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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Jataí em rede nacional de TV por conta de abusos registrados em vídeo no quartel do 41º BIMTZ (JN)

MPF apura denúncias de tortura contra soldados do Exército em Jataí, GO
Segundo procurador, defesa de 4 vítimas entregou documentos e arquivos de áudio e vídeo com supostos crimes. 
Exército diz que também apura o caso e prendeu, por 72h, militares suspeitos

Por Sílvio Túlio, G1 GO
O Ministério Público Federal em Goiás (MPF/GO) instaurou Inquérito Civil para apurar denúncia de tortura, maus-tratos e assédio moral contra soldados do Exército lotados no 41º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Jataí, sudoeste de Goiás. Ao menos quatro integrantes da corporação teriam sido vítimas dos crimes, praticados por superiores.

Em nota, a assessoria do Exército informou ao G1 que já foi notificada do caso e já determinou a abertura de Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a denúncia relatadas pelo MPF/GO. Destacou ainda que efetuou a prisão, por 72 horas, dos militares diretamente envolvidos e transferiu, internamente, as vítimas para "evitar contato entre denunciados e denunciantes".

O comunicado pontua ainda que o Exército tem, entre seus valores, "o respeito ao indivíduo e à dignidade da pessoa humana, em todas as situações, bem como, empenha-se, rigorosamente, para que eventuais desvios de conduta sejam corrigidos dentro dos limites da lei".

De acordo com o procurador da República Jorge de Medeiros, responsável pelo caso, a defesa dos soldados entregou, na terça-feira (17), a denúncia formal acompanhada de arquivos de áudio e vídeo que corroboram as práticas dos crimes.

"No caso mais grave, há um vídeo que mostra um soldado sendo agredido com pisões e chutes na cabeça enquanto faz flexões. Ele teria ficado três dias fora do quartel e, no retorno, ao invés de uma punição prevista no regimento, ocorreu essa prática", disse ao G1.

Em outro caso, há indícios de atitudes racistas. Em um áudio, um superior diz ao soldado que ele "é preto, feio e não pode mudar isso".

Trâmite
Inicialmente, o material não deve ser divulgado para preservar os soldados. Ainda conforme Medeiros, as vítimas ingressaram neste ano na corporação, período também em que os crimes teriam sido cometidos. Neste caso, o MPF/GO atua na esfera civil. As questões criminais devem ser analisadas pela Justiça Militar.
O procurador explica que os quatro soldados seguem na corporação. O responsável pelo inquérito contou que o Exército tem 15 dias para se manifestar.

"Nós oficiamos o comando para que sejam repassadas as medidas de apuração que estão sendo adotadas sobre o caso e quais as medidas protetivas em face das supostas vítimas. Também pedimos a cópia da sindicância que foi aberta em um dos casos", explica.
Seguindo o trâmite da investigação, os soldados devem ser ouvidos pelo procurador na próxima semana.
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