Emissões podem aumentar 50% até 2050, afirma OCDE
Autor: Jéssica Lipinski - Fonte: Instituto CarbonoBrasil/OCDE
Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico alerta que inação climática poderá fazer com que consumo de energia cresça 80% em quarenta anos, o que pode levar a uma elevação na temperatura de até 6°C
Na última semana, um novo relatório publicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) confirmou mais uma vez as estimativas pessimistas sobre o clima do planeta: caso não haja uma mudança nas políticas ambientais e energéticas mundiais, corremos o risco de sofrer com um grande aumento nas emissões e, consequentemente, com uma elevação da temperatura maior do que o esperado.
O documento, intitulado Panorama ambiental da OCDE para 2050: as consequências da inação, releva que “a menos que o mix global de energia mude, os combustíveis fósseis fornecerão cerca de 85% da demanda de energia em 2050, implicando em um aumento de 50% nas emissões de gases do efeito estufa e piorando a poluição urbana do ar”.
De acordo com a análise, a economia global deve quadruplicar até 2050, o que pode ocasionar um aumento de 80% no consumo global de energia em relação aos níveis atuais. No entanto, se não houver grandes alterações nas políticas energéticas de hoje, o mix de energia deve mudar pouco, continuando a depender primordialmente das fontes fósseis.
Esse aumento no consumo de energia afetará, consequentemente, as emissões, o que levará a uma elevação na temperatura global maior do que os dois graus Celsius previstos pelos cientistas como sendo o limite para evitar os impactos mais catastróficos das mudanças climáticas. Segundo a OCDE, com a atual tendência no consumo energético e nas emissões, a elevação nas temperaturas deve ficar entre os três e os seis graus Celsius até 2100.
Mas não é apenas o clima que será afetado. O relatório indica que a inação pode causar uma perda de 10% na biodiversidade mundial. Além disso, com um aumento na demanda hídrica de 55% para suprir uma população que deve atingir nove bilhões em 2050, o documento calcula que cerca de 40% das pessoas devem passar a viver em áreas de estresse hídrico, ou seja, em que a demanda de água é maior do que a oferta.
E essas não são as únicas más notícias da análise. A OCDE aponta ainda que com o aumento das emissões, as mortes prematuras por exposição à poluição devem dobrar para 3,6 milhões por ano e os custos para mitigar os riscos climáticos devem aumentar em 50%.
“A mensagem chave é que os governos não podem escolher partes [para resolver]. Faça um trabalho ruim na energia e isso atingirá você na água ou na biodiversidade”, observou Simon Upton, diretor ambiental da OCDE. Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/?id=729977
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Austrália fica mais próxima de criar mercado de carbono
Autor: Fabiano Ávila - Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais
Vitória da primeira-ministra Julia Gillard em votação interna do Partido Trabalhista e anúncio sobre a distribuição de 94,5% dos créditos de forma gratuita aumentaram a possibilidade de o mercado virar realidade em 2015
A Austrália vem sendo palco de acalorados debates sobre medidas para limitar as emissões de gases do efeito estufa há anos e é observada com atenção por outras nações e analistas que enxergam o país como uma espécie de laboratório de como as negociações entre o governo, empresas e sociedade sobre o tema evoluem.
Nesta terça-feira (28) dois acontecimentos resultaram no que pode ser considerado o salto mais concreto até agora em direção ao estabelecimento do prometido mercado de carbono australiano em 2015.
O primeiro deles foi a vitória da atual primeira-ministra Julia Gillard em uma disputa interna pela liderança do Partido Trabalhista. Com o resultado, ela garante que continuará a ocupar o cargo máximo da política australiana.
Gillard venceu o ex-primeiro-ministro Kevin Rudd por 71 votos a 31, e assim, com ampla folga, demonstrou que conta com o apoio do partido para seguir com suas ideias para a Austrália, incluindo a criação do mercado de carbono.
Logo após a vitória, Gillard anunciou como funcionará a distribuição de créditos gratuitos de carbono para 36 setores industriais, como a mineração e siderurgia.
De acordo com a proposta, 94,5% dos créditos serão distribuídos gratuitamente já a partir de julho, quando começará a cobrança da chamada “taxa de carbono” no valor de A$ 23 (R$ 41,79) a tonelada. O número de créditos gratuitos diminuirá em 1,3% ao ano.
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18-05-2011
Manchas verdes e a falsa idéia da biodiversidade
Fernanda B. Müller - Fonte: Instituto CarbonoBrasil
A reintrodução de espécies nos seus respectivos ecossistemas é apresentada como uma das formas de devolver para as florestas naturais a vida que lhes foi e continua sendo tirada ainda mesmo nos dias atuais pelo comércio ilegal de animais silvestres
Quem nunca fez uma trilha em uma área que parecia estar bem conservada de Mata Atlântica e saiu decepcionado por não ter visto um bicho sequer? Pois infelizmente isto já é bem conhecido dos estudiosos ligados às ciências da natureza e tem até nome, são as ‘Florestas Vazias’, onde as comunidades animais, especialmente de grandes indivíduos, foram dizimadas.
Nelas, os processos ecológicos são gradativamente perdidos, como as sementes que se acumulam no chão da floresta por falta de dispersores (exterminados) ou as populações de animais que acabam sumindo devido a pequena variabilidade genética regional.
A reintrodução destas espécies em seus ecossistemas originários é uma estratégia rotineira para recomposição em ambientes naturais de órgãos ambientais em vários países, como África do Sul, Nova Zelândia e Reino Unido.
Porém, segundo o Biólogo e Doutor em Zoologia Fábio Olmos, em contraposição, no Brasil pouco se pensa em projetos de reintrodução. Nem com as araras na Mata Atlântica, por exemplo, se têm o cuidado necessário para conseguir manter sua população em médio e longo prazo.
Os britânicos estão trabalhando para restaurar uma população de Grous (Grus grus), perdida na natureza há cerca de 400 anos devido à drenagem de áreas úmidas. A meta é que 100 aves sejam liberadas na natureza até 2015 (Leia mais).
Os neo-zelandeses também estão realizando projetos de sucesso no reestabelecimento de populações de Kokako, dizimados pelo desmatamento e introdução de predadores exóticos pelas mãos dos homem (como ratos). Fábio contou, durante o AVISTAR 2011, realizado em São Paulo no último final de semana, que na Nova Zelândia, as espécies exóticas são eliminadas, a vegetação nativa é reestabelecida e os animais reintroduzidos.
Terras brasilis
No Brasil, os exemplos de iniciativas do gênero são poucos, como no caso dos Guarás em Cubatão, onde foi feita uma soltura sem alguma metodologia numa época em que o zoológico de Santos não tinha mais espaço para tantos animais. Atualmente o manguezal da cidade conta com cerca de dois mil Guarás.
No caso dos Guarás, a estratégia utilizada não foi exatamente a mais adequada, apesar de ter dado certo, conta Fábio
É necessária uma base científica precisa para a reintrodução de espécies em áreas de mata nativa, do contrário, danos significativos podem ser infringidos às populações residentes, como a introdução de patógenos aos quais não têm imunidade ou o desequilíbrio populacional, quando não se tem conhecimento suficiente sobre o ecossistema que se pretende enriquecer.
O projeto Ninhos é um bom exemplo, que reintroduziu cinco Tucanos Toco (Ramphastos toco) apreendidos em fiscalização da Policia Ambiental em São Carlos, São Paulo, após reabilitação. A soltura simples dos tucanos foi feita com a ajuda de agricultores da região, com a instalação de um viveiro temporário em sua propriedade para que os animais se acostumassem novamente com o ambiente natural.
O monitoramento desses animais está em andamento e dados conclusivos sobre a permanência desses indivíduos em seus ecossistemas originais ainda são desconhecidos.
A base jurídica para a reintrodução de animais silvestres existe no Brasil, envolvendo a Constituição Federal (Artigo 225 § 1), a Lei de Crimes Ambientais (Cap. III, Art. 25 §1 e e Decreto 6.514/08) e a Instrução Normativa 179/2008 do IBAMA.
“O maior problema é o governo, sendo muito pouco proativo para juntar os diferentes atores e fazer com que funcione. Cada um acaba fazendo o que quer”, alertou Fábio.
Apesar da legislação, que prevê sanções aos crimes ambientais, mencionar uma multa maior aos crimes ambientais com espécies ameaçadas, os traficantes continuam sem uma punição real já que a pena de no máximo três anos de detenção pode ser objeto de transação penal e virar cestas básicas.
Venda de animais
O comércio ilegal de animais silvestres é amplamente conhecido e repudiado pela população, entretanto ainda existem muitas pessoas que, por estarem longe da natureza, querem trazer um pedacinho dela para sua casa, mesmo vivendo no meio da cidade, e acabam contribuindo com este atividade extremamente cruel.
Segundo dados reunidos em São Paulo e compilados pelo IBAMA, cerca de 35 mil animais silvestres são apreendidos todos os anos apenas no estado. Isto é uma quantidade ínfima do que realmente é movimentado no país, um cenário arrebatador que passa longe do conhecimento de muitas pessoas que incentivam o comércio ilegal pensando estar comprando apenas "um bichinho".
Vincent Lo, analista do IBAMA também presente no AVISTAR 2011, lamenta que mesmo dos 35 mil animais apreendidos, apenas cerca de 10 mil são recebidos pelos seis Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) de SP. Destes 10 mil, 30% acaba morrendo, 30% vai parar em cativeiros e 30% são soltos. Portanto, apenas uma quantidade ridícula dos animais consegue voltar aos seus ecossistemas originais e cumprir o seu papel ecológico.
Os locais de soltura também são um obstáculo, pois precisam de uma série de requisitos para garantir que as espécies não sejam ameaçadas. No Estado de São Paulo, o Ibama tem incentivado a formação destas áreas de soltura em parceria com proprietários interessados em preservação e recomposição da fauna local (Leia mais).
A discussão sobre o direcionamento destas espécies capturadas no comércio ilegal para o repovoamento das ‘Florestas vazias’ é uma muito discutida entre os meios acadêmico e administrativo no Brasil, porém a burocracia e as duvidas procedurais quanto à soltura dos animais ainda impedem que grande parte volte para as florestas.
Cuidados sanitários, epidemiológicos e científicos devem ser tomados antes da soltura, mas é ainda mais urgente que sejam tomadas decisões concretas antes que seja tarde demais.
O governo precisa fazer o seu papel fortalecendo os CETAS( hoje muitos estão em estado de penúria), as polícias ambientais e os órgãos de fiscalização e ainda apoiando pesquisas epidemiológicas sobre doenças de animais silvestres e também sobre a composição dos próprios ecossistemas, ainda extremamente desconhecidos.
Silvestre não é pet
Mas não podemos esquecer que temos uma responsabilidade enorme que é a de conscientizar as pessoas ao nosso redor que o lugar de animais silvestres, mesmo que “bem tratados”, não é em nossas casas como animais de estimação e sim nos seus respectivos ambientes naturais, do qual eles dependem.
A domesticação de animais silvestres (como tartarugas, papagaios, dentre outros) é um perigo para a saúde dos ‘proprietários’, pois trazem consigo muitas doenças e têm comportamento naturalmente selvagem, podendo os machucar. A tentativa de sua ‘humanização’ é um stress desnecessário para o animal que deveria estar a quilômetros da cidade, cumprindo seu papel ecológico.
“Temos que incentivar o avistamento em vida livre, como atividades de Birdwatching (Observação de Aves), silvestre não é pet, a diversão humana não pode ser às custas dos animais”, ressaltou Vincent.
A remoção de animais silvestres dos seus ambientes é um problema sério e silencioso, pois muitos de nós têm a falta idéia ao ver áreas verdes que a biodiversidade está por todos os lados como há 500 anos. Mas a cada dia, filhotes são tirados das mães, comprados, e quando se percebe as dificuldades de criar um animal destes, ele é abandonado em CETAS e as florestas... ficam cada vez mais vazias.
Durante o AVISTAR 2011 diversos temas foram discutidos e apresentados norteando a relação entre as aves e os ecossistemas naturais no Brasil e no Mundo, mostrando sua importância como bioindicadoras e subsidiando à conservação ambiental através do conhecimento de seus hábitos, e dessa forma sensibilizando muitas pessoas a protegerem os biomas brasileiros, tão ameaçados.
Linha Verde do Ibama:(denúncias e informações)
0800 61 8080
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Caro Leitor,
O Brasil possui um potencial gigantesco para captar recursos internacionais para proteger suas florestas. A tecnologia de monitoramento de desmatamentos já utilizada aqui é uma das melhores do planeta e garante a credibilidade necessária para que as inciativas de REDD+ atraiam investidores.
Porém, a problemática situação fundiária nacional e dúvidas sobre os direitos de comercialização dos serviços ambientais ou de carbono estão entre os inúmeros obstáculos para a expansão do mecanismo no Brasil, aponta um relatório divulgado na última semana pelo CIFOR.
É preciso que esse momento de discussão sobre o Código Floresta também seja aproveitado para a elaboração de uma legislação mais clara e objetiva para o REDD+. O Brasil não pode deixar que a burocracia vire mais uma vez um empecilho para o desenvolvimento sustentável.
Outro relatório importante que deve divulgado ainda neste mês será o Special Report on Renewable Energy Sources and Climate Change Mitigation (SRREN), do IPCC. Com cerca de mil páginas e contando com o trabalho de 120 pesquisadores de diversos países, o documento deverá se tornar uma sólida base a partir da qual líderes poderão propor novas leis de incentivo para as energias renováveis.
Segundo o IPCC, perto de 80% de toda a necessidade por eletricidade do planeta pode ser atendida por fontes limpas até 2050. Isso se os governos fizerem sua parte.
Boa Semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil
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Vazamento cria dúvidas sobre futuro da energia nuclear
Por Fabiano Ávila - Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais
Tragédia na usina de Fukushima, no Japão, faz com que a sociedade civil peça a alteração dos planos de diversos países de expandir a geração nuclear de eletricidade, considerada por alguns como uma das soluções para frear o aquecimento global
A energia nuclear é vista por muitas nações como uma das apostas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa do setor elétrico e assim evitar os piores efeitos das mudanças climáticas. Por isso, com o crescimento da preocupação com o aquecimento global houve também o aumento no número de projetos de novos reatores. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) existem mais de 350 em andamento em todo mundo.
Porém, diante do terremoto seguido de um tsunami no Japão que provocou o vazamento de material radiotivo da usina de Fukushima nos últimos dias, uma nova onda de preocupação com o uso da energia nuclear vem ganhando força.
Grupos ambientalistas nos Estados Unidos, União Européia, Índia, China, Turquia e Indonésia estão pedindo a suspensão dos novos projetos de usinas nucleares e que sejam criados padrões mais rigorosos de segurança.
“As usinas japonesas eram consideradas resistentes a terremotos e as melhores do planeta para lidar com desastres, mas veja o que está acontecendo. Instalações em zonas com abalos sísmicos é uma temeridade”, afirmou Karuna Raina, do Greenpeace da Índia, que vem combatendo os planos do governo indiano de construir uma grande usina no estado de Maharashta. Entre 1985 e 2005 esse estado sofreu 91 tremores que chegaram até 6.3 de magnitude na escala Richter.
Atualmente 20% das 442 usinas nucleares em funcionamento estão em áreas de “significante” atividade sísmica, de acordo com dados da AIEA. O problema se agrava se forem levados em conta os novos projetos, que vão aumentar em muito as chances de que uma catástrofe natural cause vazamentos radioativos.
A Turquia, por exemplo, está planejando três usinas em Akkuyu, no mar Egeu, próximas à falha geológica de Ecemis. Em 1999 um terremoto matou quase de 20 mil pessoas na região.
Usinas nucleares geralmente são construídas para suportar terremotos de até 8,5 de magnitude, mas raramente leva em conta tsunamis. Em 2004, a onda que varreu o sudeste asiático provocou o fechamento de quatro instalações em Taiwan e afetou até a geração na costa oeste dos Estados Unidos.
Segurança
A preocupação da sociedade civil já afetou autoridades na Europa, onde o ministro de relações exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, afirmou em uma coletiva de imprensa que algumas das usinas mais antigas do país poderão ser paralisadas para a análise de suas medidas de segurança.
A declaração veio depois do anúncio da Suiça de suspender os planos para a construção de novas instalações até que todo o caso do vazamento no Japão seja estudado.
O comissário de Energia da União Européia, Guenther Oettinger, declarou que a responsabilidade pelas usinas é antes de tudo de cada uma das 14 nações européias que fazem uso delas. Mas não descartou que o bloco pode vir a recomendar mais controle e até o fechamento temporário das instalações.
“Se assumirmos a seriedade da tragédia no Japão e analisarmos que o vazamento pode ter alterado o que antes definíamos como ‘seguro’ em termos de energia nuclear, nada, nem mesmo o fechamento de usinas, pode ser descartado dos nossos planos”, disse Oettinger.
Para o presidente da General Eletric, Jeff Immelt, ainda é cedo para avaliar os impactos do vazamento radioativo na indústria de energia nuclear.
“Ainda estamos nos primeiros dias do caso. Tudo é muito recente para que se tire alguma conclusão sobre o futuro da energia nuclear. São quase 50 anos de utilização da eletricidade gerada por essas usinas, as pessoas devem olhar todo esse histórico antes de fazer julgamentos”, afirmou Immelt para a agência Reuters.
Esta também é a opinião da AIEA, que se manifestou atravéz de um porta-voz dizendo que ainda é prematuro adotar qualquer decisão de longo prazo. A agência acredita que o caso japonês ainda deve ser analisado antes que seja possível pensar em ações concretas.
Se ainda não é possível descrever os impactos para o futuro da energia nuclear, uma coisa certa é que o setor está muito mais vulnerável a críticas.
Um exemplo disso foram os 50 mil alemães que protestaram em Berlim neste fim de semana para pedir que o governo pare com a sua política de extender a vida dos reatores. Em 2010, a Alemanha decidiu extender por mais 12 anos a utilização dos reatores que deveriam ser aposentados.
Outra certeza é o ganho de força das fontes renováveis, como deixa claro a porta-voz do governo das Filipinas, Abigail Valte, que afirmou que não é hora de se pensar em usinas nucleares no país. “Fontes alternativas são menos polêmicas e não encontram tanta oposição. São tecnologias que agradam a todos”, concluiu.
Imagem: Explosão na usina nuclear de Fukushima / NTV
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23-02-2011
Caro Leitor,
A última quarta-feira (17) poderia ter entrado para a história como o dia em que a ciência comprovou que o aquecimento global é causado pela atividade humana. Pelo menos foi o que noticiaram diversos telejornais ao abordarem a edição da semana passada da revista Nature.
Acontece que os artigos presentes na publicação não diziam bem isso. Um deles afirmava que o aumento das chuvas registrado depois de 1950 se deve com certeza ao aquecimento global e que isso pode ser relacionado à ação do homem. O outro ligava a enchente do ano 2000 no Reino Unido com as emissões de gases do efeito estufa após a revolução industrial.
Portanto, o que os estudos realmente afirmam é que o aumento das chuvas só pode ser explicado atualmente se for adicionado o “fator homem”. Porém, existe ainda a remota possibilidade de outros fatores desconhecidos influenciarem o clima e isentarem a humanidade de responsabilidade.
De qualquer forma, as pesquisas são muito relevantes e marcam o avanço das técnicas de criação de modelos climáticos. Isso pode facilitar o desenvolvimento de novas politicas de mitigação e adaptação e até, quem sabe, um acordo global para limitar as emissões.
Nunca antes a ciência esteve tão perto de comprovar os efeitos do "fator homem" no clima, mas ainda não foi desta vez.
Boa semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil
19-01-2011
Da CarbonoBrasil
Caro leitor,
Diante da tragédia na região serrana do Rio de Janeiro é bastante complicado tentar tirar algumas lições positivas, mas vamos tentar.
A primeira delas diz respeito ao novo código florestal, que se for aprovado da forma que está sendo sugerido irá facilitar desastres desse tipo.
Em entrevista para a Agência Brasil, o professor de engenharia florestal da Universidade de Brasília (UnB), Eleazar Volpato, afirmou que as flexibilizações propostas no relatório do deputado Aldo Rebelo agravam “de forma absoluta” a situação das ocupações de morros e encostas em toda a região da Mata Atlântica.
Nesse sentido, a tragédia pode incentivar o debate para avaliar em todas as suas dimensões os impactos das mudanças no código florestal.
Outro ponto interessante é a presença do tema mudanças climáticas nos noticiários. Apesar da situação do Rio de Janeiro ser tão grave devido à ocupação irregular e aos anos de descaso do poder público, a todo o momento o assunto aquecimento global aparecia. Seja no Bom Dia Brasil ou no programa policial do José Luiz Datena, as mudanças climáticas estão sendo citadas como um dos fatores das chuvas na região.
Não há como avaliar o real papel do aquecimento global nessa tragédia, mas é a popularização do tema em si que é bastante importante, pois pode ajudar na aceitação de leis para limitar as emissões de gases do efeito estufa e eficiência energética.
Porém, o que as mudanças climáticas não podem virar é uma desculpa para os anos de incompetência das autoridades brasileiras. O que ocorreu no Rio de Janeiro não foi fruto da alteração do regime de chuvas ou de transformações no clima. O número de mortos é reflexo de descaso, despreparo e falta de interesse dos governantes.
Boa Semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil
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11-01-2011
Caro Leitor,
Estamos em 2011, um ano que promete muito para as questões ambientais e climáticas.
Teremos na África do Sul o que pode ser considerada a reunião definitiva para a criação de um Acordo Climático Global de redução das emissões de gases do efeito estufa. Depois de anos de negociações sem grandes avanços, não há mais possibilidade de adiamento, principalmente no que diz respeito ao Protocolo de Quioto.
Outro assunto importante que deve ter uma solução ainda agora no começo de 2011 é o Código Florestal Brasileiro. A grande dúvida é se o conjunto de leis ambientais brasileiras, considerado um modelo de sustentabilidade, sobreviverá ao ataque dos ruralistas.
O mercado de carbono também passará por momentos decisivos, com os países asiáticos encaminhando suas iniciativas e os estados norte-americanos, em especial a Califórnia, dando início a novos esquemas de comércio.
Na Europa, o EU ETS deverá ter um ano movimentado, principalmente por causa da tendência de aumento da demanda por créditos das geradoras elétricas. Essas companhias deverão buscar créditos mais baratos em 2011 para evitar os altos preços no futuro decorrentes da redução significativa da alocação gratuita de permissões de emissão (EUAs) em 2013.
Será sem dúvidas um ano cheio de fatos importantes e estaremos aqui para passar todos eles da maneira mais completa e clara possível.
Boa Semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil
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15-12-2010
Da CarbonoBrasil
Caro Leitor,
A COP16 em Cancún chegou ao fim e foi festejada como um grande sucesso pelas autoridades presentes no México. Quem mais comemorou foi a própria ONU, pois o resultado da conferência garantiu que o formato multilateral das negociações voltasse a ter credibilidade.
Mas apesar do que nos dizem os ministros e as capas dos grandes jornais, será mesmo que existe motivo para comemorar a COP16?
O problema de Cancún não foi o seu resultado e sim o seu início. Quando ficou definido que os delegados não iriam debater um acordo com força de lei para limitar as emissões para ao invés disso se focar em questões pontuais, a COP16 já estava destinada a ser pouco relevante.
Foi um sucesso por ter conseguido alcançar as metas que se propôs? Foi. Essas metas representam um grande avanço no combate às mudanças climáticas? Não.
Mesmo o financiamento climático e REDD ainda não estão detalhados o suficiente para que possam ser comemorados como progressos reais.
Some-se a isso o fato do Protocolo de Quioto ter saído da COP16 em situação ainda mais precária do que entrou. O texto sobre ele no acordo de Cancún traz um misterioso “será definido o mais rápido possível".
No fim, todas as questões fundamentais ficaram para ser resolvidas ano que vem na África do Sul. Dessa forma, a pressão sobre os negociadores da COP17 será imensa, dificilmente haverá tolerância para mais um atraso nas decisões.
Será então que foi mesmo uma boa idéia resumir Cancún a apenas questões pontuais? Veremos em 2011.
Boa Semana
Equipe Instituto CarbonoBrasil.
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Da CarbonoBrasil
Caro leitor,
Estamos na semana decisiva de Cancún e a esperança é que com a chegada nesta terça-feira (7) dos ministros do Meio Ambiente as conversas acelerem e que comecem a aparecer os primeiros resultados concretos das negociações.
Até agora a COP16 trouxe algumas boas notícias, como as posições mais flexíveis dos norte-americanos e chineses e os primeiros esboços para a transferência de tecnologias limpas.
Mas como é de praxe nas Conferências do Clima tudo está ficando para o último dia e segue grande a chance de Cancún terminar sem nada de muito surpreendente.
Apesar de ainda ser muito cedo para afirmar, tudo indica que a decisão sobre o futuro do Protocolo de Quioto ficará mesmo para o ano que vem. Além disso, mesmo a idéia de traçar um rascunho de outro acordo global para limitar as emissões não parece estar se desenvolvendo bem. Então, o objetivo que existia de que no México seria desenhado o acordo para que fosse aprovado na África do Sul em 2011 está ficando mais distante.
O mais provável é que seja realmente criado o “Fundo Verde”, com a missão de angariar e distribuir até US$ 100 bilhões por ano em ajuda climática e que o REDD + e o CCS sejam incorporados ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
A questão é avaliar se com essas medidas a COP16 pode ser considerada um sucesso.
Boa Semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil
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Da CarbonoBrasil
Caro leitor,
Lá vamos nós novamente para mais uma Conferência do Clima e as expectativas que começaram baixas estão melhorando.
A promessa para esse encontro em Cancún (COP16) era de pouca ambição, com os delegados focados em buscar a concretização de medidas modestas.
Agora, norte-americanos e chineses anunciaram que já vinham conversando há algumas semanas e que um consenso entre os dois países poderá ser alcançado.
O conflito entre EUA e China era justamente o principal obstáculo visto por especialistas para que a COP16 pudesse apresentar progressos. Além disso, muitos apostam que a questão do financiamento climático possa ser solucionada.
Porém, muito ainda terá que ser trabalhado e os próximos dias serão vitais para o combate às mudanças climáticas e para a própria continuidade das negociações internacionais sob a tutela da ONU.
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24-11-2010
Caro Leitor,
Na semana que passou publicamos três matérias sobre o uso alarmante dos agrotóxicos na agricultura brasileira. Somos o maior consumidor global destes venenos e na última década registramos um crescimento escandaloso no uso de agrotóxicos em relação ao resto do mundo.
Existem estudos afirmando que se ultrapassarmos as quantidades máximas diárias dessas substâncias as consequências poderão variar desde sintomas como dores de cabeça, alergia e coceiras até distúrbios do sistema nervoso central ou câncer, nos casos mais graves de exposição, como é o caso dos trabalhadores rurais.
Estamos diante de um grande desafio. Mais rigor na aplicação das leis existentes e uma política de educação e incentivos aos agricultores para que não dependam tanto dos pesticidas parecem as melhores opções.
O Instituto CarbonoBrasil fechou uma parceria com o evento “Visão técnica e jurídica: Licenciamento Compliance socioambiental & de empreendimentos”, que se realiza no dia 7 de dezembro em São Paulo e tem como objetivos:
• Avaliar os principais riscos socioambientais inerentes aos negócios;
• Conhecer os critérios de uma due diligence ambiental;
• Conhecer os procedimentos de gestão de risco ambiental;
• Avaliar licenças, medidas compensatórias ou mitigadoras;
• Aprimorar a comunicação com órgãos de controle.
Leitores do CarbonoBrasil têm 15% de desconto nas inscrições, que podem ser feitas pelos telefones 11 2626 9160 e 11 2626 9161 ou pelo e-mail atendimento@b2group.com.br
Boa Semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil
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17-11-2010
Caro Leitor,
A UNESCO liberou um relatório na última semana mostrando que entre 2002 e 2008 a contribuição científica dos países em desenvolvimento para periódicos internacionais e revistas especializadas cresceu de maneira significante.
O documento, que possui um capítulo destinado ao Brasil, nos coloca em 13º na lista dos maiores produtores de ciência do mundo.
A classificação leva em conta o número de artigos científicos publicados por cada país, sendo que o Brasil chegou, em 2008, a 26.482. Mais de 90% deles provenientes das universidades públicas.
O fato deve ser comemorado como uma expansão e democratização do conhecimento científico. Porém, o relatório faz uma ressalva, o número de patentes registradas pelos países em desenvolvimento segue medíocre.
No caso do Brasil, a legislação é ainda ultrapassada e dificulta parcerias entre empresas e universidades. Financiamentos públicos também são bastante complicados de serem conseguidos, pois a burocracia é um obstáculo quase intransponível.
Para que a sociedade tire todo o proveito da nossa própria produção científica é preciso que o governo repense o atual emaranhado de requerimentos e normas para que o capital privado possa ser utilizado pelas universidades publicas e que o produto dessa parceria possa ser disponibilizado para a sociedade.
Boa Semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil
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04-11-2010
Caro leitor,
Foram tantos acontecimentos importantes nos últimos dias que fica complicado saber por onde começar esse editorial.
Bem, vamos lá, Dilma. Difícil saber o que esperar para o clima e meio ambiente de uma mulher que defende projetos como a hidrelétrica de Belo Monte ao mesmo tempo em que promete destinar parte dos recursos do petróleo para o combate às mudanças climáticas.
A falta de debates mais profundos durante a eleição foi sentida também pela área ambiental. Nenhum dos dois candidatos deixou claro suas propostas para o setor e provavelmente teremos que esperar para ver.
Já os Estados Unidos caíram para a direita, com os republicanos vencendo a maioria das cadeiras no Congresso. Se antes já estava difícil a aprovação da lei climática, agora mesmo que ela deve ser engavetada diante das promessas republicanas de corte de custos estatais.
Com isso, a Bolsa do Clima de Chicago (CCX) deverá deixar de existir no fim de 2010. Sem o apoio governamental, as empresas que formam o esquema irão abandonar a iniciativa.
O consolo vem da Califórnia, onde a proposta de adiar a implantação de um mercado de carbono foi derrotada. Assim, muito provavelmente teremos até 2012 a formação do Western Climate Initiative (WCI), que reunirá outros 11 estados dos EUA e províncias canadenses.
Notícias boas também do Japão, onde a COP 10 terminou em um acordo global de proteção à biodiversidade. O obstáculo da divisão dos recursos genéticos de animais e plantas foi ultrapassado e os países conseguiram chegar a um consenso. O que também dá esperança para a Conferência do Clima de Cancun que começa no fim desse mês.
Finalmente, a questão dos resíduos sólidos. Não há mais tempo para desperdícios na nossa sociedade, essa foi uma das principais mensagens da sétima Conferência Lixo Zero que foi realiza da em Florianópolis.
Com a presença de grandes especialistas do setor, o encontro deixou claro que os resíduos são uma grande oportunidade de negócio para quem tiver visão e que a nova lei nacional servirá de incentivo para a criação de uma nova indústria de reciclagem e reaproveitamento.
Boa Semana!
Equipe CarbonoBrasil
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02-11-2010
Preservar e prosperar
Por Petrônio Souza
Enquanto o mundo todo se volta para a preservação da água e começa a discutir o futuro do planeta dentro de uma visão sustentável da existência humana na terra, o Brasil e Minas Gerais parecem ignorar essa tendência, acreditando ser possível a vida sem água. Chega a ser constrangedor analisar o fato de que estamos trocando a criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela - com suas mil nascentes identificadas, que abastecem cerca de 45% da Região Metropolitana de Belo Horizonte e de 60% da capital – pela implantação do Projeto Apolo, que pretende minerar na área delimitada pelo parque.
Hoje, a Serra do Gandarela é responsável diretamente pela vida de aproximadamente 2 milhões de pessoas, que recebem água tratada em casa, além de ter direito ao saneamento básico. Ainda assim, querem tirar do povo mineiro mais esse direito. Há uma inversão de valores histórico e cultural nesta questão, pois o quadrilátero não é ferrífero, mas sim, aqüífero, pois o bem mais preciso para nós não é o minério, mas a água, e onde tem minério, tem água.
Uma tonelada de minério de ferro vale hoje R$ 250 no mercado internacional, enquanto que um litro de água mineral vale R$ 1,5 no mercado interno. Mil litros de água mineral valem então R$ 1.500,00, ou seja, 6 vezes mais que uma tonelada de minério, isso sem levar em consideração que a água é um bem natural renovável, ou seja, uma fonte que não seca. No entanto, querem, da forma mais tosca possível, matar a ‘galinha dos ovos de ouro’, para não ter direito ao tesouro que ela traz dentro de si. Isso se limitarmos ao questionamento de valores, sem, contudo, avaliarmos a vida presente e futura, que tem valor incalculável.
A criação do Parque Nacional do Gandarela, que abrange uma área em 8 municípios, bem no coração de Minas Gerais, o torna um bem de todos os brasileiros, de todo aquele que quer conhecer as suas belezas, andar por suas trilhas, estudar as suas espécies, pesquisar a sua fauna e flora. Assegura que daqui a centenas de anos, aquele pedaço privilegiado de terra estará preservado, com suas nascentes intactas, seus pássaros voando livremente pelo céu do Brasil, seus lobos-guarás procriando e a vida se multiplicando na terra.
A implantação do Projeto Apolo, com a atividade minerária, privatiza a área que deveria ser de todos, levantando cercas, desmatando árvores, destruindo tudo que está a sua volta. Onde rolava uma cachoeira, passará a escorre uma água negra, e no rio de águas cristalinas em que havia peixes, terá apenas esgoto.
A criação do Parque Nacional do Gandarela possibilitará o turismo, que é a indústria limpa, com investimentos pequenos e uma vastíssima e integradora cadeia produtiva, fazendo a riqueza de muitos. A implantação do Projeto Apolo destruirá e poluirá o meio ambiente, trará problemas sociais para as populações que estão ao seu entorno, com aumento da criminalidade, do tráfico de drogas, e uma profunda mudança no comportamento e na vida das pequenas e modestas localidades. Fará apenas a riqueza de poucos, de muito poucos. Não podemos trocar a flora única existente na Serra do Gandarela, com sua fauna, seus rios, vales e cachoeiras, por um buraco que será deixado pela mineração.
A escolha entre a criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela e da implantação do Projeto Apolo é emblemática para nós mineiros neste momento. É o sinal claro de qual modelo e valores de vida que adotaremos em tempos de mudanças de conceitos e atitudes mundo afora. Apontará qual a visão de mundo e sociedade que vamos ter daqui pra frente. Será que vamos optar por ganhar menos agora ou ganhar mais sempre, continuamente!
Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor
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20-10-2010
Caro Leitor,
Com o início da Conferência das Partes (COP 10) da Convenção sobre Diversidade Biológica que reúne mais de 190 nações em Nagoya, no Japão, o assunto da semana é sem dúvida a biodiversidade.
O principal objetivo da COP 10 será chegar a um consenso sobre o novo plano estratégico para a próxima década (2011-2020). Este plano deve estabelecer metas para a conservação e uso sustentável da biodiversidade além de traçar políticas de longo prazo para 2050.
A COP 10 também será marcada pela divulgação do relatório The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEB) em sua versão integral, que irá mostrar que o impacto da perda de biodiversidade anualmente é da ordem de US$ 2 trilhões a até US$ 4,5 trilhões.
Nós do Instituto CarbonoBrasil buscaremos levar a você da maneira mais clara possível cada uma das decisões da COP.
Visando esse objetivo, criamos a seção “Documentos Internacionais Oficiais”, que terá resumos de tratados, protocolos e acordos relacionados com biodiversidade e mudanças climáticas já firmados entre os países. A idéia é facilitar aos nossos leitores o acesso e a compreensão desses documentos.
Temos que aproveitar nossa newsletter para prestar uma última homenagem ao alemão Hermann Scheer, pioneiro das fontes limpas de energia, falecido na quinta-feira.
Autor dos livros referência "O Manifesto Solar" e "Economia Solar Global" e vencedor do prêmio Nobel alternativo de 1999, Scheer fundou e presidiu a Associação Européia de Energia Solar (EUROSOLAR) e o Conselho Mundial para Energia Renovável. Como parlamentar na Alemanha ajudou o país a se tornar uma potência em energia limpa e era o principal arquiteto do Ato Alemão de Energia Renovável.
É inspirador perceber como um único indivíduo pode fazer tanto pela causa que acredita. É um exemplo que todos deveríamos seguir, para o bem do planeta e da nossa própria realização pessoal.
Boa Semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil
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14-10-2010 - Caro leitor,
Já perdemos a conta de quantas matérias fizemos sobre reuniões climáticas e como elas sempre vêm recheadas de declarações otimistas mesmo diante dos pequenos avanços.
Terminou no sábado na cidade chinesa de Tianjin a última dessas rodadas antes da Conferência do Clima (COP 16) no México no fim de novembro. Novamente tivemos autoridades dizendo que alguns passos foram dados e que estão esperançosos com o futuro. Mas a novidade dessa vez é que ninguém se fez de cego e ignorou o conflito entre China e Estados Unidos.
As duas potências globais dominaram as discussões e sempre se antagonizando impediram que progressos mais ambiciosos fossem conquistados.
Um pouco mais de mês nos separa da COP 16 e parece muito improvável que até lá os senhores no planeta percebam que se não derem as mãos irão morrer abraçados.
Do jeito que as coisas estão se encaminhando fica fácil prever como será a manchete do fim da Conferência do Clima de Cancun: “Pequenos avanços e grandes conflitos marcam COP 16”.
Boa Semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil
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06-10-2010
Caro leitor,
Em agosto, ao fim das eleições na Austrália nós noticiamos: “No último sábado os australianos foram às urnas para eleger o novo governo e a realidade nesse país parece semelhante ao que poderemos ter aqui no Brasil em outubro. Nenhum dos dois partidos principais conseguiu maioria e agora disputam o apoio do Partido Verde”.
Lá os Verdes tiveram 11,5% dos votos e com as cadeiras conquistadas já exercem influência em novas leis climáticas e ambientais, assim como ajudam a fortalecer a possibilidade da criação de leis de redução de emissões.
Aqui, Marina Silva teve quase 20 milhões de votos no último domingo e se transformou na namoradinha do Brasil, sendo cortejada pelo PT e PSDB. É difícil dizer até que ponto esses eleitores seguirão a decisão de Marina de apoiar Dilma ou Serra, mas de qualquer forma é um momento em que a causa ambiental ganha muita relevância.
Além disso, essa votação expressiva deixa claro que boa parte da população está cansada dos discursos de sempre e decidiu dar chance a uma nova forma de desenvolvimento. Isso, por si só, já é algo a se comemorar.
Outro tema importante desta semana é o início da última rodada de negociações climáticas antes da conferência do clima de Cancún no final de novembro. O grande objetivo dessa reunião, que está sendo realizada na cidade chinesa de Tianjin e segue até sábado, é reduzir o número de propostas que estão na mesa sobre temas espinhosos como transferência de tecnologias, financiamentos e metas de emissões.
Até agora não houve grandes novidades, as discussões são lentas e a possibilidade de um acordo global em 2010 é muito remota. A maioria dos especialistas aposta que Cancún apenas irá produzir a estrutura do acordo e que ele será finalmente aprovado em 2011 na África do Sul.
Boa Semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil
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28-09-2010
Algumas oportunidades positivas surgiram na última semana em meio a notícias não muito animadoras quanto ao sucesso que a sociedade não está conseguindo alcançar na melhoria da qualidade ambiental, como a morte dos corais no sudeste asiático.
O fundo de adaptação climática anunciou que a primeira parcela de ajuda financeira seria direcionada a dois países muito vulneráveis às mudanças do clima, Honduras e Senegal. Este é um sinal um tanto acalentador neste momento em que reina a desmotivação no caminho para um acordo global para redução de gases do efeito estufa e esperamos que mais países desenvolvidos contribuam com o fundo para que seja possível a sua ampliação.
A expansão do setor de energia eólica se mostrou forte frente à crise econômica global e promete ser um dos principais focos dos investimentos em energias limpas nos próximos anos, especialmente no Brasil . E por fim divulgamos uma série de vagas disponíveis para trabalho junto ao secretariado de mudanças do clima em Bonn (Alemanha), o que certamente é uma oportunidade interessante para quem está se capacitando nesta área em ascensão.
Boa semana!
Equipe Instituto CarbonoBrasil
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09-09-2010
Caro Leitor,
A saída para minimizar os impactos das mudanças climáticas e para vivermos em um planeta movido a uma economia de baixo carbono com certeza passa pela ciência. Claro que não devemos depender apenas de novas tecnologias para alcançarmos esses objetivos.
Alterar os hábitos de consumo provavelmente é ainda mais importante para a o nosso futuro do que os avanços tecnológicos, mas sempre é bom ver que cada vez mais empresas estão seguindo o caminho das práticas verdes.
Visando separar o joio do trigo, ou seja, separar as companhias que realmente investem no meio ambiente daquelas que apenas fazem discurso é que a ONG WWF lançou o programa Green-Game Changers, que foi tema de nossa manchete na quinta-feira passada.
O objetivo dessa iniciativa é dar visibilidade para novos produtos e métodos de negócios que sejam promissores e que já estejam em prática.
Essa tarefa que a WWF se propôs é extremamente importante, pois atualmente vivemos rodeados por comerciais floridos e repletos de “sustentabilidade” e é fundamental que consigamos identificar o que é real do que é apenas golpe de marketing.
Aproveite bem a semana!
Equipe CarbonoBrasil
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01-09-2010
Caro leitor,
Esta semana começou com o Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC) recebendo um puxão de orelha do relatório pedido pela ONU para avaliar os erros cometidos no passado e a maneira como a entidade lidou com esses problemas.
O InterAcademy Council (IAC), responsável pela avaliação, fez diversas recomendações, a maioria delas voltada para a administração do IPCC. Foi sugerida, por exemplo, a criação de um cargo de diretor executivo para falar em nome da entidade assim como o estabelecimento de um comitê permanente para supervisionar os trabalhos do painel.
Ignorando possíveis fatores políticos que estejam pressionado a saída do atual presidente Rajendra Pachauri, o que essa avaliação deixa de positivo é que todo o trabalho já realizado pelo IPCC é sério e confiável. Também parece claro que daqui pra frente não veremos uma reação tão lenta diante de polêmicas, a postura que influenciou negativamente a visão da sociedade com relação às mudanças climáticas no fim do ano passado, justamente momentos antes da tão importante Conferência de Copenhague.
Um IPCC mais forte será importantíssimo para as futuras negociações internacionais sobre um acordo climático global.
Boa Semana!
Equipe CarbonoBrasil
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25-08-2010
Caro Leitor,
No último final de semana a Austrália passou por eleições e de uma maneira muito parecida ao que podemos imaginar que vai acontecer no Brasil em outubro os votos ficaram concentrados em dois partidos. A semelhança vai além e como também deve ser aqui no nosso país caberá ao Partido Verde ser o fiel da balança.
Segundo analistas, as questões ambientais e climáticas pesaram bastante na avaliação dos eleitores e os Verdes receberam 11% dos votos. Agora, os grandes partidos australianos estão correndo atrás do apoio deles para garantir maioria.
Essa importância dada ao Partido Verde deve facilitar a adoção de medidas de preservação e de políticas de redução de emissões de gases do efeito e estufa nos próximos anos. Talvez finalmente saia do papel o tão anunciado mercado de carbono da Austrália.
O maior interesse das pessoas pelo meio ambiente e pelas mudanças climáticas deve ser sentido nas urnas aqui também e por isso mesmo já passou da hora dos políticos deixarem de fazer apenas discursos cheios de ‘sustentabilidade’ e realmente se posicionarem sobre diversos assuntos polêmicos: como a usina de Belo Monte e o novo Código Florestal.
Boa Semana!
Equipe CarbonoBrasil
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Caro leitor,
Uma área de alta pressão estacionada no oeste da Rússia está causando ondas de calor naquele país e chuvas torrenciais no Paquistão. Até ai nada muito anormal, o problema é que essa área está mais forte e prolongada que os padrões esperados e como conseqüência disso já causou a morte de milhares de pessoas e grandes impactos econômicos.
É nessa quebra de padrão que meteorologistas estão enxergando o dedo do aquecimento global. Agora, especialistas consideram urgente a necessidade de criar melhores ferramentas para prever o acontecimento desses fenômenos. Reuniões com esse objetivo estão agendadas para agosto e setembro tanto na Europa quando nos Estados Unidos.
Aqui no Brasil, a questão de modelagem do clima também está sendo levada muito a sério. Com o auxílio do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), diversos centros de pesquisa ao redor do país estão adaptando modelagens globais às realidades regionais como uma forma de melhorar a precisão e tentar prever como determinados locais reagirão a mudanças no clima.
Entretanto, o Brasil, diferentemente de países como os europeus, não tem uma história muito longa na área de pesquisas e no registro de dados climáticos.
Mais investimentos são necessários nesse tipo de conhecimento, até porque é muito mais barato financiar estudos hoje que depois ter que pagar pelos prejuízos causados pelos eventos climáticos extremos se eles nos pegarem despreparados.
Boa Semana
Equipe CarbonoBrasil
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11-08-2010 -
Caro leitor,
Mais uma rodada de negociações climáticas terminou na última sexta-feira (6) em Bonn e novamente as divergências entre países ricos e em desenvolvimento foram grandes demais para ser possível algum avanço.Na verdade houve um retrocesso.
O texto base das discussões, que deveria ser reduzido para facilitar as negociações, acabou dobrando de tamanho. Agora apenas mais uma reunião, na China, nos separa da próxima grande conferência do clima, no México, no final do ano.
Até o sempre confiante Secretário-Geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon, acha difícil a concretização de um acordo global para reduzir as emissões de gases do efeito estufa ainda em 2010.
Pelo menos tivemos uma notícia boa na semana que passou no que diz respeito à preservação ambiental. O Equador, em uma iniciativa que já está sendo chamada de histórica, fechou um acordo com as Nações Unidas pelo qual o país receberá US$ 3,6 bilhões para não explorar o petróleo localizado na reserva de Yasuní , na Amazônia.
O valor para manter a reserva será pago pelos países ricos e equivale a metade do lucro que o Equador conseguiria se explorasse o petróleo da região. A iniciativa merece ainda destaque porque pode ser copiada por outras nações e se tornar uma nova modalidade de preservação.
Boa Semana!
Equipe CarbonoBrasil
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03-08-2010 - Caro Leitor,
Agora não há mais dúvidas de que o planeta está em um processo de aquecimento. Se esse fenômeno é causado pelo homem ou não é outra questão, mas é um fato que a temperatura média global está subindo a um ritmo que vem se acelerando nas últimas décadas.
Para chegar a essa conclusão, mais de 300 cientistas de 48 países contribuíram para o State of Climate 2009, estudo que analisou 10 indicadores climáticos e comprovou que o planeta está sem dúvida esquentando e que a atual década será a mais quente já registrada desde 1870.
Diante desta constatação, não resta outra saída para a humanidade além de tentar contribuir para que esse aquecimento fique dentro do tolerável.
Porém não estamos fazendo isso, como alerta o Climate Strategies, uma rede independente de pesquisadores do clima sediada na Universidade de Cambridge, que afirmam que as metas de redução de emissões propostas pelos países nas negociações climáticas da ONU não são ambiciosas o bastante para manter o aquecimento global na faixa dos 2°C.
A esperança é que os líderes mundiais ouçam esse apelo e cheguem a um consenso sobre medidas mais rigorosas para que o futuro acordo climático mundial consiga atingir seu objetivo de minimizar os impactos do aquecimento global e das mudanças climáticas.
Boa Semana
Equipe CarbonoBrasil
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27-07-2010
Caro Leitor,
Explicando de maneira simplificada, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é uma ferramenta que permite que empresas invistam em projetos de redução de carbono em nações que assinaram o Protocolo de Quioto em troca de créditos, que então são utilizados para atingir suas próprias metas de redução ou vendidos por lucro.
O sistema já foi alvo de diversas fraudes, com algumas indústrias inclusive aumentando suas emissões deliberadamente para poderem receber mais créditos ao fazerem as “reduções”.
O MDL atravessa atualmente um momento de consolidação e amadurecimento. A ONU está estudando uma série de reformas que irão afetar principalmente o método de calcular os créditos de carbono e os pré-requisitos para negociá-los.
Além disso, a entidade está preocupada com o que acontecerá com o mecanismo depois de 2013 se nenhum acordo climático global chegue para substituir o Protocolo de Quioto. Por isso, já prepara um plano B em caso de falha das negociações. Esse plano prevê até uma prolongação de Quito por mais dois anos.
Os próximos meses até a Conferência de Cancún (COP 16) serão muito importantes para termos idéia do que esperar para o futuro do MDL.
Equipe CarbonoBrasil.
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21-07-2010
A China aparece como o grande motor para as energias renováveis. O país instalou 13,8 GW de eólica em 2009, mais de um terço de toda a capacidade eólica instalada no mundo, 38GW.
Além disso, o gigante asiático entrou com força no mercado global de produtos energéticos verdes, produzindo cerca de 40% de todos os painéis fotovoltaicos do mundo e 30% das turbinas eólicas.
Já o Brasil aparece com destaque nos relatórios pelo programa de bicombustíveis, sendo responsável, em conjunto com os Estados Unidos, por 88% da produção global de etanol. Apesar disso, a produção brasileira caiu em virtude da crise econômica e ainda não mostrou sinais de melhora. Em 2009 houve uma queda de mais de 30% nas exportações brasileiras de etanol.
2010
Segundo o "Renewables, 2010 Global Status", o atual ano será um marco na história das energias renováveis. Dados os números do primeiro trimestre, que já mostram que 18% da eletricidade mundial é gerada por fontes renováveis, o setor atingirá um número recorde de produção.
Os autores ressaltam que mesmo com a crise global, baixos preços do petróleo e o pequeno progresso das políticas climáticas as renováveis crescem de maneira sólida e já são responsáveis pela geração de uma fatia respeitável da energia mundial.
O relatório indica que o conceito de desenvolvimento sustentável, com a criação de novas indústrias e de milhões de empregos relacionados com o meio ambiente realmente foi adotado por diversos governos.
“O desempenho do setor de energias limpas durante a crise econômica mostra que ele não é apenas uma ‘bolha’ criada na época do boom de crédito, mas que se trata de um setor sério e que irá receber investimentos por muitos anos”, disse Michael Liebreich, presidente da Bloomberg New Energy Finance.
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19-07-2010
Caro Leitor,
Alguns dias atras foi aprovado pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados para a Reforma do Código Florestal Brasileiro o texto-base do relatório apresentado pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que propõe uma nova legislação ambiental.
Um dos pontos mais polêmicos da proposta é a proibição de abertura de novas áreas para agricultura ou pecuária em qualquer propriedade do país por cinco anos. Em troca, as áreas que estavam em uso pela agropecuária até julho de 2008 serão reconhecidas e regularizadas, uma espécie de anistia para todos os criminosos ambientais.
A proposta foi duramente criticada por ambientalistas e pelos ex-ministros Carlos Minc e Marina Silva. "Trata-se do maior retrocesso que nossa lei de florestas já sofreu. Além de dar um sinal verde para mais destruição, com uma anistia ampla a quem desmatou ilegalmente e cometeu crimes ambientais nas últimas décadas, a proposta de mudança permite o uso político do Código Florestal na barganha da campanha eleitoral", disse Rafael Cruz, coordenador de campanha do Greenpeace.
Essas mudanças ainda terão que ser votadas e aprovadas pelo plenário da Câmara, o que só deve ocorrer após as eleições. Então muito ainda deve ser discutido.
Pelo lado das notícias positivas, vale destaque a conquista do Ashden Award, uma das mais importantes condecorações de energia limpa do mundo, pela cooperativa Creluz por seu trabalho de levar eletricidade para comunidades gaúchas através de pequenas centrais hidrelétricas.
A Cooperativa de Energia e Desenvolvimento Rural do Médio Uruguai, formada principalmente por pequenos agricultores e comerciantes, atua em 36 cidades beneficiando mais de 23 mil famílias.
Ao fornecer energia para essas comunidades, a Creluz evita que os jovens precisem deixar o campo para trabalhar nas grandes cidades, melhora a condição de vida de milhares de famílias e reduz emissões de gases do efeito estufa – uma vez que as pessoas não precisam mais queimar lenha ou usar geradores a diesel.
A cooperativa é um bom exemplo de como as pessoas podem fazer algo de concreto para melhorarem suas próprias vidas. Prêmio bem merecido.
Boa Semana
Equipe CarbonoBrasil
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09-07-2010
Caro Leitor,
A desinformação do que seria o REDD e a falta de leis que o regulamentem criam brechas para que governos e empresários acabem utilizando o mecanismo para justificar ações que ameaçam o estilo de vida e o direito à terra dos povos nativos.
Uma das nossas notícias da semana que passou tratou justamente desses abusos cometidos em nome do REDD, com casos registrados na Guiana e Indonésia. É preciso acelerar as discussões sobre o mecanismo na ONU para que se evite esse tipo de crime. O REDD quando bem trabalhado pode vir a ser uma ferramenta fantástica para a preservação do meio ambiente.
Em outra notícia, os Estados Unidos anunciaram a liberação de quase US$ 2 bilhões para o desenvolvimento da energia solar. A maior parte desses recursos será destinada para a construção de uma fazenda solar no Arizona, que irá produzir eletricidade para 70 mil casas. A intenção do governo Obama é diminuir a dependência dos combustíveis fósseis e ainda criar novos postos de trabalho.
De Washington vieram também os novos avanços sobre a nova lei climática e energética. Parece que finalmente os dois grandes partidos estão dispostos a negociar e pode ser que a lei saia do papel, mesmo que para isso seja necessário abrandá-la.
Boa Semana
Equipe CarbonoBrasil
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Da CarbonoBrasil
Caro leitor,
Na última semana, as 35 companhias que aderiram ao Registro Público de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Brasil divulgaram suas emissões e juntas somaram 89 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) em 2009.
O Registro será uma plataforma online para a publicação de inventários de gases do efeito estufa (GEE) de instituições brasileiras. Ele auxiliará os agentes privados e públicos na definição de estratégias para mitigação de GEE. Servirá também para integrar os esforços do Programa Brasileiro GHG Protocol com as ações da Política Nacional de Clima e do cumprimento da meta anunciada em Copenhagen.
Possuir um inventário de emissões é o primeiro passo para a adoção de medidas concretas para diminuir a liberação de gases do efeito estufa na atmosfera. Afinal, é necessário conhecer o tamanho do problema para poder lidar com ele.
Outra medida anunciada nesta semana que também pode ajudar na redução das emissões é a decisão dos países do G20 de cortar os incentivos para a produção e o consumo de combustíveis fósseis.
De acordo com um relatório recente da Agência Internacional de Energia (AIE), os combustíveis fósseis recebem US$ 550 bilhões em ajuda pública. A instituição alerta que esses enormes subsídios estão influenciando os mercados e inibindo o crescimento de fontes mais limpas de energia.
O G20 se comprometeu também em buscar na “economia verde” as ferramentas para impulsionar a economia mundial e no crescimento sustentável a maneira de desenvolver os países mais pobres.
Depois de várias semanas apenas com desastres, fraudes no mercado e outras notícias ruins, é bom ver alguns avanços em direção a quem sabe um futuro mais amigável com o meio ambiente.
Boa Semana!
Equipe CarbonoBrasil
Link: http://www.carbonobrasil.com/
