direito

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24-01-2011
Por Stephan Kanitz

Homens Casados Dormem Muito Melhor Que os Separados e Solteiros
Artigo impróprio para menores do que 40. Favor, não insistam.
Não aguento ouvir de amigos recém separados como eles estão se divertindo, dormindo com uma mulher após a outra.
"Agora temos o que não tínhamos quando jovens, dinheiro".
"Não entendo vocês casados, vocês não se enjoam sempre com a mesma mulher? "
Tenho a certeza que a maioria dos casados ficam deprimidos ao ouvir estas conversas. Deixam-nos sentindo uns perfeitos idiotas. 
Só que descobri que os recém separados omitem boa parte da verdade.  
Primeiro eles perdem metade do patrimônio e 30% do salário.
Ficam pobres do dia para a noite e por isto trabalham até as 10h da noite para compensar.
Aí as 10h05 voltam para casa para tomar um banho e comem mal, porque agora a geladeira normalmente está vazia ou com a comida errada. 
Às 11h00 eles se vestem, se perfumam e vão atrás deste sexo tão fantástico que dizem.
Como de domingo a quinta os amigos não dão festas, eles pegam o carro, e saem procurando Botecos, Baladas, Gafieiras e Singles Bar para caçar. 
Chegando lá, e ao contrário do que dizem, as mulheres não são tudo aquilo, as mais lindas já estão casadas com o Chico Buarque de Holanda.
Por isto, a primeira coisa que fazem é beber duas cervejas para poder encarar.
À 1h hora da manhã, percebem que o única que está olhando é um velho, provavelmente outro separado perdido como você.
Às 2h finalmente criam coragem, e convidam uma para ir para o motel.
O resto é um desastre. Ela não tem a menor ideia como agradar e vice versa.
Em vez de agradar, cada um está usando o outro, e ninguém sai satisfeito. 
Às 3h30 seu amigo se veste de novo, pega o carro.
Às 3h35 a desconhecida começa a chorar e contar a vida de separada e do ex que não paga a pensão.
Enquanto Tudo Isto Está Ocorrendo:
Homens casados estão na cama às 11h em ponto, banho tomado e bem alimentados.
E à meia noite, mais ou menos, estão dormindo abraçados com uma linda mulher, e o que muito os envaidece, com um belo sorriso nos lábios.

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29-12-2010
Cadê o bom senso ?
Prof Rosildo Barcellos
     Particularmente não aprecio dispor os assuntos apenas em dados estatísticos,mas neste caso,por parecer que as pessoas,os condutores e os pais em geral não acreditam que o acidente possa acontecer com ele,acha que pode acontecer sempre com outra pessoa e não toma as devidas precauções,questiona regularidade das multas e das abordagens em vez de por a mão na consciência e aceitar o erro antes da culpa.E por que digo isso: é simples,enquanto o policial está fazendo seu papel de explicar o porque da autuação e num momento posterior da conferência de documentos lavrar  realmente  o auto de infração é apenas a aceitação do erro,ou seja pode ser corrigido.Mas depois que o acidente acontece e a lá mesmo no local do acidente você vê seu filho machucado,debilitado ou mesmo fenecido é que vem a pior parte ..a culpa. E um dos pontos que uma pequena mas resistente parcela de condutores bate o pé e esquece de utilizar e de cobrar a utilização do cinto traseiro e a utilização do bebê-conforto,dos assentos de elevação e das efetivas “cadeirinhas”.
     Por isso digo que hoje venho com fulcro na matemática e  estimativas apontam que mais de 2,7 mil crianças morrem por ano no trânsito brasileiro, sendo que, desse número, 71% poderiam ser salvas com a utilização correta de um equipamento de segurança. Neste  feriado de Natal, que inclusive, estive auxiliando os colegas na orientação e na repressão destes atos; pelo menos 91 pessoas morreram nas estradas federais do país.  Acredito que infelizmente, a sociedade ainda considera o acidente de trânsito uma fatalidade, e não algo provocado ou que pode ser evitado;e eu digo PODE!. Ainda é admitido que as pessoas bebam ou dirijam com pressa, por mais que eu repita que a velocidade máxima na via é de 80km/h. Creio que esses números só vão chegar a um patamar aceitável quando a sociedade se comprometer com atitudes seguras e entender a real função do policial resgatista que atua nas vias e rodovias desse Brasil.
     Causa uma tristeza pessoal eu ver recursos de infração,com alegações desprovidas de supedâneo,tentando o impossível, porque foi autuado. Mesmo o policial mostrando que a criança está no banco de trás,dormindo,sem proteção,sem cinto,sem a cadeirinha a resposta é sempre a mesma: ele é criança está só dormindo, porque a multa? Cadê o bom senso ? Bom senso é fazer o que é correto! Mas mesmo em meio a essa tristeza o que nos faz continuar esse trabalho árduo de orientação é quando recebemos a informação de que mesmo acidentado,todos saíram lesos,como foi o caso de um acidente que ocorreu nesse período de natal, envolvendo um veículo Corsa, placas DXZ 5640, de Campinas, que infelizmente se projetou em um sinistro. O motorista Amaury Nascimento, 41 anos, contou que um canino estava no meio da pista e, ao fazer a manobra para tentar desviar do animal, perdeu o controle do veículo. O carro bateu na guia da rodovia e acabou capotando, sendo jogado metros adentro do canteiro lateral.Além do motorista, haviam outras quatro pessoas com ele. Sua esposa, Mirian Cilene Freitas, 40; o cunhado, Walter Silva, 59; um sobrinho de 15 anos e a filha do casal, uma garota de 3 anos e três meses.Desses, somente Walter Silva bateu a cabeça, entretanto, não corre qualquer risco de morte. Já a garota saiu sem qualquer ferimento pois, ela estava ajustada à cadeirinha.
     Ressalto que em relação a autuação,os motoristas que descumprirem a lei estarão sujeitos a penalidade prevista no artigo 168 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que considera a infração gravíssima e determina multa de R$ 191,54, além de acréscimo de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a retenção do veículo até que a situação seja resolvida.Não entendo o porque o único acessório de um veículo capaz de diminuir em 50% o risco de morte em um acidente... o cinto de segurança; é desprezado por motoristas e passageiros, principalmente os que sentam-se no banco traseiro do veículo        
     Esquecem-se porém,que caso ocorresse algum acidente, os  passageiros dos bancos de trás seriam lançados simultaneamente para cima e para frente, e, após baterem a cabeça no teto do carro, cairiam sobre quem estivesse nos bancos da frente . Inclusive cerca de 80% das mortes de pessoas que estavam no banco da frente com cinto foram causadas por quem vem do banco de trás.Por isso reitero que para o ano novo há de se ter um cuidado redobrado com a colocação correta do cinto de segurança pois o principal obstáculo a ser enfrentado é a falta de conscientização da importância de utilizar o dispositivo no banco traseiro. Em uma colisão frontal até 80 km/h, o cinto de segurança é bastante efetivo.Inclusive para ilustrar meu comentário, já existem programas de educação de equipes de dentro dos hospitais preocupada com a quantidade de pacientes que dão entrada  por causa de lesões na coluna ou cerebrais decorrentes de acidentes, a Rede Sarah por exemplo tem relatórios informando que 54% dos pacientes internados em um dos hospitais da rede sofreram acidentes no trânsito. E estes são, em maioria, jovens entre 10 e 29 anos, que provavelmente terão dificuldades de desenvolver a sua fase de investir em desenvolvimento intelectual ou participação no mercado de trabalho.
     Outro comentário que desejo fazer reside no fato de que  a infração por não uso do cinto de segurança fica atrás apenas das infrações de excesso de velocidade (9.834.097) e ultrapassagem pela contramão (1.168.189). De janeiro de 2004 até julho de 2010 foram 978.870 infrações pela falta do cinto em todo o país. Em relação ao transporte de crianças sem a observância das normas, utilizamos os dados do Renainf que registrou 24.618. O Renainf é um sistema que permite aos órgãos integrados aplicar multas a partir de placas de veículos cadastradas em qualquer uma das 27 unidades da Federação e também enviar para o prontuário do condutor responsável pela infração a pontuação de penalidade equivalente à multa aplicada. Não acredito ser difícil mudar esse quadro. Aliás para mim é muito fácil,basta um pouco mais de atenção e cuidado com seu filho.Fazer a revisão do veículo antes de “pegar” a estrada, conferir os documentos pessoais,tanto dos adultos como das crianças, as carteirinhas do plano de saúde, acondicionamento correto dos animais, não deixando soltos pelo carro. Se deu cansaço,parar num hotel,entrar na cidade,fazer refeições leves enquanto não acaba a viagem. Parar de duas em duas horas,esticar as pernas, ir ao banheiro, conferir o cinto das crianças, aproveitar a paisagem,seguir a sinalização  e enfim chegar ao destino em paz e segurança. Experimente, depois me conta se a viagem não foi diferente! A utilização do cinto de segurança traseiro,a “cadeirinha” fez,faz e fará uma diferença primordial na sua viagem. Isso é bom senso.E isso fará a diferença no ano novo para muitas famílias!
*Articulista

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23-12-2010

Reflexão de Natal
Por Rosildo Barcellos
Quando vejo as luzes das árvores de natal espalhadas pelos lares de
toda a cidade, e recordo-me das crianças à espera do presente que o
bom velhinho poderá trazer .Quando ouço as canções de natal levadas ao
ar pelas emissoras de rádio da cidade, nos auto-falantes das lojas e
das praças; quando vejo as pessoas alegres e apressadas a carregarem
presentes para seus entes queridos e amigos; quando vejo as mesas
repletas de variados tipos de refeições, sobremesas, bebidas e
guloseimas sem fim, sinto um alívio em meu coração.
Entretanto logo paro a tão maravilhosa reflexão em que me comprazia
absorto já por um bom tempo, e fico a reviver as lembranças do Natal
dos anos anteriores onde tudo aconteceu dessa mesma forma, mas, logo
após o início das comemorações e festejos natalinos, alguns antigos
hábitos retornavam, a rotina tomava conta dos dias e o excesso de
bebidas, de orgulho, de egoísmo, faziam propugnar seus resultados
funestos, as brigas, as discussões o desrespeito, a inversão de
valores, a falta de caridade e fraternidade, nos lares e nas ruas são
retomadas.
E é nessa hora que pensamos em desistir, deixar de lado, o ideal e os
sonhos; e até pensei em não continuar esse artigo parando por aqui e
por fim bater em retirada, com o coração amargurado pelas injustiças
que foram feitas contra nós durante o ano. Sim, quantas vezes sentimos
o peso da responsabilidade, sem ter com quem dividir; a incompreensão,
as calúnias, as injúrias, o desconforto, as ausências.
Mas então eu lembro. Não, não posso parar. Não posso deixar minha voz
se calar depois de tantos anos de luta. Se eu esmorecer, quantos mais
ficarão? E então continuo a escrever e indago: O quanto temos ajudado
nossos filhos, maridos, pais, irmãos, amigos, namorados a serem menos
ambiciosos e mais amorosos? O quanto temos incentivado o diálogo ao
invés da violência, do destempero...do ciúme?
O quanto temos desejado a paz e lutado por ela, ou temos competido sem
limites para que termos novos carros, novas casas? Não se preocupe...
eu já sei a resposta. Mas não posso deixar de alertar: cuidado para
não se machucar na cerca do individualismo que os separou até agora de
seu vizinho; tampouco correr o risco de se atropelar nos espinhos do
egoísmo. A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que
fazemos do que temos. Insista... em progredir, em dividir, em
acreditar, em ser.
Posto isso, vamos pensar em um 2011 diferente. Vamos fazer deste Natal
algo novo. Vamos transformá-lo em um ciclo de amor, de fraternidade;
menos egoísmo, violência, exploração e escravização do homem pelo
homem. Que os nossos governantes e representantes estejam imbuídos de
seus deveres e obrigações, exercendo os poderes que lhes foram
conferidos, à felicidade de seus outorgantes, o Povo.
E que ali mesmo na sua simplicidade você possa fazer mais, alcançar
mais, entretanto, sem a necessidade de pisar em ninguém ou de
prejudicar alguém para ter seu espaço. Vamos transformar a lógica
competitiva e excludente do sistema em práticas de solidariedade e
inclusão e que por fim desejo que no meu artigo de natal de 2011 eu
esteja escrevendo sobre a sua alegria, sobre as suas realizações, pois
se seus objetivos são atingidos e se seu objetivo é a amizade... um
dia você me atinge de uma forma ou de outra, como estou lhe atingindo
agora. Feliz Natal.
*Articulista

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21-12-2010
Deputados mais caros do mundo
Por Pedro Cardoso
Tai um assunto que poderia ser classificado como mais novela brasileira, de final feliz apenas para os atores e de uma tristeza profunda para seus telespectadores. Os congressistas brasileiros são os mais caros do mundo. Muitos, de graça, já seriam muito caros.
Na iniciativa privada, qualquer remuneração salarial tem contraponto no resultado trazido pelos assalariados. Do trabalho do Congresso Nacional, a qualidade da educação, do atendimento na saúde e na área de segurança, principais atribuições ou serviços da Administração Pública, trazem sofrimento e geram angústia em todos.
Só para relembrar, num recente índice do Programa Internacional de Avaliação de Alunos- PISA o Brasil obteve a 54ª posição dentre 63 países pesquisados. Só 9 países apresentaram índice de aprendizado inferior. Na saúde, a jovem Stephanie Teixeira tomou vaselina em lugar de soro no hospital particular São Luiz Gonzaga, localizado na Zona Norte da mais desenvolvida cidade do país. Na Zona Sul da mesma cidade, o garoto Luiz Otávio foi internado no hospital público municipal M’boi Mirin para operar de fimose e saiu com três diferentes cirurgias, menos a de fimose. Retiraram até as amígdalas. E sobre a segurança pública, os assaltos a joalherias, a bancos e a carros-fortes dispensam comentários sobre violência em setores menos protegidos.
Esses são parcos exemplos de acontecimentos extremos de uma vastidão e até rotina de outros tão graves, mas que não chegam ao conhecimento público. Essas funções essenciais parecem nem ser de responsabilidade dos congressistas.  Pudera; seus filhos e familiares passam ao largo das escolas públicas, onde deveriam ser obrigados a estudar, mesmo como simbologia; não conhecem hospitais públicos, a não ser os de referência, e andam em carros blindados e cercados por seguranças.
Com serviços dessa magnitude, esse Estado é o mesmo que paga mais aos seus representantes do que Estados Unidos, Japão, Inglaterra e todos os demais. Por cima, com seus gracejos habituais, o presidente Lula, ao invés de condenar, enaltece. Ninguém incorpora tão bem a fase de Joãozinho Trinta mais do que Lula, de que pobre gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual.
Especificamente nas Casas, episódios graves foram constantes. Venda irregular da quota de passagens aéreas, fraudes na verba indenizatória, atos secretos para nomear parentes e afilhados políticos, além das recentes emendas para entidades-fantasma.
Quanto à cobertura da imprensa, tem-se que aguardar o programa humorístico CQC, Custe o Que Custar, da TV Bandeirantes, botar os parlamentares para correr. Poucos veículos de mídia ou de comunicação buscou resposta deles para esse auto-presente de fim de ano, que beira o escárnio junto à opinião pública. 
Nem se fale da passividade de todos nós. Também não se tem uma noção exata do que fazer, embora seja relevante repudiar de alguma forma. Passar e-mail e telegramas, encaminhar cartas e efetuar telefonemas, mesmo que não passem dos auxiliares de limpeza dos gabinetes. E os famosos órgãos representantes do povo parecem não existir nessa hora. Ninguém conhece a posição da Ordem dos Advogados do Brasil-OAB, da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, da União Nacional dos Estudantes-UNE, das federações da indústria e de comércio, e de tantas outras. 
Precisa-se dar um basta nessa inversa correlação de quanto mais pobre o país mais regalias e mordomias têm seus políticos. A qualquer custo, diga-se. Um dia nós acordaremos e colocaremos rédea nesses congressistas a fim de convencê-los a atuarem como representantes do povo. Bastante desqualificados, mas somente empregados. Enquanto a sociedade brasileira continua inerte, o Brasil continuará campeão do mundo apenas naquilo que vai para o ralo. E com os congressistas mais caros do mundo.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
     Bel. Direito

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Dilma Rousseff começa mal
Por Pedro Cardoso
Mas ainda está zunindo nos ouvidos de todos os brasileiros e as brasileiras as promessas de investimentos de dois milhões de moradias e seis mil creches feitas repetidas vezes pela candidata, com ênfase avermelhada num misto de ódio de quem duvidasse e de certeza aos que nela confiassem.
Nem tomou posse e já está falando em cortes de todo lado. Seus auxiliares não citam se a construção dos dois milhões de casas e as seis mil creches será afetada e se, em caso afirmativo, quando começarem haverá aceleração de fato para  compensar o tempo perdido. Definitivamente, promessa de candidato é a segunda maior mentira do mundo, depois das juras de amor eterno nos casamentos religiosos. Mas não são as mentiras de candidatura de Dilma Rousseff que são os motivos principais de seu mau começo.
A escolha de Antonio Palocci como ministro da Casa Civil trará à memória do brasileiro a imagem do humilde caseiro Francenildo Costa sendo exortado e humilhado porque vira o ilustre futuro presidente da República em reuniões importantíssimas e secretas com suas auxiliares numa mansão de Brasília.  Dessa manifestação surgiu a violação do seu sigilo bancário e aí está o xis da questão. Pode ser que ele se desagrade com toda sociedade ou com determinados segmentos, como no exercício de função pública, e todos os sigilos bancários e fiscais vão parar no Wikileaks.  Pior do que a escolha de Palocci foi a manutenção de Fernando Haddad como ministro da educação, depois de sucessivos e diversificados problemas com a realização da prova do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM. Nos últimos anos não houve a realização de uma sem problema, de forma regular. 
Tradição não falta; tanto de violação de sigilos quanto de malfeitorias da Casa Civil. E a dúvida maior é se desta vez ele precisará alugar mansões para suas festinhas fantasiosas. E ninguém da imprensa nem sequer se lembrou de mencionar esses riscos, tanto pelo passado do ministro e, também, pelos desastrados ex-ministros da Casa Civil. José Dirceu teve o mandato cassado por conta daquele dinheirinho de caixa dois distribuído entre os pares, e a senhora Erenice Guerra defenestrada por fazer da Casa Civil a casa de negócio da sua família.  
Agrava o mal começo a discussão da recriação da Comissão Provisória sobre Movimentação Financeira, a famosa CPMF, que foi criada para melhorar a sistema de saúde pública, vigorou por mais de uma década e a resposta de sua eficácia é dada todo dia pelos programas policiais de televisão. Homem que vai fazer exame para auxiliar a ter filhos e sai operado de vasectomia; criança que entra para operar fimose e sai com três delicadas cirurgias; menina que toma vaselina em lugar de soro. São os exemplos mais destacados de uma cadeia nacional de atendimento desse nível, que nunca foi diferente com ou sem CPMF.
Alguns aspectos precisam ser lembrados à senhora Dilma Roussef. O atual presidente tem aprovação nas nuvens. Ela se tornou presidenta como resultado de uma invenção dele. Por conta própria talvez se elegesse deputada federal. Lula, com o pronunciamento sobre a redução nas obras do PAC, já demonstrou que começou sua campanha para 2014. E o mesmo filho PAC, que fez Dilma Rousseff presidente, retirará dela o mater poder e a Presidência da República. Nem precisa falar no Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB, principal aliado, para se concluir que, com essas medidas, não poderia haver pior começo, mesmo antes de tomar posse.
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
     Bel. Direito

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foto madeira 004.jpgCodicilo

Prof Rosildo Barcellos

    Codicilo é o ato de última vontade, destinado, porém a

disposições de pequeno valor ou recomendações para serem atendidas e

cumpridas após a morte. Pode –se dizer também que trata-se de um

escrito particular feito de próprio punho pelo testador, sendo ele

simples, informal, eivado de limitação, uma vez que viabiliza em tese,

as disposições  de pouca monta. Difere-se do testamento, que este por

sua vez é formal, e  solene.Está previsto  no artigo 1.881 do Código

Civil.Portanto, o codicilo poderá ser usado para legar móveis, roupas

ou jóias. De pouco valor, de seu uso pessoal; nomear e substituir

testamenteiros; reabilitar o indigno; reconhecer filho havido fora do

matrimônio, uma vez que o artigo 1.609, II do Código Civil permite tal

ato por escrito particular sem maiores formalidades. Enfim inclui

várias possibilidades nesse sentido,inclusive a música que será tocada

em seu velório

    Todavia neste artigo vou considerar o codicilo de meu pai como a

sua última vontade e ele dizia:” Nunca esqueça de usar tudo que sabe

sobre o trânsito em favor das pessoas” -  e seguindo seu desejo venho

mais uma vez explicar as mais recentes alterações num item que eu

considero extremamente importante e eficaz e que estava sem mudanças

desde 2002 e que tratam do dispositivo retrorrefletores  e que fazem

realmente a diferença no período noturno. Ressalto,pois, que tais

dispositivos deverão ser afixados nas laterais e na traseira do

veículo (ecolares,ônibus e de carga), ao longo da borda inferior ou

opcionalmente, no caso dos siders, sobre o bandô existente na parte

externa,alternando os segmentos de cores vermelha e branca, dispostos

horizontalmente, distribuídos de forma uniforme e cobrindo no mínimo

33,33% (trinta e três vírgula trinta e três por cento) da extensão das

bordas laterais e 80% (oitenta por cento) das bordas traseiras do

veículo da frota em circulação; O para-choque traseiro dos veículos

deverá ter suas extremidades delineadas por um dispositivo de cada

lado, excetuando-se aqueles já dotados de faixas oblíquas Os cantos

superiores e inferiores das laterais e da traseira da carroçaria dos
veículos tipo baú e afins, deverão ser delineados por dois
dispositivos de cada lado, fixados junto às bordas horizontais e
verticais, e o seu comprimento maior deverá estar na vertical.
    Outro fato que sempre encontro nas minhas fiscalizações é que há
ainda um grande número de faixas refletivas falsificadas e aproveito
esse espaço para fornecer algumas dicas de como descobrir esse
equívoco:
Se a parte branca da faixa refletir a luz do dia nas cores verde e
azul, ela é falsificada, as faixas originais refletem luz prateada.
 2- Passe um pouco de acetona na parte vermelha da faixa, se a tinta
sair, ela é falsificada.
 3- As faixas refletivas homologadas tem seu desenho em forma de
colméia, as falsificadas não.
 4- As faixas originais tem a inscrição Aprovado pelo Denatran gravada
internamente, nas faixas falsificadas é possível remover a inscrição,
pois ela é gravada externamente.
 5- Faixas falsificadas são isentas de conspicuidade (capacidade e
chamar a atenção dos outros condutores) e   possuem pouco poder de
reflexão ou seja  sua eficiência é extremamente reduzida o que
inviabiliza sua real função que é a de tornar visível um automotor e
assim reduzir a possibilidade de um acidente.Esta norma está em vigor
desde 26.11.2010.
*Articulista

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Um corpo insepulto
Por Petrônio Souza
Eram os anos de chumbo no Brasil. No Chile, muitos brasileiros viviam o exílio, entre eles o jornalista mineiro José Maria Rabelo, que dirigia um importante instituto na periferia de Santiago. O sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que sempre fazia questão de se mostrar boa praça entre os exilados - Fernando Henrique viveu um exílio voluntário - ostentava o cargo de diretor das Organizações das Nações Unidas. Uma bela noite, atendendo ao convite de José Maria Rabelo, Fernando Henrique fez uma bela palestra em seu instituto.
Ao final do evento, sabendo que José Maria não possuía carro, Fernando Herinque, que morava na mesma região do amigo brasileiro, perguntou em alto e bom som: “Zé Maria, você está de carro?”. Zé Maria ao dizer não, aceitou a carona de Fernando Henrique. Depois de muito rodar pela capital chilena dentro do imponente Mercedes-Benz da ONU, a chuva os pegou nos arredores de suas casas, quando, surpreso, Zé Maria ouviu constrangido a pergunta de FHC: “Ô Zé Maria, aqui já está bom para você?”. Como manda a boa tradição mineira, Zé Maria respondeu baixinho: “Uai, está bom sim”. E foi deixado ali pelo amigo, na chuva e no frio, até terminar sua viagem de taxi.
Fernando Henrique Cardoso só não sabia o que o destino havia lhe reservado. Anos depois, foi deixado, entre uma palestra e outra, na chuva e no frio pela história, se tornando um exilado em seu próprio país.
FHC é um clandestino ideológico, um corpo político insepulto, que espalha seu mau cheiro entre aqueles que estão a sua volta, aqueles que vivem a sua sombra. José Serra e Geraldo Alckmin sabem muito bem o quanto é desagradável esse mau cheiro e que nada, ou quase nada, cresce a sua sombra.
Pesa sobre o cadáver político de FHC uma política entreguista, usurpadora, servil; de doação do patrimônio público; submissão à política internacional, ao FMI; o sucateamento do Estado, dentro de uma política de administração zero; de adoração ao mercado financeiro - essa entidade sem rosto e sem pátria; as medidas antinacionais e antipopulares; o culto extremado à vaidade, ao personalismo; o compadrio; o fisiologismo; o mensalão ideológico e a compra da reeleição; a interferência direta nos poderes, com a criação e a exímia atuação do engavetador geral da república; o desdém às Forças Armadas e à Polícia Federal; as péssimas e criminosas gestões nas estatais para justificar suas privatizações; o desmatelamento do sentimento de nação.
Não há precedente na história do Brasil de uma figura que depois de galgar os mais altos cargos públicos tenha sido legada ao esquecimento. Nem o Collor, que entrou na presidência da República pela porta da frente e saiu pela porta do fundo, corrido.
FHC é quase uma sombra, um vulto, uma assombração. Quando José Serra fez seu discurso de reconhecimento da derrota, transmitido ao vivo por todos os canais de rádio e tv, assistimos ao revelador episódio quando a filha de Serra se esmerou em alertar o candidato sobre a presença de um ex-presidente entre os correligionários. Serra olhou, virou-se à filha e falou: Ah, o Fernando Henrique, tudo bem! E voltou-se para seu discurso, sem uma menção sequer do ex-presidente e ex-chefe.  
Ainda assim, FHC deve agradecer aos céus. Pois outros presidentes que implantaram em seus governos a mesma política que ele adotou no Brasil enfrentaram, além do ostracismo, a justiça, e foram todos condenados, como foi com o Menem na Argentina e Fujimori no Peru.
 Mas como a sociologia ensina e FHC propaga, o Brasil é o país da boa convivência e tem um povo muito generoso. Seu grande erro foi acreditar que além de tudo, o povo era bobo.
Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor
www.petroniosouzagoncalves.blogspot.com

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19-11-2010
Um Conselho Importante Para a Dilma 
Por Stephen Kanitz
Nas próximas duas semanas V.Exma terá de tomar a decisão mais importante do seu governo.
A escolha do seu Ministério e auxiliares diretos. Desta escolha depende o sucesso do seu governo.
Infelizmente, tudo que lhe ensinaram de Teoria de Gestão é equivocado.
Por isto, a primeira decepção de todo governo é o anúncio do Ministério. 
Gostaria de dar um conselho, este vindo da Teoria da Administração, aquela que usamos em empresas de capital democrático, inclusive multinacionais. 
Todo cargo, seja público, seja privado, é de total e irrestrita desconfiança. 
Não existem estes tais Cargos de Confiança, tão comum na Gestão Pública e na Gestão Familiar. 
Eu sei que é necessário colocar pessoas que você sabe que são honestas, que não irão roubar, que irão te obedecer, em quem você pode confiar, daí o termo.
Mas este é o grande problema da Gestão Pública e Familiar. Infelizmente, todo colaborador, por mais amigo que seja, precisa ser tratado com certa dose de desconfiança.
Os maiores desfalques em empresas familiares são cometidos por parentes, onde não escapam nem filhos, muito menos genros.
Bons amigos então, nem se fala. De onde surgiu este mito de que amigo do peito e parente não roubam?
A saída para esse dilema é outra.
Em vez de contratar um amigo do peito, selecione o melhor e mais qualificado profissional possível para o cargo, independente de conhecê-lo ou não.
Em seguida, cerque o contratado de controles gerenciais, fiscalização interna, auditoria externa, o que for necessário para manter o pessoal na linha.
É o que fazemos na Teoria da Administração.
As multinacionais não trazem mais um "presidente de confiança do exterior", como faziam antigamente. Contratam brasileiros, isso mesmo, brasileiros. 
Dois brasileiros, Alain Belda Fernandez e Henrique de Campos Meirelles, foram  presidentes da matriz americana das multinacionais em que trabalhavam, o equivalente a contratar um americano para cuidar da Petrobras.
Alíás, Henrique Meirelles foi tratado com a maior desconfiança pelos seus colegas do PT e foi sem dúvida o que mais contribuiu para o sucesso do Governo Lula.
Porque era simplesmente um dos mais competentes do mundo, para o cargo. Sabemos infelizmente que  V.Exma vai trocá-lo por alguém de sua confiança, será a primeira decepção minha com seu governo.
No Brasil, o melhor administrador financeiro do país tem poucas chances de ser Ministro da Fazenda, se já não for amigo do presidente bem antes de sua eleição.
"Cargos de confiança" é simplesmente um conceito anacrônico, algo do passado pré-gerencial que só sobrevive na Teoria de Gestão.
Só na Gestão Pública é que ainda existem estes 20.000 "Cargos de Confiança", onde se pode contratar sem concurso público, companheiros e amigos sem as devidas qualificações técnicas. 
A rigor, num mundo globalizado, onde temos de dominar alguns segmentos da economia mundial deveríamos estar contratando os melhores do mundo, não os melhores do Brasil.
Posso lhe indicar centenas de executivos brasileiros, já aposentados, ricos suficientes para não sair roubando por aí, que já fizeram o seu pé de meia, competentes por definição, que adorariam trabalhar no governo. 
Se a V.Exma, convidar somente pessoas de sua confiança, pessoas do seu passado, companheiros de luta e de tempos anteriores, a senhora terá novas decepções, como teve com Erenice.
Espero que alguém lhe envie este conselho.
Convide pessoas profissionais, socialmente responsáveis e já bem sucedidas. Eles/elas têm uma reputação a zelar, e serão de irrestrita confiança, e V.Exma poderá ficar tranquila. 

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Entenda o Caso Panamericano II
Por Stephen Kanitz
"Todos os administradores do Panamericano foram demitidos", manchete de primeira página de um importante jornal brasileiro.
E provavelmente serão processados pela provável fraude e "rombo" de 2,5 bilhões. Será que o Brasil precisa de administradores, como venho batalhando? É a primeira pergunta que me fazem. 
Como nenhum administrador reclamou, e nenhum jornalista pesquisou, a não ser este blog, a era do administrador vai demorar a ser implantada no país, por omissão da classe. .
O problema do Panamericano é que dos sete membros do Conselho de Administração, somente dois eram formados em Administração, um dos quais pela Luzwell, que não figura entre as 100 mais. Ou seja, só um era de fato administrador com nível para administrar um banco. 
Portanto, é uma difamação de toda a classe de Administradores publicar que os "administradores" foram demitidos, e um comunicado enérgico do CRA é devido. É a função dele.
O Conselho de "Administração" era Presidido por alguém formado em Direito.
Tem um formado em Educação Física, cujo currículo não tem nenhuma matéria sobre bancos, muito menos de fiscalização.
Tem economista, que trabalhou no governo Sarney,  outro advogado, e outro sem curso superior. O Administrador, pelo jeito era o único qualificado. Foi Presidente do Banco Central no governo Sarney, mas provavelmente era sempre voto vencido.
Os demais membros do Conselho de "Administração", estavam todos exercendo ilegalmente a função de Administrador. Ou pelo menos deveriam mudar o nome do Conselho. 
Cinco dos sete membros do Conselho de "Administraçao" não sabiam o que deveriam fazer, que perguntas dirigir, que áreas analisar nem como analisar os relatórios apresentados.
Jornalistas pelo menos deveriam entender de Português, que Conselho de "Administração" competente e profissional só poderia ser de Administradores. Não compete ao um educador físico administrar um banco. 
Ou então, o CRA deveria exigir nos casos como este a denominação de Conselho de Notáveis, Conselho Consultivo, Conselho de Curiosos e Amadores, mas não Conselho de Administração.
Temos um longo caminho a percorrer, primeiro corrigindo os erros e as difamações públicas a que somos atribuídos.
Eu já fiz minha carreira, e parece que nenhum de vocês está preocupado com a sua futura.
Escreva para o jornalista que publicou a notícia e peça que corrija a informação equivocada. Já! Senão o termo Administração será queimado antes de começar. 

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19-10-2010
“Privatização”
Texto que escrevi em 1995, mas que parece bem atual, por isto não mudei.
Por Stephen Kanitz 
A discussão política em torno da "privatização" da Telebras e eventualmente Petrobras, seria bem menos emotiva e acalorada se ambos os lados atentassem a um pequeno e simples fato.
Tomando a Telebras somente como exemplo, 83% das ações da Telebras pertencem ao setor privado, não ao governo. Ou seja a Telebrás, do ponto de vista financeiro, já é privado.
Isto mesmo, 83% do aporte de recursos para construir a Telebras vieram inteiramente do setor privado.
Portanto, não dá para "privatizá-la" como muitos do governo estão querendo. Ela já é "privada", tanto que 83% dos dividendos vão para o setor privado e não para o governo. 
Ao longo dos anos, futuros usuários de telefones investiam entre 1.000 a 4.000 reais por plano de expansão, e em troca recebiam corretamente ações da Telebras, a preço de custo.
Curiosamente, temos um "Capitalismo" de Estado onde o Estado não tem capital e obriga o próprio consumidor a desembolsar os recursos para o investimento.
Este "Capitalismo" de Estado, significa que somente os 10% mais ricos deste país, podem comprar um telefone, e assim tornarem-se mais ricos ainda.
No Capitalismo Democrático, aquele que os administradores defendem, o consumidor não precisa ser ao mesmo tempo o capitalista.
Separar o capitalista do usuário é a única forma de pessoas pobres poderem ter um telefone, sem ter que aportar 4.000 reais para ter um simples telefone.
Do ponto de vista semântico e financeiro, não faz o menor sentido falar em “privatizar” o que já é 83% privado. Tanto é que o governo estará vendendo uma posição minoritária de somente 17% das ações existentes.
Estatal é o controle administrativo, porque conseguem com 17% tomar todas as decisões. Os 83%, apesar de sermos uma democracia de direito, capitalistas não tem direito a voto.
Por que toda esta celeuma sobre o preço justo destes últimos 17%? Por que ninguém questionou o preço justo das 83% de ações que foram vendidas ao longo dos anos?
Teria a proximidade das eleições algo a ver com esta tardia discussão de preço?
Obviamente, o governo quer vender as ações com enorme ágio, mas na realidade estão vendendo o sobre-preço do bloco de controle. Controle este imoral e que será nefasto para o futuro da telefonia.
Devido uma artimanha da nossa Lei das Sociedades, é possível retirar o direito de voto de até 2/3 dos acionistas de uma empresa. 
Nossa lei, permite que um pequeno grupo de acionistas, detentor neste caso de somente 17% do capital, sejam empresários ou funcionários públicos, mandarem e desmandarem nas empresas como minoritários sem a aprovasão dos acionistas majoritários.
Se constituírem holdings, como fez o governo no caso da Telebras e adicionarem empréstimos do BNDES, seria teoricamente possível controlar uma empresa tendo somente 5% das ações.
Algo parecido com o que aconteceu com a Vale do Rio Doce.
No caso da Telebras, os acionistas verdadeiramente majoritários do capital nem puderão votar sobre a "privatização", nem a favor nem contra.
Adicionando o insulto à injúria, estes 83% são chamados por advogados, políticos e jornalistas de acionistas minoritários apesar de terem a maioria das ações da empresa.
Os que querem reestatizar as empresas "privatizadas", precisam lembrar que esta reestatização só seria possível se compactuarem com a antidemocrática postura de negar o direito de voto aos acionistas majoritários. 
O que deveria estar sendo exigido neste processo de "privatização" é a concessão de direito de voto a todos os acionistas, e não a venda do bloco de controle.
Assim, o governo FHC estaria implantando a sua ideia de choque de capitalismo, tornando de fato todos os pequenos investidores em pequenos capitalistas de fato, em vez de condená-los a serem eternamente os neo-bobos sem direito de voto.
Fomos a última nação a abolir a escravatura, a última a acabar com a inflação, a última a abrir o seus mercados protegidos.
Não podemos ser a última também da devolução do direito de voto aos pequenos acionistas.

( Em 1998, um grupo de administradores, entre os quais Raymundo Magiliano, futuro presidente da Bolsa, iniciou a bandeira do Novo Mercado, onde todo acionista tem direito a voto, e da qual me engajei e hoje sou membro da Camara de Arbitragem. Mas foi um luta e tanto contra os detentores de privilégios, como sempre ). 

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Excesso de zelo ou repristinação ?
Por Rosildo Barcellos
       Na verdade tenho uma tríade de assuntos para tratar neste artigo e acredito que todos tenham relevância a uma grande parte da sociedade.Em primeiro lugar trato do excesso de zelo de revogar o que já está revogado ou desconhecimento que não há repristinação que não seja expressa.Está sendo assim com a Resolução 360/10,publicada em primeiro de outubro pelo CONTRAN, que condensa as Resoluções 193/06 e 345/10, que passam ao status de revogadas.É interessante notar que os artigos 29 a 32 da Resolução 168/04, que já estavam revogados desde 2006, foram revogados novamente pois a nova normativa revoga as Resoluções Contran 193/06, 345/10 e art. 29, 30, 31 e 32 da Resolução n° 168/2004.Por conseguinte  comparando o texto da nova Resolução com o das antecessoras, a única diferença visível está nos Art. 1º e 2º, com a substituição da expressão "natural de país estrangeiro" por "oriundo de país estrangeiro", o que vem corrigir uma contradição, especialmente quando o condutor em questão era brasileiro naturalizado e não natural de país estrangeiro. Numa leitura rápida entende-se que o estrangeiro, após 180 dias da entrada no país, deverá obter a habilitação brasileira, na verdade esse tempo passa a contar a partir do momento que o condutor recebe o visto permanente, comprovado pela posse da Cédula de Identidade de Estrangeiro.
     A exigência da tradução para as habilitações estrangeiras aparentemente foi extinto com a publicação da Resolução 345/10 (fato mantido pela 360/10). Sendo necessário apenas que o condutor porte a carteira de habilitação estrangeira, dentro do prazo de validade, acompanhada do seu documento de identificação o que vem a facilitar a fiscalização.No caso do condutor estrangeiro portar somente a Permissão Internacional para Dirigir - PID, está deverá estar de acordo com o modelo estabelecido pela Convenção de Viena, ou seja, livreto formato A6 (14,8 x 10,5 cm), capa cinza e páginas brancas, conteúdo escrito em francês, espanhol, inglês e russo, mais a língua do país de origem.
     Um segundo assunto que tenho a tratar versa sobre o DPVAT,aonde ressalto que para acidentes anteriores a 2007, a indenização do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT) é devida integralmente ao companheiro da vítima. A situação é desta forma porque até o ano de 2007 a questão era  regida pela Lei n. 6.194/1974, que determinava o levantamento integral do valor da indenização do seguro DPVAT pelo cônjuge ou companheiro sobrevivente. Apenas na falta desse beneficiário seriam legitimados os herdeiros legais. Entretanto a sistemática foi alterada com a Lei n. 11.482/2007. E atualmente  a indenização é paga na forma do artigo 792 do Código Civil. Isto é: o valor da indenização deve ser dividido simultaneamente em partes iguais, entre o cônjuge ou companheiro e os herdeiros do segurado. Ressalto que essa norma incide sobre acidentes ocorridos a partir de 29 de dezembro de 2006.
     E o terceiro assunto entendo como polêmico tanto quanto a cadeirinha,pois está exigindo o equipamento e o mesmo continua longe das prateleiras, e este é o caso do recall. Porque carros, caminhões e motos cujos donos não comparecerem para resolver o problema ficarão marcados, o que pode reduzir o valor de venda do veículo.E assim será devido porque as informações farão parte do Sistema de Registro de Avisos de Risco de Veículos Automotores, que está sendo criado pelo governo.Como esse sistema será, na verdade, um item dentro do Renavam, a vinculação vai ser automática.Assim quando a montadora avisar os consumidores que fará um recall de determinado produto, também vai informar o sistema Denatran sobre os veículos que serão alvo da campanha e por conseguinte uma inclusão célere será aposta no Renavam.Somente quando os clientes resolverem o problema,é que  as montadas avisarão para que seja dado a baixa necessária no no registro. Agora convenhamos não existe um prazo definido para  que a indústria venha a informar que o cliente já levou seu carro para o ajuste e de mais a mais muitos de nós nem tomamos conhecimento das chamadas realizadas; haja vista, que de janeiro a agosto deste ano foram registradas 38 convocações de recall, sendo 30 de carros e 8 de motos ou seja, esses casos envolveram mais de 1 milhão de veículos, entre eles 204 mil motos;mas quantos ficaram sabendo? Acredito que uma grande quantidade de pessoas não fica sabendo e uma outra nem dá a devida importância.É mais uma preocupação para todos nós.Se pode complicar...pra que facilitar !
*articulista

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Por Danin Junior
As redes sociais, nome bacana para os sites que permitem relacionamentos virtuais entre seus usuários, são terreno fértil para o surgimento de fakes – os perfis falsos, que podem ser inventados livremente. Os fakes já são comparados aos tradicionais panfletos apócrifos, que infernizam candidatos desde as mais remotas disputas eleitorais. Não concordo. Por suas características únicas, a mídia social (outra denominação maneira) pode ser muito pior que um panfleto jogado na rua. Sites de relacionamento possuem uso e penetração bem mais malignos. Um conteúdo maldoso inserido no Orkut, no Twitter ou no Facebook (as três mais populares no Brasil) pode permanecer no ar por tempo indeterminado, sendo consultado a qualquer hora e se espalhar de forma virulenta. E há um efeito ainda mais diferenciado: esse conteúdo, público e disseminado, por atingir massa crítica na sociedade, acaba pautando a mídia convencional – parece que os jornalistas são os mais ávidos usuários do Twitter.
É possível dizer que, por conta das campanhas virais, que antes existiam apenas nas insuportáveis correntes de spam (e-mails em massa), a eleição presidencial brasileira deste ano é uma das mais sujas de todos os tempos. Como se verá a seguir, o problema nem está nos temas utilizados de parte a parte, mas na forma como explorados. O que era localizado e de efeito geralmente limitado, passou a ser escancarado, passou à luz do dia e com certo ar de normalidade. Está tão exposto que algumas pessoas já até dispensaram a artimanha do fake para fazer ataques. Passaram a usar suas verdadeiras identidades para instrumentalizar determinadas baixarias. Algumas dessas situações certamente já podem originar milhares de processos judiciais. Se as provocações ocorressem fora do ambiente virtual, no tête-à-tête, aposto que poucas pessoas teriam autocontrole para não reagir violentamente.
Pancadaria
O tema mais explorado na baixaria eleitoral deste ano é o da descriminalização do aborto. Discutir esse assunto, por si só, não constitui uma bestialidade. O problema é que deveria ocupar cinco minutos do debate eleitoral. Há outros problemas que mereceriam muito mais atenção. Além disso, uma legítima questão de saúde pública descambou para uma discussão pseudo-moralista e religiosa. É provável que José Serra (PSDB) não tenha envolvimento direto na maquinação subterrânea desse debate na internet. Mas ele só não perde votos porque os entusiastas de seus adversários também jogam baixo, inclusive quando tentam vincular a Serra ações institucionais positivas de quando era ministro da Saúde, como foi o caso de liberação da pílula do dia seguinte.
Os ataques rasteiros têm características que envolvem as volatilidades dos posicionamentos políticos. O que vale é a recomendação ricuperiana de só mostrar o que interessa. A campanha difamatória sobre o aborto é injusta com Dilma, mas a petista não tem o que reclamar e só pragmatismo eleitoral justificaria dar as costas às suas convicções. O programa de seu partido defende a legalização do aborto. As primeiras versões do Plano Nacional de Direitos Humanos, enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional apresentava uma série de temas que a campanha da petista quis empurrar para baixo do tapete. Entre eles, o relaxamento institucional em casos de invasões de imóveis rurais e urbanos. O documento também argumenta em favor de um chmado controle social sobre a mídia.
Nada disso, no entanto, é pior do que as sátiras maldosas que são espalhadas pelas redes sociais. Uma das mais recorrentes é uma fotomontagem com o objetivo de ridicularzar o candidato tucano. Na peça, sua face foi aplicada à foto do palácio Tiririca, que acaba de se eleger como o deputado federal mais votado do país. Engraçado, mas maldoso. Principalmente porque Tiririca foi eleito pelo PR de São Paulo, em coligação com o PT de Dilma. Sua votação exagerada (quase um milhão e meio de sufrágios), conseguiu colocar outros três companheiros na Câmara dos Deputados — um do PT, um do PRB e o ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz (PC do B). Serra também sofre com brincadeiras a respeito de sua calvície, além da divertida (e também malvada) comparação com Mr. Burns, do desenho animado The Simpsons. O personagem é o mais antipático da série, um empresário sovina.
Outra maldade visual ataca a ex-ministra, com várias fotomontagens que a transforman em Chucky, o brinquedo assassino — personagem de uma série de filmes de terror de quinta categoria. Também pegam no pé do vice de Dilma, o peemedebista Michel Temer. Parecido com o ator Christopher Lee, o mais tardicional intérprete do Drácula, Temer tem coisas mais coisas com o que preocupar: na internet também rola que o filho dele é vinculado ao satanismo. Para quem distribui esse tipo de material, brigar na lama é uma coisa normal. Para o eleitor bem intencionado, esse é o tipo de coisa da qual se deve fugir.

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12-10-2010
Por Stephen Kanitz - Exclusivo JN
Segundo Turno Será Sobre Privatizações, Como em 2006 ! 
Em 2006, Alckmin teve 41% contra 47% de Lula, somente 3% de diferença. O PSDB poderia ter revertido estes 3% de desvantagem não fosse a incapacidade de Alckmin de defender as "privatizações" de FHC, se enrolou todo, e perdeu credibilidade. Tudo começou com esta notícia de 2006.
"Guru econômico de Alckmin defende privatização da Petrobras
O ex-ministro de FHC, economista Luiz Carlos Mendonça de Barros indica o rumo a ser adotado, no caso de improvável vitória, será mesmo o da privatização.
Barros disse "O governo já deveria pensar na "privatização" da Petrobras, seguindo a mesma lógica adotada no sistema Telebras". 04/10/2006 - São Paulo - Fonte: Diário Vermelho" 
Alckmin imediatamente entrou em contradição, primeiro apoiou Mendonça de Barros e depois garantiu que não "privatizaria" a Petrobras. Perdeu credibilidade, foi o primeiro a ter MENOS votos no segundo turno do que no primeiro. Um desastre!
O termo "privatização" é dinamite pura, significa para o povo oligarquia, dono, lucro extorsivo, monarquia, elite, capitalismo selvagem. 
Só que o contrário de estatização é desestatização, e não "privatização".
Vou repetir, porque por incrível que pareça isto é novidade para 99% dos brasileiros.  O contrário de estatização é desestatização, e não "privatização".
Desestatização significa fim de cargos de diretoria para políticos da base aliada.
Desestatização significa fim do poder monopolístico, todas as estatais eram ou são monopolistas, como Telebras, Eletrobras, Petrobras, Correios, Caixa Econômica e monopólios são vistos como negativos pelo povo, tanto quanto o termo "privatização".
Serra começou mal, caiu na mesma armadilha que novamente o PT colocou.
"Serra enfrenta discurso petista e defende privatizações da era FHC." O Estado de São Paulo
e novamente em Serra45.
A resposta correta, deveria ser "Serra defende a desestatização da era FHC".1
Alckmin e Serra deveriam ter dito que empresas desestatizadas são na realidade as verdadeiras empresas públicas no sentido real da palavra.
São empresas como  a Natura, onde todos os pequenos acionistas têm direito a voto, e os minoritários são os antigos donos, como Guilherme Leal.
Nas empresas estatais, 80% dos acionistas NÃO tem direito de voto, são empresas onde um pequeno grupo de controle, o governo e o Ministro da Fazenda, controlam todas as decisões apesar de terem somente 20% dos votos.
São as empresas de capital aberto e democrático que são as verdadeiramente públicas, as únicas que pertencem a dezenas de milhares de acionistas.
Nenhum acionista tem poder privado, temos sim poder coletivo, que usamos nas assembleias de acionistas, se votarmos em conjunto.
Nos Estados Unidos são chamadas de Public Companies, e como aqui tem fundos de pensão de trabalhadores como acionistas, mas lá tem direito a voto.
O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, a Veja, a Época não são de  direita, neoliberal, neo-con como muitos jornalistas e leitores os acusam.
Se fossem neo-liberais jamais usariam o temo "privatização", termo habilmente criado pelo inimigo. O que está acontecendo de fato com o jornalismo brasileiro ?
Neo-liberal acredita na liberdade, na liberdade do acionista "minoritário" e dos 80% majoritários votarem de fato na assembléia de acionistas. 
A imprensa, o Alckmin e o Serra deveriam defender a democratização do capital, o que para Serra, ainda é possível. 
Mas novamente não vejo nenhum administrador assessorando e mostrando o verdadeiro lado crucial da questão. 
Os únicos esclarecidos foram os leitores da Revista Veja, pelo menos os que liam a minha coluna, onde não cansei de expor estas ideias ao ponto de ser considerado repetitivo e pró administrador em demasia. Me perdoem. 
1. Eu sei que FHC não desestatizou de fato, que vendeu os 20% do bloco de controle para grupos de fato privados, mas isto só vai piorar a situação do Serra, e já comentei isto anteriormente.
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Por Stephen Kanitz - Exclusivo JN

Como Será Este Segundo Turno?

Apesar do PSDB ter considerado o segundo turno uma vitória, Serra está indo para o segundo turno graças a campanha bem sucedida da Marina.
Algo me diz que Marina teria tido melhores chances contra a Dilma do que Serra num segundo turno. Primeiro, Marina teve muito pouco espaço na TV e num segundo turno seria bem mais recohecida.
Segundo Guilherme Leal, somente 40% dos eleitores conhecem de fato a Marina, o que significaria que seus 19% na realidade representam 47% de uma população inteira.
Tanto isto parece ser verdade que Marina teve 45% dos votos no Distrito Federal, onde todos a conheceram como Ministra.
Serra não terá o apoio de Aécio, Alckmin nem de FHC, apesar de querer. Ele brigou com os três, e brigou feio porque nenhum deles o apoiou de fato. Serra também tem o maior índice de rejeição dos candidatos, e isto pesa.
Nas eleições de 2002 e 2006, Lula teve os mesmos 47% no primeiro turno e acabou com 61% no segundo. Era o Lula Bicho Papão de 2002, e o Lula do Mensalão de 2006. Portanto, Dilma está numa posição bem melhor.
Se os votos de Marina se dividirem meio a meio, Dilma termina com 56%.
Dilma terá o apoio redobrado de Lula, que tem como trunfo a capacidade de fazer um discurso emocional, se precisar. Vamos ver.
A lição que o PSDB tirou desta eleição foi que esconder o FHC foi um erro, dada a vitória surpreendente do Aníbal para Senador, que não o escondeu.
Acho que trazer FHC na campanha agora é que seria um erro, novamente falariam do passado, quando o eleitor quer ouvir sobre o futuro.
E, o governo FHC não foi exatamente tudo o que a imprensa afirma continuadamente.
1. O Plano Real foi no Governo Itamar.
2. A Telebrás já era uma empresa privada, 83% das ações pertenciam àqueles que compraram  um "plano de expansão", financiando seus próprios telefones, se tornando acionistas SEM DIREITO DE VOTO.
O governo FHC pulverizou a Telebrás em 18 pequenas e pouco competitivas empresas, e vendeu os 17% que tinha, que era o  bloco de ações de controle, com um ágio questionável.
Questionável, porque estes 17% estariam valendo hoje uma fortuna, já que a Telebrás passou a ser bem administrada e aumentou a base de 10 milhões para 200 milhões de telefones em menos de 10 anos.
Se tivessem mantido os 17% e simplesmente dado o direito de voto a nós acionistas, teríamos colocado os mesmos administradores profissionais e não políticos, e teríamos mais uma empresa de classe mundial. Compraríamos a Telefonica da Espanha e não vice versa.
3. Lei da Responsabilidade Fiscal. Todo mundo acha que a lei limita o endividamento dos Estados e Municípios, mas na realidade limita os gastos de salários a 60% do orçamento.
Erraram de métrica. Deveriam ter limitado dívidas, e não salários a x% dos ativos, ou receitas, ou então os juros pagos a x% das receitas. Usaram a métrica totalmente equivocada, e pior dispensaram o Governo Federal desta lei.  Ou seja, "meia" responsabilidade fiscal, só para os outros, como sempre. O governo federal não precisa limitar gastos com pessoal a 60%, o que o Governo Lula demonstrou.
Do lado negativo:
1. aumentou a dívida interna para 54% do PIB,
2. indexou a dívida interna ao dólar, a âncora cambial,
3. aumentou os impostos para 34% do PIB,
4. os juros para 26% ao ano,
5. entregou um governo sem reservas e com uma dívida com o FMI,
6. destruiu o sistema de avaliação gerencial e todos os balanços publicados das empresas brasileiras, congelando seus valores em 31 de dezembro de 1995, algo que só os contadores reclamam e sabem o estrago que isto acarreta.
Esta história que Lula recebeu uma situação mais do que tranquila de Pedro Malan, é propaganda de economistas tucanos, que dominam a nossa imprensa descaradamente, e escondem a tranquilidade que Dilma receberá de Meirelles, um administrador tucano a serviço do PT. 
Portanto, cutucar o passado pode ser um grande equívoco do PSDB, Serra estava correto na sua estratégia no primeiro turno.

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01-10-2010
Por Stephen Kanitz - Exclusivo JN
Em março de 2010 escrevi que:
"A Marina Silva vai crescer, e muito.  Existe até uma remota chance da Marina ir para o segundo turno". 
"Marina Silva é extremamente influente entre os evangélicos, e estes votos só irão aparecer nos últimos 4 domingos antes das eleições." 
Continuei o texto com: "Aí  Marina se torna uma possível candidata para o segundo turno e muda totalmente de figura. " 
Num segundo turno Serra x Dilma, os votos da Marina se dividem e Dilma leva tranquilamente.
Mas num segundo turno Marina x Dilma, a coisa muda, porque poucos votos do Serra migram para a Dilma.
A maioria das pessoas não está votando no Serra, propriamente dito, ele tem o maior indice de rejeição. A maioria dos Serristas estão votando basicamente contra a Dilma.
Eu alertei Guilherme Leal que o problema da Marina não seria ganhar as eleições, e sim comandar o país uma vez eleita.
Muitos  eleitores gostam dela, mas acreditam que ela não tem um partido capaz de comandar.
Em Porque Vou Votar na Marina, o influente jornalista Paulo Nogueira da Revista Época escreve "Marina não vai ganhar e isso, paradoxalmente, me tranquiliza. Suspeito que o PV não esteja preparado ainda para governar. Mas merece o voto".
Minha sugestão ao Guilherme Leal em março era que Marina concentrasse em mostrar que ela tinha uma enorme equipe de administradores socialmente responsaveis capazes de governar este país como nunca fomos administrados.  Isto já seria um motivo para elegê-la. 
Minha grande decepção com a Marina foi no Roda Vida, onde ela praticamente escondeu o Guilherme Leal e sua equipe, e revelou que seu grande guru era o economista Eduardo Gianetti, brilhante pessoa, mas que na realidade é um filósofo. 
Meu temor se confirmou quando perguntei ao Roberto Irineu Marinho na FLIP a sua avaliação até agora da Marina, e ele respondeu. "Competentíssima, mas ela está um tanto filosófica nos debates." É a impressão que muitos tiveram, teorica e pouco prática.
Ficou falando demais em ecologia e de menos em como este país poderia ser bem administrado. Por administradores e não por mais uma leva de economistas. 
Marina ficou patinando por 4 semanas nos 10% que podem agora ter sido fatais, já que seu crescimento  nestas ultimas quatro semanas, como previ, pode não ser suficiente para levá-la ao segundo turno.