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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Venezuelanos são enterrados em caixões de papelão em meio à crise

Alto custo e a escassez de materiais complicam a aquisição de caixões.
Empresário apostou em 'biocofre', feito de material reciclado.

Os venezuelanos têm tido dificuldades para resolver a vida cotidiana, mas a crise também os está castigando na hora da morte. O alto custo e a escassez de materiais complicam a aquisição de caixões e, por isso, estão sendo fabricados com madeira barata e até papelão.

Muitos parentes fazem malabarismos para lidar com os gastos de um funeral: se preferirem a cremação à sepultura para não pagar uma cova no cemitério, o velório se reduz de 24 a oito, quatro ou duas horas. Alguns contratam somente o "serviço direto" para o crematório ou túmulo, e há os que aluguem o caixão apenas para o velório.

Há um mês morreu o irmão de Miriam Navarro, uma humilde dona de casa de 66 anos. "Me senti desesperada. Não tinha a fortuna que a funerária pedia. Se não fosse pela comunidade, teria que enterrá-lo no quintal", disse à AFP em sua casa em um bairro de Maracay, 105 km ao sudoeste de Caracas.

Com o que seus vizinhos arrecadaram, Miriam comprou um dos caixões fabricados, a poucas ruas de sua casa, pelo carpinteiro Ronald Martínez com papelão e MDF, um material comprimido de pó de serra e resina, que é muito mais barata que a madeira.

Diante dessas dificuldades do último adeus, Elio Angulo, um empresário de Barquisimeto (365 km ao sudoeste da capital), apostou no "biocofre", uma urna de papelão corrugado, 70% feito de produto reciclado, que desenhou com um sócio e logo estará à venda.

"Tem os dois ecos: ecológico e econômico. É para a cremação, mas também pode ser usado na exumação. Nossa proposta traz soluções para um país em crise", declara à AFP Angulo, que diz ter pedidos de várias cidades, e também da Colômbia e Equador.

Em um país onde o salário mínimo mensal é de 33 mil bolívares, os custos dos serviços funerários preocupam uma população afetada pela escassez de alimentos e pela inflação mais alta do mundo - oficialmente 180,9% em 2015, projetada para 720% para 2016 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Morrer empobrece!Martínez montou sua funerária há cinco anos, mas há dois teve que começar a fabricar os caixões porque "não conseguiam" diante da falta de metal para elaborar os de latão, os mais usados na Venezuela pelo alto custo da madeira.

A crise começava a aumentar, e o presidente Nicolás Maduro a atribuiu a uma "guerra econômica" de empresários e à queda do preço do petróleo, provocando uma enorme redução das importações e da produção.

Trinta fábricas de urnas funerárias do país requerem 450 toneladas de latão mensalmente, mas o abastecimento da Indústria Siderúrgica, estatal, tem sido irregular.

"Em um mês só foi entregue 60 toneladas. Temos que recorrer a mercados secundários e isso encarece os custos", segundo Juan Carlos Fernández, diretor da Câmara Nacional de Empresas Funerárias. Leia mais: G1
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