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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

( Portugal ) OPINIÃO - Triste e revoltante

Por Pedro Viseu
Ser Bombeiro Voluntário, para mim, sempre foi uma coisa perfeitamente normal! Cresci, tal como outros, a correr até o Mirante para ver o "Land Rover" a atravessar a ponte, desejando um dia nele poder ir, de preferência a tocar da sirene! 
Perigos, já naquele tempo existiam, mas eram perigos pouco calculados, mais relacionados com a falta de sensibilidade para as questões que mais tinham a ver com a segurança, ou falta dela, que envolvia aqueles que pretendia chegar ao incêndio, do que com a atuação dos voluntários no “teatro de operações”. Era comum vermos bombeiros dependurados nas traseiras, ou em cima do tanque das viaturas, desafiando com destreza, alguma sorte e ingenuidade, a gravidade das curvas e contra curvas da estrada que os levava ao incêndio.
Hoje, ser bombeiro voluntário é, acima de tudo, ser um pilar de sustentação da sociedade! Quanto mais forte e coeso se mantiver, melhor capacidade tem para enfrentar os desafios que todos os dias, com cada vez mais frequência, se lhe apresentam. É fundamental a existência de alguém que nos acuda e proteja nos momentos que mais nos afligem!
Ser bombeiro hoje, é muito mais do que era há 20 ou 30 anos atrás, quando não existiam equipamentos e instalações adequados, quando as botas daquele que estava a descansar, serviam para aquele que tinha acabado de se levantar. 
Ser bombeiro hoje, e a meu ver, para além de ser bonito e vistoso, ao ponto de fazer qualquer um sentir-se orgulhoso, é estar preparado para enfrentar os mais perigosos desafios que a natureza tem para nos demonstrar. Combater um incêndio de grandes proporções é um exercício que tem tanto de exigente como de extenuante, para o qual poucos estarão preparados. Não bastam os melhores e maiores meios para acudir ao desespero! Não bastam as promessas de que, para o ano tudo será diferente e nada será como dantes. A solução está a montante, na forma como cada um lida com a floresta, na capacidade que temos de a tornar menos vulnerável aos fogos que todos os anos, por ela alastram sem controlo. 
É triste e revoltante que uma jovem que quis ser bombeira, talvez na expetativa de, com isso, poder acabar o curso superior para, quem sabe, servir cada vez mais e melhor, a casa e a causa que escolheu servir, sucumba à violência de uma realidade que deveria ser enfrentada por homens e mulheres, dedicadamente preparados para o fazer.
É triste e revoltante, que quem manda olhe para os voluntários como a única, e última, solução para acabar com a tragédia que todos os anos se abate sobre as nossas florestas, numa luta sem quartel e traiçoeira, fruto da irresponsabilidade de muitos daqueles que desprezam a ideia de lhes dar o reconhecimento merecido.
Com a morte da Rita, subiu para três o número de mortes que ocorreram este ano, vítimas da traição e da impetuosidade do fogo!
Quantas mais vidas serão precisas para que os responsáveis pela proteção civil do nosso país, entendam que apagar fogos não é tarefa que se exija a voluntários, mas sim a profissionais que se dediquem em exclusivo e aturadamente, a esse desafio?
Quantos mais bombeiros terão que sucumbir, até que os nossos governantes percebam que o combate aos incêndios não começa no verão, mas sim muitos antes, dando incentivos aos interessados e impondo castigos aos desleixados, por uma gestão mais cuidada das florestas.
É triste que ainda pensem que tudo se resolve com milhões de euros, e que aqueles que tombam em serviço, acabem por servir de estímulo aos que ainda vão resistindo ao sufoco cíclico de uma inexorável realidade. 
O fogo é o maior ladrão, sempre ouvi dizer. Do site Penacova Actual em referência a onda de incêndios em Portugal
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